CDBs do Banco Master: André Esteves afirma que BTG não errou na distribuição e debate sobre regulação domina mercado financeiro
O presidente do conselho de administração e sócio sênior do BTG Pactual, André Esteves, afirmou nesta quarta‑feira, 11 de fevereiro, que a atuação do banco na distribuição dos CDBs do Banco Master não foi, em sua visão, uma conduta equivocada nem imprópria, mesmo diante das recentes controvérsias e investigações que mobilizam o mercado financeiro, plataformas de investimento e órgãos reguladores. A declaração foi dada durante evento corporativo que reuniu lideranças do setor financeiro e reforça o centro de um debate mais amplo sobre regulação, responsabilidade dos distribuidores e proteção dos investidores no Brasil.
A discussão acerca dos CDBs do Banco Master ganhou destaque após a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025 pelo Banco Central (BC), momento em que o caso passou a ser amplamente analisado por especialistas, plataformas de investimento e pela própria Justiça. A complexidade do episódio envolve avaliações sobre o papel das instituições financeiras, das corretoras e das regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Distribuição de CDBs e defesa do BTG
Esteves afirmou que o BTG agiu dentro dos limites esperados e que, ao perceber sinais de risco relacionados ao Banco Master, tomou medidas prudenciais de redução e posterior interrupção na distribuição dos CDBs do Banco Master. Ele ressaltou que a instituição também promoveu campanhas para alertar investidores sobre os limites de cobertura do FGC, incentivando a observância dos limites de garantia disponíveis.
“Quando começamos a achar que havia algo errado com essa instituição, fomos reduzindo a distribuição até pararmos e fizemos consecutivas campanhas para investidores estarem dentro da garantia”, declarou o executivo, defendendo que o banco cumpriu seu papel.
Este posicionamento acontece em meio a ação civil pública que envolve o BTG Pactual, XP e Nubank pela comercialização dos CDBs do Banco Master, com questionamentos sobre a suficiência de informações prestadas aos investidores antes da liquidação extrajudicial ocorrer.
Críticas e resposta do mercado financeiro
Enquanto Esteves defende a atuação do banco, outros atores do sistema financeiro manifestam visões distintas. Executivos de grandes instituições, como o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, deixaram claro que seu banco optou por não distribuir CDBs do Banco Master em função de critérios técnicos internos, citando que esse tipo de produto prometia retornos elevados acima da média de mercado, o que poderia elevar o risco ao investidor.
O caso dos CDBs do Banco Master mostra o quanto a estratégia de captação por meio desses títulos pode ser controversa. Ofertas com remuneração acima de 100% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) atraíram grande volume de investidores, especialmente em plataformas digitais, gerando discussões intensas sobre o equilíbrio entre retorno e risco.
Debates sobre o Fundo Garantidor de Créditos e regulação
A crise desencadeada pelos CDBs do Banco Master expôs fragilidades percebidas na regulação do mercado financeiro brasileiro, sobretudo no uso do FGC como principal instrumento de proteção e estímulo à captação de recursos via CDBs. Especialistas e executivos defendem que o caso não deve levar à demonização das plataformas de investimento, mas sim a uma revisão criteriosa das normas que regem a supervisão e a utilização desses mecanismos, sem reduzir o acesso dos pequenos investidores a produtos financeiros inovadores.
Segundo avaliação de lideranças do setor, a regulação atual do FGC não impede que bancos de menor porte captem recursos em níveis elevados com títulos de alto retorno. Por isso, o episódio provocou um chamado para reavaliação da maneira como esses instrumentos são utilizados e supervisionados, relativamente ao capital e à liquidez das instituições emissoras.
Impactos no mercado de investimentos
O debate sobre os CDBs do Banco Master estende‑se ao modelo de negócios das plataformas de investimentos. Corretoras e bancos digitais passaram a ser criticados ou questionados quanto às práticas de disponibilização dos produtos, com ações judiciais analisando se houve falhas na apresentação adequada dos riscos aos investidores.
O volume de CDBs do Banco Master distribuídos atingiu cifras relevantes em 2025, com grandes instituições liderando a oferta desses títulos, incluindo a XP com R$ 26 bilhões em vendas e o BTG Pactual com R$ 6,7 bilhões, respondendo por uma parcela significativa do total distribuído ao varejo.
Especialistas de mercado observam que, embora os CDBs sejam produtos tradicionais de renda fixa, a forma como foram ofertados no caso do Banco Master, especialmente por meio de plataformas digitais com amplo alcance, destaca a necessidade de clarificação das responsabilidades entre distribuidor e emissor, bem como o papel da regulação para proteger o investidor sem sufocar a inovação no setor financeiro.
Repercussão entre investidores e futuro da regulação
O episódio dos CDBs do Banco Master também desencadeou um amplo debate sobre a experiência dos investidores, muitos dos quais foram atraídos pelos altos rendimentos comparados ao mercado tradicional. A participação de corretoras e bancos de investimento na distribuição desses títulos ampliou consideravelmente a captação de recursos pelo Master antes da intervenção do Banco Central, o que agora coloca em foco a transparência das informações e a capacidade de avaliação de risco por parte dos investidores.
Para analistas, a experiência pode levar a uma transformação mais ampla no mercado de investimentos, incluindo ajustes regulatórios no FGC, critérios de distribuição de títulos de renda fixa e maior ênfase em educação financeira para investidores de varejo, de modo a equilibrar proteção e acesso a oportunidades de mercado.
O papel das plataformas de investimento no Brasil
A defesa de Esteves destaca ainda que as plataformas de investimento desempenham papel essencial ao democratizar o acesso a produtos financeiros antes limitados a investidores institucionais, permitindo que o varejo tenha acesso a CDBs e outras aplicações que, em condições normais, estariam restritas. Essa visão, defendida por líderes do BTG Pactual, sugere que o episódio não deve ser interpretado como falha do modelo, mas sim como um pontapé para aprimorar regras sem desestimular a competição e a inovação.
Ele reiterou que tais plataformas não são a raiz dos problemas observados, mas sim a estrutura de utilização do seguro do FGC como principal alavanca de captação sem contrapartida de gestão de risco adequada por parte das instituições emissores de títulos.






