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CCJ aprova jornada de 30 horas semanais para psicólogos

Projeto fixa limite semanal sem redução salarial, altera a lei que regulamenta a profissão e segue para o Senado se não houver recurso ao Plenário da Câmara

por Daniel Wicker - Repórter
13/05/2026 às 12h59
em Trabalho, Notícias
Ccj Aprova Jornada De 30 Horas Semanais Para Psicólogos - Gazeta Mercantil

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 12 de maio, o Projeto de Lei 1.214/2019, que fixa a jornada máxima de trabalho de psicólogos em até 30 horas semanais, sem redução salarial. A proposta, de autoria das deputadas Erika Kokay (PT-DF) e Natália Bonavides (PT-RN), altera a Lei 4.119/1962, que regulamenta a profissão de psicólogo. Como tramita em caráter conclusivo, o texto segue para análise do Senado, salvo se houver recurso para votação no Plenário da Câmara.

O parecer aprovado foi apresentado pelo deputado Helder Salomão (PT-ES), que concluiu pela constitucionalidade do texto principal e da emenda aprovada anteriormente pela Comissão de Finanças e Tributação. O relator fez ajustes redacionais para adequação jurídica e orçamentária da proposta.

A proposta beneficia profissionais da psicologia com vínculo formal de trabalho e busca equiparar a categoria a outras áreas da saúde e da assistência social que já contam com jornadas reduzidas. O projeto prevê que a carga horária de até 30 horas semanais seja aplicada sem redução de remuneração.

Relator cita desgaste emocional da profissão

No parecer, Helder Salomão argumentou que a fixação de jornada reduzida para psicólogos tem respaldo constitucional. Segundo o relator, as atividades desempenhadas pela categoria envolvem elevado desgaste emocional e mental, o que justificaria tratamento semelhante ao concedido a outras profissões da área da saúde e social.

Salomão também citou entendimento do Supremo Tribunal Federal em relação à constitucionalidade da jornada de 30 horas semanais para assistentes sociais. Para o relator, esse precedente reforça a validade jurídica da proposta voltada aos psicólogos.

“A fixação legal de jornada reduzida para determinada categoria profissional é legítima e não ofende a autonomia sindical nem o regime constitucional das negociações coletivas”, afirmou o deputado em seu parecer.

O argumento central é que a lei pode estabelecer limites específicos de jornada para determinadas categorias, especialmente quando há justificativa relacionada à natureza da atividade profissional, à saúde do trabalhador e ao interesse público.

Texto altera lei que regulamenta a psicologia

O PL 1.214/2019 acrescenta dispositivo à Lei 4.119/1962 para estabelecer a duração do trabalho dos psicólogos em até 30 horas semanais. A legislação de 1962 trata dos cursos de formação em psicologia e regulamenta o exercício profissional da categoria.

A proposta abrange contratos de trabalho já em vigor e prevê adequação da jornada em estabelecimentos privados. Esse ponto é relevante porque a mudança não se limitaria a novas contratações.

A emenda aprovada na Comissão de Finanças e Tributação condicionou a aplicação da medida à existência de dotação orçamentária suficiente nos casos em que houver impacto sobre despesa de pessoal. O objetivo foi adequar a proposta às regras fiscais e à Lei de Responsabilidade Fiscal.

Essa condicionante busca evitar questionamentos sobre aumento de despesa pública sem previsão orçamentária. Na prática, órgãos públicos que empregam psicólogos precisarão observar disponibilidade de recursos para aplicar a redução de jornada.

Proposta já passou por outras comissões

Antes da aprovação na CCJ, o projeto passou por outras comissões da Câmara. Na antiga Comissão de Seguridade Social e Família, a proposta recebeu parecer favorável do então deputado Alexandre Padilha, hoje ministro da Saúde. O relatório destacou a relevância social do trabalho dos psicólogos, especialmente diante do aumento do sofrimento psíquico da população após a pandemia.

A antiga Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público também aprovou a matéria, sob relatoria do deputado Rogério Correia (PT-MG). Na ocasião, foi aprovada emenda para ajustar a redação da proposta, substituindo a expressão “contrato de trabalho” por “vínculo formal de trabalho”.

Na Comissão de Finanças e Tributação, o texto foi considerado compatível e adequado do ponto de vista financeiro e orçamentário, desde que incorporados ajustes para observar as regras fiscais. A análise foi necessária porque a redução da jornada pode gerar impacto em órgãos públicos que empregam profissionais da psicologia.

Com a aprovação na CCJ, a tramitação na Câmara chega à etapa final, caso não haja recurso para votação em Plenário.

Impacto alcança setor público e privado

A aprovação do projeto tem impacto potencial sobre psicólogos empregados em instituições públicas e privadas. A jornada de 30 horas semanais sem redução salarial pode alterar escalas de trabalho, contratos, custos de pessoal e organização de serviços.

No setor público, a aplicação dependerá de regras orçamentárias e de adequação das estruturas de atendimento. Em áreas como saúde, assistência social, educação, sistema prisional e políticas públicas, psicólogos exercem funções ligadas a atendimento direto, avaliação, acompanhamento e suporte técnico.

No setor privado, clínicas, hospitais, escolas, empresas e instituições que contratam psicólogos precisarão observar a nova carga horária caso o projeto seja aprovado também pelo Senado e sancionado.

Defensores da proposta argumentam que a redução da jornada pode melhorar as condições de trabalho, reduzir desgaste emocional e preservar a qualidade do atendimento. Críticos tendem a apontar possível aumento de custos para empregadores e necessidade de reorganização de equipes.

Senado terá palavra final antes da sanção

Como a proposta tramita em caráter conclusivo, o texto aprovado pela CCJ pode seguir diretamente para o Senado, a menos que deputados apresentem recurso para levar a matéria ao Plenário da Câmara. O regime conclusivo permite que determinadas propostas sejam aprovadas apenas pelas comissões, sem votação de todos os parlamentares em plenário, quando não há recurso regimental.

No Senado, o projeto ainda precisará passar por análise das comissões competentes e poderá sofrer alterações. Se os senadores modificarem o texto, a proposta retorna à Câmara. Se for aprovada sem mudanças, segue para sanção ou veto presidencial.

A mobilização de entidades da psicologia deve continuar durante a tramitação no Senado. O Conselho Federal de Psicologia vinha acompanhando o avanço do PL e defendendo a aprovação da jornada de até 30 horas semanais para a categoria.

Jornada menor ganha força em categorias de saúde

O avanço do projeto dos psicólogos ocorre em um contexto de discussão mais ampla sobre jornadas de trabalho em categorias de saúde, assistência social e cuidado. Profissões expostas a sofrimento psíquico, alta carga emocional e atendimento contínuo têm reivindicado limites específicos de carga horária.

A referência aos assistentes sociais no parecer da CCJ foi central para sustentar a constitucionalidade do texto. O entendimento citado pelo relator reforça que o Congresso pode estabelecer jornada diferenciada para categorias profissionais quando houver fundamento técnico e social.

Para os psicólogos, a aprovação na CCJ representa uma vitória relevante na Câmara, mas ainda não encerra a tramitação. O texto precisa passar pelo Senado e, depois, dependerá de sanção presidencial para virar lei.

Se aprovado definitivamente, o projeto poderá alterar a rotina de milhares de profissionais e instituições empregadoras, tornando a jornada de até 30 horas semanais um novo parâmetro legal para a psicologia no país.

Tags: 30 horas semanaisCâmara dos DeputadosCCJErika KokayHelder Salomãojornada de trabalhoNatália BonavidesPL 1214/2019psicólogosSenadotrabalho

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Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. 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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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