CPMI do INSS adia depoimento de Daniel Vorcaro e amplia foco sobre consignados do Banco Master
A CPMI do INSS decidiu adiar para depois do Carnaval o depoimento de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ampliando o debate sobre a atuação da instituição financeira no mercado de crédito consignado. A oitiva, inicialmente prevista para esta semana, foi remarcada para o dia 19 de fevereiro, em meio a negociações envolvendo a defesa do banqueiro e o Supremo Tribunal Federal (STF).
O adiamento ocorre em um momento sensível para a CPMI do INSS, que investiga irregularidades em contratos de empréstimos consignados firmados com aposentados e pensionistas, segmento que concentra milhões de beneficiários do sistema previdenciário brasileiro e movimenta bilhões de reais anualmente.
Pedido da defesa motivou adiamento da oitiva
Segundo o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a decisão de postergar o depoimento de Daniel Vorcaro foi tomada após solicitação formal da defesa. O argumento apresentado foi a existência de um problema de saúde que impediria o comparecimento do empresário na data inicialmente marcada.
Em contrapartida, os advogados do banqueiro se comprometeram a não ingressar com pedido de habeas corpus no STF para garantir o direito de não comparecimento ou de permanecer em silêncio durante a oitiva. O acordo foi considerado relevante pela presidência da comissão, que busca assegurar a presença de Vorcaro para esclarecimentos considerados centrais na investigação.
Gilberto Waller Júnior será ouvido no lugar de Vorcaro
Com o adiamento do depoimento do controlador do Banco Master, a CPMI do INSS decidiu ouvir, na mesma sessão, o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Gilberto Waller Júnior. O objetivo é compreender em detalhes como o órgão vem atuando na fiscalização e no controle dos contratos de crédito consignado.
A comissão pretende questionar o dirigente sobre os mecanismos de validação de consentimento dos beneficiários, os sistemas de auditoria interna e as providências adotadas após a identificação de possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master.
Diálogo com o STF reforça avanço da investigação
Na véspera do anúncio do adiamento, o senador Carlos Viana se reuniu com o ministro do STF Dias Toffoli, relator do inquérito que apura a atuação do Banco Master. De acordo com o presidente da CPMI do INSS, o ministro manifestou concordância com a liberação de Daniel Vorcaro para prestar depoimento à comissão.
Além disso, houve sinalização de que parte do material reunido no inquérito judicial poderá ser compartilhada com a CPMI, fortalecendo o escopo investigativo do colegiado e ampliando o acesso a documentos e informações estratégicas sobre as operações do banco.
Escopo da CPMI é restrito aos consignados
Apesar da repercussão do caso e do volume financeiro envolvido, o presidente da CPMI do INSS reiterou que o foco da investigação não é o conjunto das operações do Banco Master, mas especificamente os contratos de empréstimos consignados vinculados a benefícios previdenciários.
Segundo o senador, o objetivo é compreender como cerca de 250 mil contratos puderam ser firmados sem a devida comprovação documental exigida pelo INSS, levantando dúvidas sobre a regularidade dos descontos efetuados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Suspensão de 250 mil contratos acende alerta
Um dos pontos centrais da apuração conduzida pela CPMI do INSS é a suspensão de aproximadamente 250 mil contratos de crédito consignado do Banco Master pelo próprio INSS. A medida foi adotada após a identificação de falhas na comprovação da documentação e do consentimento dos beneficiários.
Esses contratos representam um volume expressivo dentro do sistema previdenciário e levantam questionamentos sobre os controles internos da instituição financeira e sobre a fiscalização exercida pelo órgão regulador.
Questionamentos sobre autorização dos descontos
Durante o depoimento marcado para fevereiro, a CPMI do INSS pretende questionar Daniel Vorcaro sobre como o Banco Master adquiriu esses contratos e de que forma os descontos passaram a ser realizados em benefícios de pessoas que, segundo a investigação, não apresentavam comprovação formal de autorização.
A comissão também quer esclarecimentos sobre eventuais intermediários envolvidos nas operações e sobre os processos de validação utilizados para confirmar a identidade e a anuência dos beneficiários.
Devolução de valores aos clientes prejudicados
Outro ponto sensível da investigação diz respeito às medidas adotadas pelo Banco Master para ressarcir clientes eventualmente prejudicados. A CPMI do INSS quer saber se houve devolução espontânea de valores, criação de canais de atendimento específicos ou acordos administrativos para reparação dos danos causados.
Esse aspecto é considerado crucial, especialmente diante do impacto financeiro direto sobre aposentados e pensionistas, público mais vulnerável a práticas abusivas no mercado de crédito.
Reclamações contra o Banco Master ganham destaque
Dados encaminhados à CPMI do INSS pela Secretaria Nacional do Consumidor revelam crescimento expressivo no número de reclamações contra o Banco Master relacionadas a crédito consignado. Entre 2019 e 2025, foram registradas 5.665 queixas contra a instituição.
O histórico mostra evolução acelerada das reclamações: inexistentes em 2019, passaram para 11 em 2020, 76 em 2021 e ultrapassaram mil registros em 2023. Em 2024, o número chegou a 2.472, colocando o banco entre os líderes em contestações no segmento.
Banco Master supera grandes instituições em queixas
O volume de reclamações fez com que o Banco Master figurasse à frente de instituições tradicionais do sistema financeiro nacional, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BRB, no ranking de queixas relacionadas ao crédito consignado.
Esse dado reforça a relevância da investigação conduzida pela CPMI do INSS e amplia a pressão política e institucional sobre a atuação do banco no segmento previdenciário.
INSS cobra documentos e bloqueia repasses bilionários
Paralelamente à atuação da comissão parlamentar, o INSS informou que solicitou por três vezes ao Banco Master a apresentação de documentos que comprovem a existência jurídica e a validade do consentimento dos aposentados e pensionistas envolvidos nos contratos.
Diante da ausência de resposta satisfatória, o instituto decidiu bloquear cerca de R$ 2 bilhões em repasses ao banco em novembro de 2025. A medida permanecerá em vigor até a conclusão da investigação administrativa interna.
Defesa sustenta regularidade das operações
Em nota encaminhada à imprensa, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master sempre atuou em conformidade com as normas e procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado.
Segundo o comunicado, a instituição teria cumprido todos os requisitos de formalização, identificação dos contratantes e comprovação de consentimento, argumento que deverá ser detalhado durante o depoimento à CPMI do INSS.
Depoimento de Vorcaro deve marcar nova fase da CPMI
Com a oitiva de Daniel Vorcaro prevista para fevereiro, a expectativa no Congresso é de que a CPMI do INSS avance para uma fase mais incisiva da investigação, confrontando dados administrativos, reclamações de consumidores e documentos obtidos junto ao STF.






