Dinheiro esquecido: quase 50 milhões de brasileiros ainda têm valores parados nos bancos
O volume de dinheiro esquecido em instituições financeiras brasileiras continua elevado e revela um retrato pouco conhecido do sistema bancário nacional. Dados mais recentes divulgados pelo Banco Central indicam que 49,6 milhões de pessoas físicas e jurídicas ainda possuem recursos não resgatados, totalizando R$ 10,27 bilhões que permanecem parados em bancos, consórcios e outras instituições financeiras.
O número impressiona não apenas pelo montante envolvido, mas também pelo alcance social do problema. Em um cenário de crédito restrito, juros altos e pressão sobre o orçamento das famílias, o resgate do dinheiro esquecido pode representar um reforço relevante de renda para milhões de brasileiros, além de aliviar o caixa de empresas de diferentes portes.
Dinheiro esquecido ultrapassa R$ 10 bilhões no sistema financeiro
De acordo com o balanço consolidado pelo Banco Central, atualizado até dezembro do ano passado, do total de dinheiro esquecido ainda disponível para saque, R$ 7,97 bilhões pertencem a 49,59 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 2,29 bilhões correspondem a valores de 5,02 milhões de empresas, incluindo microempreendedores individuais, pequenas empresas e companhias de médio porte.
Desde a criação do sistema de devolução, a autoridade monetária informou que já foram restituídos R$ 13,35 bilhões aos titulares. Apesar disso, o estoque de dinheiro esquecido segue elevado, evidenciando que uma parcela significativa da população ainda não realizou a consulta ou não concluiu o processo de resgate.
Especialistas em educação financeira avaliam que a falta de informação clara, aliada ao medo de golpes, ainda impede muitos cidadãos de acessar valores que lhes pertencem.
Sistema identifica dinheiro esquecido de pessoas físicas, empresas e falecidos
O sistema criado pelo Banco Central permite verificar a existência de dinheiro esquecido tanto em nome de pessoas físicas quanto de empresas. Também é possível consultar valores vinculados a pessoas falecidas, desde que o solicitante comprove vínculo legal, como herdeiro, inventariante, testamentário ou representante autorizado.
No caso de titulares falecidos, o resgate exige o preenchimento de um termo de responsabilidade, reforçando os critérios de segurança e governança do processo. Essa exigência busca coibir fraudes e garantir que o dinheiro esquecido seja devolvido apenas a quem possui direito legal sobre os recursos.
Os valores identificados no sistema podem ter origem em contas encerradas com saldo residual, tarifas cobradas indevidamente, consórcios não resgatados, entre outras situações comuns no relacionamento bancário ao longo dos anos.
Não existe prazo final para resgatar o dinheiro esquecido
Inicialmente, havia a previsão de encerramento do prazo para solicitar o dinheiro esquecido em outubro de 2024. No entanto, o Ministério da Fazenda esclareceu que não há limite de tempo para o resgate. Isso significa que os titulares podem consultar o sistema e solicitar a devolução a qualquer momento, sem risco de perda dos valores.
A decisão foi interpretada como uma medida de proteção patrimonial do cidadão e reforça o caráter permanente do sistema. Com isso, o dinheiro esquecido continua disponível até que o titular ou representante legal faça a solicitação.
A ausência de prazo também contribui para aumentar a confiança no programa e estimula a adesão gradual de quem ainda não realizou a consulta.
PIX se consolida como principal meio de devolução do dinheiro esquecido
Para agilizar o processo, o Banco Central definiu que a devolução do dinheiro esquecido ocorre preferencialmente por meio do PIX. O sistema exige que o titular informe uma chave PIX válida para que o valor seja creditado diretamente na conta indicada.
Caso o cidadão não possua chave PIX cadastrada, é necessário entrar em contato com a instituição financeira responsável pelos valores para definir a forma de recebimento. Outra alternativa é criar uma chave PIX e retornar ao sistema para concluir a solicitação do dinheiro esquecido.
No caso das empresas, o procedimento segue regras semelhantes, respeitando as exigências de representação legal e conformidade cadastral.
Pedido automático amplia acesso ao dinheiro esquecido
Desde maio do ano passado, o Banco Central passou a oferecer a possibilidade de solicitação automática do dinheiro esquecido. A funcionalidade é opcional, mas representa um avanço importante na simplificação do processo.
Ao aderir ao pedido automático, o cidadão não precisa acessar o sistema periodicamente nem registrar manualmente cada solicitação. Sempre que houver dinheiro esquecido em seu nome, a devolução será feita automaticamente pela instituição financeira.
Esse recurso está disponível exclusivamente para pessoas físicas que possuam chave PIX do tipo CPF. Quem ainda não atende a esse critério precisa realizar o cadastro junto à sua instituição bancária.
Regras de acesso reforçam a segurança do sistema
Para habilitar a solicitação automática do dinheiro esquecido, é obrigatório possuir uma conta gov.br de nível prata ou ouro, além de manter a verificação em duas etapas ativada. As exigências fazem parte da política de segurança digital do governo federal.
O Banco Central também esclarece que o cidadão não recebe aviso prévio quando algum valor é devolvido. O crédito ocorre diretamente na conta indicada, o que reduz riscos de fraude e tentativas de intermediação indevida.
Instituições financeiras que não aderiram à devolução via PIX continuam exigindo solicitação manual, assim como ocorre em casos de contas conjuntas com dinheiro esquecido.
Novas barreiras contra golpes envolvendo dinheiro esquecido
Com o aumento de tentativas de fraude, o Banco Central reforçou, em fevereiro, os mecanismos de segurança do sistema de dinheiro esquecido. O acesso continua sendo feito com CPF e senha da conta gov.br, mas passou a exigir autenticação obrigatória em duas etapas.
Usuários que ainda não possuem o aplicativo gov.br no celular precisam realizar o download, preencher os dados solicitados e passar por validação facial. Após essa etapa, o sistema gera um código temporário, necessário para concluir a consulta.
A autoridade monetária reforça que o governo não entra em contato solicitando dados pessoais, senhas ou informações bancárias para liberação do dinheiro esquecido. Qualquer abordagem fora do ambiente oficial deve ser tratada como tentativa de golpe.
Impacto econômico do dinheiro esquecido no consumo e no caixa das empresas
Economistas avaliam que a liberação do dinheiro esquecido tem efeito relevante, ainda que pulverizado, sobre a economia. Para famílias, o resgate pode auxiliar no pagamento de contas, quitação de dívidas ou reforço da poupança.
Para empresas, especialmente micro e pequenas, o acesso a valores esquecidos pode contribuir para o capital de giro, ajudando a enfrentar um ambiente de crédito mais caro e seletivo.
Embora não represente uma política fiscal direta, a devolução do dinheiro esquecido injeta liquidez na economia de forma descentralizada, beneficiando milhões de agentes econômicos.
Sistema de dinheiro esquecido entra em fase de consolidação
Após ajustes operacionais, ampliação da automação e reforço da segurança, o sistema de dinheiro esquecido entra em uma fase de consolidação institucional. O desafio agora é reduzir o volume de recursos parados e ampliar o alcance da informação.
Com mais de R$ 10 bilhões ainda disponíveis, a tendência é que o tema siga ganhando espaço na agenda econômica e no interesse da população, especialmente em um cenário de maior conscientização financeira e digitalização dos serviços bancários.






