Dólar Hoje inicia quinta-feira volátil com investidores monitorando dados de emprego nos EUA e balanços de bancos brasileiros
O mercado financeiro opera em clima de cautela nesta quinta-feira (5), com as atenções divididas entre indicadores macroeconômicos represados nos Estados Unidos e a repercussão dos resultados trimestrais do setor bancário nacional.
A sessão desta quinta-feira (5) começa com o Dólar Hoje exibindo sinais de instabilidade, refletindo a postura defensiva dos investidores globais diante de uma agenda econômica carregada e de um cenário corporativo misto. A moeda norte-americana, que atua como o principal termômetro da aversão ao risco nos mercados emergentes, opera sob forte expectativa quanto à divulgação do relatório Jolts (Job Openings and Labor Turnover Survey) nos Estados Unidos, um dado fundamental para calibrar as apostas sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed). No Brasil, a liquidez e o humor dos negócios são ditados pela temporada de balanços, com o mercado digerindo os números robustos do Itaú Unibanco e aguardando, para após o fechamento, os resultados do Bradesco.
O cenário internacional impõe uma camada extra de complexidade às negociações que definem o valor do Dólar Hoje. O adiamento da divulgação de dados oficiais nos EUA, decorrente da paralisação parcial do governo norte-americano (shutdown) encerrada na última terça-feira, represou informações vitais, criando um vácuo estatístico que agora começa a ser preenchido. Essa incerteza momentânea tende a aumentar a procura por ativos de proteção, sustentando a cotação da moeda estrangeira frente ao Real.
A influência do mercado de trabalho americano no Dólar Hoje
A trajetória do Dólar Hoje no curto prazo está intrinsecamente ligada à saúde do mercado de trabalho na maior economia do mundo. O relatório Jolts, que mensura o número de vagas de emprego em aberto, ganha relevância amplificada nesta semana atípica. Inicialmente previsto para ser divulgado na terça-feira, o indicador foi postergado, aumentando a ansiedade das mesas de operações de câmbio.
Para quem acompanha a cotação do Dólar Hoje, a lógica é direta: um número de vagas acima do esperado poderia sinalizar um mercado de trabalho ainda superaquecido, pressionando o Fed a manter as taxas de juros em patamares elevados por mais tempo. Juros altos nos Estados Unidos, historicamente, drenam a liquidez de mercados emergentes como o Brasil, fortalecendo a moeda americana. Por outro lado, dados antecedentes já divulgados, como o relatório da ADP, sugerem um arrefecimento que poderia aliviar a pressão sobre o câmbio.
A criação de vagas no setor privado norte-americano cresceu menos do que as projeções em janeiro. Segundo o levantamento da ADP, realizado em parceria com o Stanford Digital Economy Lab, foram abertas apenas 22 mil vagas, frustrando a expectativa de mercado que girava em torno de 48 mil postos. Esse cenário de “baixa contratação e baixa demissão” aponta para uma acomodação econômica. Se essa tendência for confirmada pelos dados oficiais, o Dólar Hoje poderá perder força globalmente, caso o mercado interprete os números como um sinal verde para futuros cortes de juros nos EUA.
Temporada de balanços: Bancos e o fluxo cambial
Enquanto o cenário externo dita o ritmo macroeconômico, o ambiente interno é dominado pela temporada de balanços do quarto trimestre de 2025, fator crucial para a formação de preço do Dólar Hoje via fluxo de capital estrangeiro. O setor bancário, que possui peso relevante na composição do Ibovespa, vive momentos distintos entre seus principais players, influenciando diretamente a atratividade da bolsa brasileira.
O Itaú Unibanco reportou um lucro líquido gerencial de R$ 12,32 bilhões no quarto trimestre, superando as estimativas dos analistas. O crescimento de 3,7% na comparação trimestral e de expressivos 13,2% na base anual reforça a percepção de solidez da instituição. O desempenho do maior banco privado do país atua como um contrapeso positivo, atraindo investidores internacionais e potencialmente ajudando a conter uma escalada mais agressiva do Dólar Hoje ao incentivar a entrada de divisas pelo canal financeiro.
Em contrapartida, o mercado ainda repercute os números do Santander, divulgados anteriormente. Embora o lucro líquido de R$ 4,1 bilhões tenha vindo em linha com o consenso, o resultado antes dos impostos e a qualidade de certas linhas do balanço desagradaram os investidores. A queda superior a 2% nas ações do banco espanhol contaminou o setor na sessão anterior, evidenciando que o investidor está seletivo. Essa volatilidade no mercado de ações costuma transbordar para o mercado de câmbio, gerando oscilações no Dólar Hoje.
O foco agora se volta para o Bradesco, que divulgará seus números após o encerramento do pregão desta quinta-feira. O mercado aguarda para ver se a instituição seguirá a trilha de recuperação e robustez do Itaú ou se apresentará desafios operacionais. O resultado do Bradesco tem potencial para ditar o humor do Ibovespa na sexta-feira e influenciar indiretamente a cotação do Dólar Hoje, dado o volume financeiro que o papel movimenta diariamente.
Aversão ao risco global e Big Techs
Outro vetor de pressão sobre o Dólar Hoje e os mercados de risco provém de Wall Street. A temporada de balanços das gigantes de tecnologia (Big Techs) trouxe à tona preocupações sobre a rentabilidade dos investimentos massivos em Inteligência Artificial (IA). A Alphabet, controladora do Google, frustrou investidores ao prever gastos com infraestrutura de IA muito acima do esperado, sem uma contrapartida clara de receita imediata.
Essa sinalização negativa provocou uma reprecificação nas ações de tecnologia, com o Nasdaq sofrendo quedas expressivas. Quando o setor de tecnologia americano recua, a aversão ao risco global aumenta. Esse sentimento de cautela leva investidores a buscarem segurança nos títulos do Tesouro americano (Treasuries), movimento que fortalece o dólar globalmente e impacta a cotação do Dólar Hoje no Brasil.
A atenção agora se volta para a Amazon, que também divulgará seus resultados. Caso a gigante do comércio eletrônico reforce a narrativa de aumento de custos, a tendência de aversão ao risco pode se aprofundar, mantendo o Dólar Hoje pressionado para cima frente ao Real.
Indicadores domésticos: Balança Comercial e impacto no câmbio
No front doméstico, a agenda econômica destaca a divulgação da balança comercial de janeiro, um dado essencial para quem projeta o valor do Dólar Hoje. A expectativa de mercado aponta para um superávit de US$ 3,8 bilhões. A balança comercial é um componente fundamental na formação da taxa de câmbio no Brasil. Um superávit robusto indica entrada líquida de dólares no país via exportações, o que aumenta a oferta da moeda e tende, teoricamente, a pressionar a cotação para baixo.
No entanto, o fluxo comercial disputa força com o fluxo financeiro. Mesmo com exportações fortes, se houver saída de capitais pela conta financeira — motivada por aversão ao risco ou busca por juros mais altos no exterior —, o impacto positivo do superávit comercial na cotação do Dólar Hoje pode ser neutralizado. O início de ano costuma ser sazonalmente mais fraco para as exportações de commodities agrícolas, mas a diversificação da pauta exportadora brasileira é um fator monitorado de perto pelos analistas de câmbio.
Desaceleração no setor de serviços e a economia real
Um dado preocupante divulgado nesta semana, que adiciona ruído à análise do Dólar Hoje, foi o Índice de Gerentes de Compras (PMI) de serviços do Brasil. O indicador recuou de 53,7 pontos em dezembro para 51,3 pontos em janeiro. Embora ainda permaneça acima da marca de 50 pontos — linha divisória entre expansão e retração —, a queda sinaliza uma perda de fôlego significativa na atividade econômica nacional.
O setor de serviços é o maior empregador e o principal motor do PIB brasileiro. A desaceleração na entrada de novos negócios e a interrupção das contratações, com o primeiro corte de vagas em cinco meses, sugerem que a economia real está sentindo o peso das condições monetárias restritivas. A diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima, alertou que a eliminação de vagas reduz a renda disponível das famílias.
Para o mercado de câmbio e a formação do preço do Dólar Hoje, esse dado possui leitura ambígua. Por um lado, uma economia mais fraca pode afastar investimentos produtivos diretos (IED), enfraquecendo o Real. Por outro, a desaceleração da atividade ajuda a conter a inflação de serviços, um dos principais focos de preocupação do Banco Central. Se a inflação ceder mais rápido devido ao desaquecimento, o ciclo de juros futuros pode ser ajustado, alterando a atratividade das operações de carry trade que trazem dólares para o país.
O segmento de “Finanças e Seguros” ainda lidera o crescimento, mas áreas sensíveis como “Imóveis e serviços empresariais” já registram retração. A confiança do empresariado também atingiu o menor nível em seis meses, citando incertezas com políticas públicas e o calendário eleitoral de 2026 como fatores de risco que podem manter o Dólar Hoje volátil.
Panorama das Bolsas Globais
O comportamento das bolsas ao redor do mundo nesta quinta-feira reflete a falta de uma direção única, típica de momentos de transição de expectativas, o que contribui para a oscilação do Dólar Hoje. Na Ásia, houve um fechamento majoritariamente positivo, impulsionado por medidas de estímulo na China que beneficiaram setores de consumo e energia. O índice Nikkei, do Japão, e o Kospi, da Coreia do Sul, registraram ganhos, sugerindo que, ao menos no oriente, o apetite por risco se manteve.
Na Europa, os índices operam sem direção definida. O índice pan-europeu STOXX 600 renovou recordes, mas com ganhos marginais, enquanto praças importantes como Frankfurt (DAX) operam no vermelho. Esse comportamento errático na Europa contribui para a volatilidade do índice DXY (Dólar Index), uma vez que o Euro compõe a maior parte da cesta de moedas contra a qual a moeda americana é medida globalmente, influenciando por tabela o Dólar Hoje no Brasil.
Análise: Perspectivas para a volatilidade cambial e política monetária
O comportamento do Dólar Hoje neste início de fevereiro de 2026 reflete um mercado em compasso de espera. A combinação de dados de emprego desencontrados nos Estados Unidos, devido ao shutdown, com sinais de desaceleração na economia brasileira cria um cenário de visibilidade reduzida para os gestores de recursos. O mercado financeiro detesta incerteza, e a resposta padrão nessas situações é a busca por liquidez e segurança na moeda forte, mantendo o câmbio pressionado.
A divulgação dos dados do Jolts poderá ser o fiel da balança para o encerramento da semana. Se os dados confirmarem a tendência de desaquecimento vista no relatório ADP, o Dólar Hoje pode perder força, aliviando a pressão sobre o Real e permitindo uma correção técnica. Contudo, se as vagas em aberto surpreenderem positivamente, a tese de “juros altos por mais tempo” nos EUA ganhará força, podendo levar a moeda americana a testar novas resistências de preço.
Internamente, a qualidade dos balanços bancários serve como um colchão de amortecimento para o Dólar Hoje. A solidez demonstrada pelo Itaú prova que, apesar dos desafios macroeconômicos, o sistema financeiro brasileiro mantém sua resiliência e capacidade de geração de caixa. Resta saber se o setor real da economia, representado pelo PMI de serviços em queda, conseguirá navegar a turbulência sem comprometer os fundamentos fiscais do país. O equilíbrio delicado entre esses fatores determinará a taxa de câmbio nas próximas sessões.






