Dólar hoje: Cotação Comercial: Ajuste de Posições e Fluxo Cambial Sustentam Recuo frente ao Real
O mercado de câmbio brasileiro encerrou a sessão desta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, exibindo uma resiliência notável diante da volatilidade externa. O dólar comercial registrou um recuo de 0,18%, estabelecendo o fechamento em R$ 5,187. O movimento intradia foi marcado por uma oscilação técnica significativa, com a moeda norte-americana transitando entre a mínima de R$ 5,169 e a máxima de R$ 5,204, refletindo o reposicionamento estratégico dos players financeiros após a divulgação de indicadores macroeconômicos cruciais nos Estados Unidos.
A dinâmica das negociações foi ditada por um cabo de guerra entre o vigor do mercado de trabalho norte-americano e o robusto fluxo de exportações brasileiras. Embora a abertura dos negócios tenha sugerido uma trajetória descendente para o dólar, a tendência foi desafiada pela robustez dos dados de emprego (payroll) no Hemisfério Norte, que injetaram doses de cautela sobre a política monetária global.
O Impacto do Payroll e a Reação do Federal Reserve
O principal catalisador de volatilidade no cenário externo foi a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll. Os números vieram substancialmente acima das projeções do mercado, evidenciando uma economia norte-americana que ainda opera sob pressão de aquecimento. Este cenário fortalece a divisa globalmente, uma vez que reduz o espaço para cortes agressivos nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Historicamente, um payroll forte atrai capital para os títulos do Tesouro dos EUA, elevando o valor do dólar perante moedas emergentes. Contudo, o mercado brasileiro conseguiu descolar-se parcialmente dessa pressão internacional. O ajuste de posições observado ao longo da tarde permitiu que o real recuperasse o terreno perdido logo após o anúncio dos dados, consolidando uma percepção de estabilidade relativa para os ativos domésticos no curto prazo.
Nota do Analista: A resiliência do Real em dias de payroll forte sugere uma ancoragem de expectativas baseada no diferencial de juros e na balança comercial positiva.
Fluxo Cambial e Exportações: O Lastro de Sustentação do Real
A valorização do real frente ao dólar nesta sessão foi impulsionada por fatores internos de ordem comercial e institucional. O fluxo cambial positivo, alimentado pelo superávit comercial, continua sendo o principal pilar de sustentação da moeda brasileira. O desempenho excepcional das exportações nacionais, com foco especial na demanda proveniente do mercado asiático por commodities agrícolas e minerais, garantiu uma oferta constante de divisas no mercado interno.
Este ingresso de capital é fundamental para mitigar a pressão inflacionária externa que o dólar elevado costuma exercer sobre a economia doméstica. Ao garantir o fechamento no campo negativo, o câmbio oferece um respiro para os custos de produção industrial e para o índice de preços ao consumidor, mantendo as expectativas de inflação dentro das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Perspectivas para a Política Monetária e o Papel do Banco Central
No cenário doméstico, as atenções dos investidores estão voltadas para as sinalizações do Banco Central (BC) a respeito das próximas reuniões de política monetária. O mercado projeta com cautela as decisões para o mês de março, e a autoridade monetária tem sido enfática na necessidade de manter a vigilância sobre os juros reais.
A sinalização de uma postura austera por parte do BC atua como um imã para o capital estrangeiro que busca arbitragem de juros (carry trade), o que contribui para a apreciação do real. Especialistas em macroeconomia apontam que, enquanto o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos permanecer atrativo, o dólar encontrará barreiras psicológicas importantes para romper níveis superiores de resistência técnica.
Análise Técnica: Suportes e Resistências no Curto Prazo
Do ponto de vista técnico, a manutenção do dólar abaixo do patamar de R$ 5,20 é vista como um sinal positivo para os gestores de risco. A volatilidade observada nesta quarta-feira reforça a importância das bandas de flutuação. A mínima de R$ 5,169 serve agora como um suporte imediato para as próximas sessões, enquanto a máxima de R$ 5,204 delimita o teto de resistência que o mercado testou e rejeitou.
O ajuste fino das posições cambiais reflete não apenas o cenário imediato, mas uma antecipação estratégica dos grandes fundos de investimento. A capacidade de o real absorver o choque de um payroll forte sem desvalorizações acentuadas é interpretada como uma maturidade do sistema financeiro nacional frente às incertezas geopolíticas e econômicas que permeiam o ano de 2026.
O Equilíbrio entre Inflação Externa e Demanda Asiática
Um dos pontos de destaque na análise editorial para este fechamento de mercado é a relação intrínseca entre o câmbio e a balança comercial. A demanda asiática, especialmente por produtos de baixo valor agregado mas de alto volume de exportação, tem sido o “porto seguro” para a estabilidade do dólar no Brasil. Ao contrário de outros mercados emergentes que sofrem com a fuga de capitais em momentos de fortalecimento da economia americana, o Brasil beneficia-se de uma matriz exportadora diversificada.
Esse fluxo comercial neutraliza, em parte, o risco de contágio inflacionário, permitindo que a taxa de câmbio atue como um estabilizador automático da economia, ajustando-se aos choques de oferta e demanda sem comprometer a solvência externa do país. A manutenção deste equilíbrio será determinante para a performance dos ativos brasileiros no encerramento do primeiro trimestre.
Dinâmica das Commodities e a Pressão sobre a Moeda Americana
Com o encerramento desta quarta-feira, o mercado de câmbio envia um sinal de cautela, porém com viés de estabilidade para o real. A expectativa agora recai sobre os novos dados de inflação que serão divulgados nos próximos dias, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O comportamento do dólar continuará atrelado à percepção de risco fiscal doméstico e à velocidade de ajuste da política monetária do Federal Reserve. Investidores devem permanecer atentos às falas de diretores do Banco Central e a possíveis novas rodadas de dados econômicos que possam alterar o humor do mercado global.






