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Desemprego no Brasil cai para 5,8% e atinge menor nível da história, diz IBGE

por Gabriel Monteiro
31/07/2025 às 17h07
em Trabalho
Desemprego No Brasil Cai Para 5,8% E Atinge Menor Nível Da História, Diz Ibge Gazeta Mercantil - Trabalho

Desemprego no Brasil atinge menor nível histórico: mercado de trabalho ganha novo fôlego

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,8% no trimestre encerrado em junho de 2025, marcando o menor índice da série histórica iniciada em 2012, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A redução no índice de desocupação reflete avanços significativos na geração de empregos formais, aumento da renda média e uma desaceleração consistente na informalidade. Com 6,3 milhões de pessoas desocupadas, o país alcança um patamar que representa um importante marco para a economia brasileira.

Aqui, você confere uma análise sobre os números da ocupação, os setores que mais geraram postos de trabalho, o perfil dos trabalhadores e os efeitos dessas mudanças no cotidiano da população.

Leia também: USP reúne em boletins pesquisas e iniciativas sobre saúde do solo no Brasil.


Avanço histórico: desemprego no Brasil recua para 5,8%

O recuo para 5,8% na taxa de desemprego no Brasil representa uma queda de 1,2 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em março e de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024. Essa é a menor taxa registrada desde o início da série histórica em 2012, sinalizando um momento de recuperação mais sólida do mercado de trabalho.

Esse número se traduz em 1,3 milhão de brasileiros a menos na fila do desemprego em relação ao início do ano. Comparado ao mesmo trimestre do ano passado, 1,1 milhão de pessoas saíram da condição de desocupadas.


População ocupada ultrapassa 102 milhões

Um dos destaques positivos foi o avanço expressivo na população ocupada, que chegou a 102,3 milhões de pessoas em junho, o maior número já registrado na série do IBGE. Em apenas três meses, 1,8 milhão de brasileiros passaram a exercer alguma atividade remunerada. Em relação a junho de 2024, o crescimento foi ainda maior: 2,4 milhões de novos ocupados.

Essa elevação da ocupação é um dos fatores determinantes para a redução da taxa de desemprego no Brasil e indica a expansão de oportunidades em diferentes setores da economia, especialmente no setor privado com carteira assinada.


Carteira assinada bate novo recorde

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado alcançou 39 milhões em junho, o maior valor desde o início da série histórica em 2012. Esse resultado representa um crescimento de 0,9% em relação a março de 2025 e 3,7% em comparação com junho de 2024.

A formalização dos postos de trabalho contribui não apenas para a segurança do trabalhador, mas também para o aumento da arrecadação previdenciária e a estabilidade econômica de longo prazo. O setor privado como um todo empregou 52,6 milhões de pessoas — 51,4% da população ocupada no Brasil.


Rendimento médio volta a crescer

Outro indicador relevante é o rendimento médio mensal da população ocupada, que atingiu R$ 3.477 em junho. O valor representa uma alta de 1,1% em relação ao trimestre anterior e de 3,3% em relação a junho de 2024.

O aumento da renda média reflete maior valorização dos postos de trabalho formais e contribui diretamente para o poder de compra da população, estimulando o consumo e fortalecendo o crescimento econômico.


Desalento em queda: mais brasileiros voltam a procurar emprego

A população desalentada, formada por pessoas que gostariam de trabalhar mas desistiram de procurar emprego, caiu para 2,8 milhões em junho. Isso representa uma redução de 13,7% em relação a março e de 14% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Essa retração no desalento mostra que mais brasileiros voltaram a acreditar na possibilidade de conseguir uma vaga, reforçando a percepção de melhora no mercado de trabalho.


Subutilização recua e indica aproveitamento mais efetivo da força de trabalho

A taxa de subutilização da força de trabalho — que considera pessoas que trabalham menos do que gostariam ou estão disponíveis para trabalhar, mas não conseguem ocupação — caiu para 14,4% em junho. O número é inferior aos 15,9% registrados em março e aos 16,4% de junho de 2024.

A queda dessa taxa é um indicativo de que não apenas há mais gente empregada, como também o tempo de trabalho e a carga horária se tornaram mais condizentes com as expectativas dos trabalhadores.


Informalidade segue alta, mas em ligeira queda

Apesar dos avanços na geração de empregos formais, a taxa de informalidade ainda é alta, atingindo 37,8% da população ocupada em junho. No entanto, o dado representa uma leve redução em relação aos 38% de março e uma queda mais significativa de 0,9 ponto percentual em comparação com junho de 2024.

A informalidade continua sendo um desafio estrutural no país, especialmente em regiões com menor oferta de empregos formais. Mesmo assim, os sinais de retração são positivos.


Setores que mais impulsionaram a ocupação

Os principais responsáveis pela expansão do emprego foram os setores:

  • Serviços, com destaque para saúde, educação e transporte.

  • Comércio, beneficiado pela melhora do consumo interno.

  • Indústria, especialmente no ramo de transformação e construção civil.

  • Agropecuária, com desempenho favorável em exportações e colheitas.

Esses setores puxaram a elevação do número de vagas com carteira assinada e o aumento da renda, mostrando que a retomada do crescimento está se consolidando de maneira abrangente.


Contexto econômico e influência da política fiscal

A recuperação do mercado de trabalho também está vinculada ao ambiente macroeconômico, que vem sendo favorecido por:

  • Redução gradual da taxa básica de juros (Selic), incentivando investimentos.

  • Estímulos ao consumo interno e programas sociais.

  • Crescimento moderado, mas consistente, do PIB.

  • Retomada de obras públicas e programas de infraestrutura.

Além disso, o governo federal tem promovido ações para incentivar a formalização do trabalho, como o programa de microcrédito para pequenos empreendedores e medidas de simplificação tributária para empresas de pequeno porte.


Expectativas para o segundo semestre de 2025

A tendência é de manutenção do cenário positivo para o mercado de trabalho brasileiro no segundo semestre. especialistas apontam que, com a estabilidade dos indicadores econômicos e a aproximação das festas de fim de ano — que tradicionalmente geram aumento da demanda por mão de obra temporária —, a taxa de desemprego no Brasil pode permanecer em níveis baixos ou até apresentar novas quedas.


Cenário otimista, mas com desafios

A queda histórica na taxa de desemprego no Brasil representa uma vitória importante na luta contra o desemprego estrutural que por anos assolou o país. O crescimento da formalização, o aumento da renda média e a redução da subutilização da força de trabalho são sinais claros de que a economia está conseguindo absorver mais pessoas com qualidade.

No entanto, a elevada taxa de informalidade ainda impõe desafios à sustentabilidade dessa recuperação. O combate à informalidade e à precarização do trabalho deve continuar sendo prioridade para manter o ritmo de crescimento e inclusão no mercado de trabalho.

Leia também

  • Taxa de Desocupação Cai a 5,1% e Atinge Menor Nível Histórico, Diz IBGE
  • Vagas de Emprego no Assaí Atacadista: Oportunidades em Diversas Regiões do Brasil

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