terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Cortes da Selic: Galípolo sinaliza início do ciclo, mas BC mantém postura cautelosa

Presidente do BC compara autoridade monetária a um transatlântico e indica que redução da Selic dependerá de dados econômicos

por Álvaro Lima
11/02/2026 às 12h11
em Economia
Presidente Do Bc Compara Autoridade Monetária A Um Transatlântico E Indica Que Redução Da Selic Dependerá De Dados Econômicos - Gazeta Mercantil

Galípolo sinaliza início do ciclo de cortes da Selic, mas reforça cautela do BC

A cortes da Selic entrou oficialmente no radar do mercado financeiro após sinalização clara do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, durante participação no CEO Conference do BTG Pactual, em São Paulo. Embora tenha indicado que o início do ciclo pode ocorrer já em março, o dirigente fez questão de adotar um tom de prudência, evitando qualquer compromisso antecipado sobre o ritmo ou a intensidade da flexibilização monetária ao longo de 2026.

Ao comparar o BC a um transatlântico — e não a um jet ski —, Galípolo transmitiu a mensagem central da autoridade monetária: decisões graduais, baseadas em dados e imunes a pressões conjunturais. A sinalização de cortes da Selic, portanto, não representa mudança abrupta de rota, mas sim um movimento cuidadosamente calibrado dentro de uma estratégia maior de convergência da inflação à meta.

Leia também: Projeção de crescimento do crédito em 2024 aumenta para 9,3% apesar de cautela com taxa Selic.

Copom mantém Selic em 15%, mas prepara terreno para cortes da Selic

Na última reunião, realizada em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% ao ano. Apesar da manutenção, o comunicado trouxe indicação explícita de que o colegiado poderá iniciar a redução dos juros no encontro seguinte, previsto para março.

O mercado financeiro já precifica um corte inicial de 50 pontos-base, movimento que marcaria oficialmente o início do ciclo de cortes da Selic. Ainda assim, Galípolo ressaltou que a decisão de aguardar 45 dias teve como objetivo ampliar o grau de confiança na trajetória inflacionária antes de dar início ao processo.

Leia também: STF mantém prisão preventiva de Bolsonaro por unanimidade.

Segundo ele, a estratégia foi antecipada ainda em janeiro, condicionada à confirmação do cenário econômico projetado. A sinalização, contudo, não deve ser interpretada como compromisso rígido. A condução da política monetária seguirá dependente da evolução dos indicadores.

Política monetária guiada por dados, não por expectativas

Durante o evento, Galípolo enfatizou que o BC não pode reagir a ruídos de curto prazo. O foco, segundo ele, é separar movimentos conjunturais de tendências estruturais, garantindo que os cortes da Selic ocorram em ambiente de segurança macroeconômica.

Leia também: CRAs de MBRF (MBRF3), Minerva (BEEF3) e BRF sobem com piora no ciclo de proteínas.

A postura reforça a credibilidade institucional da autoridade monetária. Em vez de se comprometer com um cronograma fixo de reduções, o BC mantém flexibilidade para ajustar a trajetória dos juros conforme inflação, atividade econômica e expectativas evoluam.

Esse comportamento é interpretado pelo mercado como sinal de responsabilidade fiscal e técnica, especialmente em um contexto em que a estabilidade de preços ainda exige vigilância.

Meta de inflação no centro da estratégia

Ao abordar o debate sobre a meta de inflação, Galípolo afirmou que o regime brasileiro está alinhado com padrões internacionais. Ele também reforçou a defesa da atual estrutura, em sintonia com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

A dificuldade histórica de convergência da inflação para a meta é, segundo o presidente do BC, a principal razão para o patamar elevado dos juros no Brasil. Essa realidade explica por que o ciclo de cortes da Selic será conduzido com cautela.

O desafio não está apenas na redução da inflação corrente, mas na consolidação das expectativas futuras. A política monetária precisa assegurar que agentes econômicos confiem na trajetória de preços, evitando pressões adicionais sobre salários e serviços.

Mercado de trabalho e pressões estruturais

Outro ponto destacado por Galípolo foi o comportamento do mercado de trabalho. Desde a pandemia de Covid-19, economias ao redor do mundo enfrentam mudanças estruturais relevantes, incluindo reajustes salariais acima da inflação em determinados momentos.

No Brasil, esse fenômeno também foi observado, criando desafios adicionais para a política monetária. A dinâmica salarial influencia diretamente a inflação de serviços, segmento mais resistente e sensível às decisões do BC.

Nesse contexto, os cortes da Selic precisam considerar não apenas o índice cheio de inflação, mas também seus componentes estruturais. Movimentos precipitados poderiam comprometer a trajetória de convergência.

Juros altos e credibilidade institucional

A taxa de 15% ao ano coloca o Brasil entre os países com juros reais mais elevados do mundo. Para o BC, contudo, esse patamar decorre de fatores estruturais e históricos, incluindo volatilidade fiscal e dificuldade de ancoragem das expectativas.

A sinalização de cortes da Selic representa, portanto, um passo relevante, mas não elimina os desafios. A autoridade monetária busca equilibrar estímulo à atividade econômica com preservação da estabilidade de preços.

O compromisso reiterado por Galípolo é com decisões técnicas, desvinculadas de calendários eleitorais ou pressões políticas. Essa postura fortalece a previsibilidade do ambiente macroeconômico e reduz incertezas para investidores.

Impactos no mercado financeiro

A perspectiva de cortes da Selic já produz efeitos sobre ativos financeiros. Títulos prefixados e indexados à inflação tendem a reagir positivamente diante da expectativa de queda dos juros. No mercado acionário, setores sensíveis ao crédito, como varejo e construção civil, costumam se beneficiar.

No entanto, a magnitude dos movimentos dependerá da confirmação do ciclo e da sinalização futura do Copom. Caso a inflação surpreenda negativamente, o ritmo pode ser ajustado.

Investidores institucionais acompanham atentamente cada declaração da autoridade monetária. A comunicação clara e transparente tem sido instrumento fundamental para reduzir volatilidade.

Transição gradual e responsabilidade macroeconômica

A analogia do transatlântico reforça que o BC não opera sob impulsos momentâneos. O início dos cortes da Selic será gradual e condicionado à leitura consistente dos dados econômicos.

A estratégia busca evitar erros de política monetária que poderiam exigir reversões futuras mais dolorosas. Ao adotar postura conservadora, o BC preserva espaço para ajustes calibrados, reduzindo riscos sistêmicos.

A condução técnica da política monetária também dialoga com o cenário internacional. Em um ambiente global ainda marcado por incertezas, movimentos coordenados e prudentes fortalecem a posição do Brasil perante investidores estrangeiros.

Perspectivas para 2026

O ano de 2026 começa com expectativa de flexibilização monetária, mas também com desafios relevantes. A inflação precisa manter trajetória de convergência, o mercado de trabalho exige monitoramento constante e o cenário fiscal permanece sob escrutínio.

A confirmação dos cortes da Selic poderá sinalizar nova fase para a economia brasileira, estimulando crédito e consumo de forma controlada. Ainda assim, o ritmo dependerá exclusivamente da consistência dos indicadores.

Galípolo deixou claro que gostaria de antecipar os próximos passos, mas reforçou que a previsibilidade depende da evolução do cenário. A política monetária seguirá técnica, gradual e baseada em evidências.

BC reforça prudência enquanto mercado aguarda decisão de março

O encontro de março do Copom será decisivo para consolidar o início dos cortes da Selic. O mercado projeta redução inicial de 50 pontos-base, mas a confirmação dependerá da leitura atualizada de inflação, atividade e expectativas.

A postura do BC indica que, mesmo diante da sinalização positiva, não haverá precipitação. A autoridade monetária seguirá operando como transatlântico: rota traçada, radar atento e ajustes graduais.

Se confirmados, os cortes da Selic podem marcar nova etapa na economia brasileira, com impactos relevantes sobre crédito, investimentos e confiança empresarial. Até lá, a palavra de ordem permanece a mesma: serenidade.

LEIA MAIS

Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil
Economia

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda há R$ 5,79 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras

Leia MaisDetails
Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

No mês de setembro, a indústria brasileira de motocicletas cresceu 10,4% em relação ao ano anterior, com 186.758 unidades produzidas

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Economia

Governo anuncia Pix de até R$ 5 mil para MEIs e propõe perdão de dívidas

A menos de duas semanas para o segundo turno das eleições, o governo federal anunciou nesta terça-feira (13) o “Prospera MEI”, um pacote de medidas

Leia MaisDetails
Boletim Focus: Mercado Corta Projeção Da Inflação De 2026 Para 5,30% - Gazeta Mercantil
Economia

Boletim Focus: inflação de 2026 sobe para 5,22% e Selic projetada cai a 13,25%

Índice apresentou alta de 0,21 ponto percentual, indo par 5,22%; Selic e câmbio registraram queda nos resultados desta semana com estimativa de encerrar o ano em 13,25% e...

Leia MaisDetails
Plano Econômico De Flávio Bolsonaro Levanta Suspeitas De Estelionato Eleitoral - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Plano econômico de Flávio Bolsonaro levanta suspeitas de estelionato eleitoral

O programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL) para um eventual governo a partir de 2027 passou a ser questionado pela falta de detalhamento sobre como o candidato pretende...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

22:02:19
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP