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Caso Banco Master: CAE convoca Galípolo, Vorcaro e ex-dirigentes do BRB

por Henrique Valverde
10/02/2026 às 14h40
em Política
Caso Banco Master: Cae Convoca Galípolo, Vorcaro E Ex-Dirigentes Do Brb - Gazeta Mercantil

Caso Banco Master: CAE do Senado convoca Galípolo, Vorcaro e ex-dirigentes do BRB e amplia investigação

O caso Banco Master ganhou um novo e decisivo capítulo nesta terça-feira (10), após a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovar uma série de requerimentos que ampliam o escopo das investigações sobre o escândalo financeiro que abalou o sistema bancário brasileiro. A comissão autorizou convites para oitivas de autoridades centrais da política econômica, dirigentes de órgãos de controle e personagens-chave ligados à instituição financeira liquidada, além de pedidos formais de informações a diversos órgãos federais.

A iniciativa sinaliza um endurecimento da postura do Senado diante das suspeitas de fraudes bilionárias atribuídas ao Banco Master e reforça a intenção do Parlamento de apurar, de forma profunda, tanto as responsabilidades diretas dos gestores quanto eventuais falhas de fiscalização que permitiram a continuidade das irregularidades por anos.

No centro do caso Banco Master, estão operações financeiras consideradas atípicas, suspeitas de fraudes bancárias e a controversa venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), elementos que motivaram a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025.

Convocação de autoridades amplia pressão institucional

Entre os convites aprovados pela CAE, destacam-se nomes de peso da estrutura de controle do Estado brasileiro. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi chamado a prestar esclarecimentos sobre a atuação da autoridade monetária antes e durante o processo que culminou na liquidação do Banco Master. Também foram convidados o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo.

A presença dessas autoridades é considerada estratégica para o avanço do caso Banco Master, uma vez que permitirá aos senadores compreender o fluxo de informações, os alertas existentes e as decisões tomadas no âmbito da supervisão bancária e das investigações criminais.

Além deles, a comissão aprovou convites para ouvir Ailton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do Banco Central; Paulo Sérgio Neves Souza, ex-diretor jurídico da autarquia; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; e Jaques Henrique de Melo, ex-diretor da instituição brasiliense. Esses depoimentos devem esclarecer a relação entre o Banco Master e o BRB, especialmente no que diz respeito às operações que levantaram suspeitas de irregularidades.

Sócios do banco no centro das oitivas

Outro ponto central do caso Banco Master é a convocação de Daniel Vorcaro e Augusto Lima, sócios da instituição e apontados como figuras-chave no esquema investigado. A expectativa dos parlamentares é que os depoimentos dos empresários ajudem a desvendar a estrutura de funcionamento do banco, os mecanismos utilizados para sustentar operações suspeitas e o papel de cada dirigente nas decisões estratégicas.

Para a CAE, ouvir os sócios é essencial para confrontar versões, cruzar informações técnicas e identificar possíveis responsabilidades administrativas e criminais. O Senado avalia que os esclarecimentos prestados por Vorcaro e Lima podem ser determinantes para a consolidação do relatório final da subcomissão.

Pedidos de informações reforçam apuração técnica

Além das oitivas, a CAE aprovou uma série de requerimentos de pedidos de informações direcionados a órgãos estratégicos do Estado. No âmbito do caso Banco Master, foram acionados o Banco Central, a Polícia Federal, o Ministério da Fazenda, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Tribunal de Contas da União e o próprio Banco de Brasília.

Os senadores buscam acesso a relatórios de fiscalização, dados técnicos, documentos administrativos e informações detalhadas sobre investigações em andamento. O objetivo é reconstruir, com base documental, a trajetória do banco antes da liquidação extrajudicial decretada em 18 de novembro de 2025.

No caso do Banco Central, o foco está nos critérios que fundamentaram a decisão de intervir na instituição, bem como nos alertas e monitoramentos realizados anteriormente. Já em relação à Polícia Federal, o interesse é compreender o estágio das apurações criminais, sobretudo no que diz respeito às suspeitas de fraudes bancárias e às operações envolvendo a venda de carteiras de crédito ao BRB.

Ministério da Fazenda, CVM e TCU entram no radar

O caso Banco Master também levou a CAE a ampliar o alcance das investigações para além do sistema bancário estrito. Um dos requerimentos aprovados solicita informações ao Ministério da Fazenda, responsável pela supervisão da CVM, sobre o Conglomerado Master e as instituições que o integram.

A comissão quer mapear a estrutura societária, identificar vínculos entre empresas do grupo e avaliar se houve omissões ou falhas regulatórias que contribuíram para a perpetuação das irregularidades. No mesmo sentido, o Tribunal de Contas da União foi acionado para apurar possíveis responsabilidades administrativas e lacunas na fiscalização.

Para os parlamentares, o envolvimento do TCU é fundamental para avaliar se os mecanismos de controle do Estado foram suficientes ou se o caso Banco Master expôs fragilidades sistêmicas que precisam ser corrigidas para evitar novos escândalos.

Audiências públicas com especialistas fortalecem debate

Como parte da estratégia de aprofundamento técnico, a subcomissão da CAE aprovou a realização de audiências públicas com professores universitários e especialistas em sistema financeiro. O objetivo é discutir aspectos estruturais do mercado bancário, mecanismos de controle, práticas de governança e formas de prevenir fraudes semelhantes às investigadas no caso Banco Master.

Essas audiências devem contribuir para a formulação de propostas legislativas e recomendações institucionais, reforçando o papel do Senado não apenas como órgão fiscalizador, mas também como formulador de políticas públicas voltadas à estabilidade do sistema financeiro.

Renan Calheiros endurece discurso e fala em “rede de proteção”

Presidente da CAE e da subcomissão que acompanha o caso Banco Master, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) adotou um tom duro ao comentar o avanço das investigações. Em discurso, classificou o escândalo como um “espetáculo de horrores” e afirmou que o colegiado pretende retirar a “rede de proteção” dos investigados.

Segundo Renan, a fraude atribuída ao banco alarmou o país e funcionou por anos como um risco sistêmico para o mercado financeiro. Para o senador, a sucessão de revelações demonstra um padrão de irregularidades que exige resposta firme do Estado.

A fala reforça o clima político em torno do caso Banco Master, que passou a ser tratado como um episódio emblemático da necessidade de fortalecimento da fiscalização e da responsabilização de gestores no sistema financeiro nacional.

Acesso a investigações sob sigilo mobiliza Senado

Apesar do avanço institucional, ainda não há um calendário fechado para as oitivas. A expectativa é que os depoimentos ocorram de forma escalonada ao longo da segunda quinzena de fevereiro. Antes disso, a subcomissão iniciou uma agenda para destravar o acesso a investigações que correm sob sigilo.

Nesta quarta-feira (11), estão previstas reuniões com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. O objetivo é solicitar o compartilhamento de inquéritos já instaurados e alinhar procedimentos institucionais que permitam ao Senado analisar informações sensíveis dentro dos limites legais.

De acordo com Renan Calheiros, a comissão pretende requisitar inclusive dados de caráter sigiloso para compreender como o banco operava antes da liquidação e avaliar os impactos do caso Banco Master sobre a credibilidade e a estabilidade do sistema financeiro.

Caso Banco Master expõe desafios do sistema financeiro brasileiro

No Senado, a avaliação predominante é de que o caso Banco Master vai além de um episódio isolado de fraude bancária. Parlamentares enxergam no escândalo um teste à capacidade de coordenação entre órgãos de controle, supervisão e investigação, além de um alerta sobre a necessidade de aprimorar mecanismos de prevenção.

A expectativa é que o acompanhamento rigoroso do caso resulte não apenas na responsabilização dos envolvidos, mas também em propostas concretas para reforçar a governança do sistema financeiro, reduzir riscos sistêmicos e proteger investidores e correntistas.

O desfecho do caso Banco Master deve se tornar um marco institucional, com reflexos diretos sobre a atuação do Banco Central, do Congresso Nacional e dos órgãos de fiscalização, em um momento em que a confiança no sistema financeiro é considerada essencial para a estabilidade econômica do país.

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