Dólar Hoje Sobe 1,07% e Rompe R$ 5,25 com Indicação de Trump para o Fed e Desemprego Recorde no Brasil
O mercado financeiro encerra a semana sob forte volatilidade e reajuste de posições globais. O Dólar hoje, sexta-feira (30), opera em trajetória de alta expressiva, reagindo a um duplo comando de pressões: a definição do cenário monetário nos Estados Unidos e a divulgação de dados robustos sobre o mercado de trabalho brasileiro. Por volta das 13h55, a moeda norte-americana registrava avanço de 1,07%, cotada a R$ 5,2498, revertendo o movimento de queda observado na véspera. Simultaneamente, o Ibovespa recua 0,27%, aos 182.636 pontos, refletindo a cautela dos investidores.
A dinâmica do Dólar hoje é impulsionada principalmente pela aversão ao risco no exterior, após o presidente Donald Trump confirmar a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), e pelos dados da PNAD Contínua do IBGE, que mostraram a taxa de desemprego em 5,6% em 2025, a menor da série histórica. Esse cenário complexo exige uma análise detalhada sobre como fatores externos e internos estão precificando a taxa de câmbio neste final de janeiro.
Neste dossiê econômico, dissecamos os motivos que fazem o Dólar hoje disparar, o perfil do novo comandante do Banco Central americano, os impactos do pleno emprego na inflação brasileira e o comportamento das commodities e bolsas globais.
O Comportamento do Câmbio: Aversão ao Risco e Fluxo
A valorização do Dólar hoje frente ao Real não é um evento isolado, mas parte de um fortalecimento global da moeda americana (DXY) contra divisas emergentes. A cotação superando a barreira técnica dos R$ 5,24 sinaliza que o mercado está exigindo um prêmio de risco maior para manter posições em ativos brasileiros.
Apesar da alta intradiária significativa, é importante contextualizar que o acumulado da semana para o câmbio ainda é negativo em 1,75%, e no mês a queda é de 5,37%. No entanto, o movimento do Dólar hoje interrompe essa tendência de alívio, sugerindo que a incerteza política nos EUA e o temor de juros mais altos por lá voltaram a ditar o ritmo das mesas de operação.
Investidores estrangeiros buscam proteção (hedge) em meio à troca de comando no Fed, o que drena liquidez dos mercados periféricos. Quando o Dólar hoje sobe mais de 1% em uma única sessão, isso geralmente indica uma saída de capital especulativo ou uma demanda forte de tesourarias de bancos e empresas multinacionais que precisam travar seus passivos em moeda forte diante de um cenário de incerteza para fevereiro.
O Fator Trump: Kevin Warsh e o Futuro do Fed
O principal catalisador para a alta do Dólar hoje vem de Washington. O presidente Donald Trump anunciou oficialmente a indicação do economista Kevin Warsh para substituir Jerome Powell na presidência do Federal Reserve a partir de maio. A notícia sacudiu os mercados, pois Warsh é visto como um nome que pode alterar a condução da política monetária global.
Warsh, que já foi diretor do Fed entre 2006 e 2011 (o mais jovem da história, aos 35 anos), possui um perfil que agrada a ala republicana, mas gera dúvidas sobre a futura independência da autoridade monetária. Pesquisador do Instituto Hoover e professor de Stanford, ele é considerado um crítico da expansão excessiva do balanço do Fed.
A indicação pressiona o Dólar hoje porque Warsh é percebido como alguém que, embora defenda juros menores para estimular a economia (alinhado a Trump), também defende uma menor intervenção do BC nos mercados. Isso cria um paradoxo: se o Fed cortar juros agressivamente por pressão política, a inflação pode voltar, o que exigiria juros futuros mais altos (empinando a curva de yield dos Treasuries). Juros futuros mais altos nos EUA atraem capital de volta para o Tesouro americano, fortalecendo o dólar globalmente e depreciando o Real.
Além disso, o contexto da indicação é belicoso. A relação entre Trump e o atual presidente, Jerome Powell, deteriorou-se completamente, com o Departamento de Justiça abrindo investigações contra Powell e Trump chamando os juros atuais de “altos demais”. Essa instabilidade institucional nos EUA aumenta a percepção de risco, o que invariavelmente impulsiona o Dólar hoje como ativo de refúgio.
PNAD Contínua: O Dilema do Pleno Emprego no Brasil
Enquanto o cenário externo pressiona o câmbio, os dados domésticos divulgados pelo IBGE adicionam uma camada de complexidade à precificação do Dólar hoje. A taxa média de desemprego no Brasil caiu para 5,6% em 2025, o menor nível desde o início da série histórica em 2012.
À primeira vista, uma economia com desemprego baixo e massa salarial recorde (R$ 361,7 bilhões) deveria atrair investimentos e valorizar a moeda local. No entanto, a reação do mercado cambial foi inversa. Por quê? A resposta reside na inflação de serviços.
Com o mercado de trabalho aquecido e a renda média subindo 5,7% (para R$ 3.560), o consumo das famílias aumenta. Isso pressiona os preços, especialmente no setor de serviços, que é intensivo em mão de obra. Para combater essa inflação de demanda, o Banco Central do Brasil pode ser forçado a manter a taxa Selic elevada (atualmente em 15%) por mais tempo ou até elevá-la, o que trava o crescimento econômico.
O investidor que opera o Dólar hoje avalia que um mercado de trabalho tão apertado dificulta a convergência da inflação para a meta. A perspectiva de inflação persistente corrói o valor da moeda nacional no longo prazo. Portanto, os dados positivos da PNAD, paradoxalmente, serviram como argumento para a compra de dólares nesta sexta-feira, sob a ótica de proteção contra pressões inflacionárias futuras.
Mercados Globais e Commodities em Queda
A correlação do Dólar hoje com o cenário internacional é direta. As bolsas globais operam majoritariamente em queda, refletindo a cautela com a nova direção do Fed. Na Ásia, o índice Hang Seng (Hong Kong) caiu mais de 2%, e o CSI300 (China) recuou cerca de 1%. Na Europa e em Wall Street, os índices futuros também apontam para uma abertura negativa (Dow Jones -0,57%, Nasdaq -0,74%).
Quando as bolsas globais caem, há uma fuga para a qualidade (flight to quality), onde investidores vendem ativos de risco (como ações brasileiras e reais) e compram títulos do Tesouro dos EUA e dólares. Isso explica por que o Ibovespa cai 0,27% enquanto o Dólar hoje sobe.
Outro fator crucial é o desempenho das commodities. O Brasil é um grande exportador de matérias-primas, e seus preços influenciam a entrada de dólares no país. Nesta sexta, o petróleo Brent recua 1,4%, o ouro cai 3,7% e a prata despenca 6%. Com as commodities valendo menos, a perspectiva de fluxo comercial cambial diminui, o que reduz a oferta de moeda americana no país e pressiona a cotação do Dólar hoje para cima.
A Taxa de Juros dos Treasuries e o Câmbio
Um indicador técnico que não pode ser ignorado na análise do Dólar hoje é o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). Os yields estão subindo nesta sexta-feira, reagindo à possibilidade de uma política monetária menos ortodoxa sob Kevin Warsh e à resiliência da economia americana.
Quando os juros pagos pelos títulos mais seguros do mundo (os dos EUA) sobem, eles drenam capital de todo o planeta. Para um gestor de fundo global, faz menos sentido correr risco no Brasil se ele pode obter um retorno maior e garantido em dólar. Esse diferencial de juros (carry trade) é o motor que move o fluxo cambial. A alta dos Treasuries hoje atua como um ímã, puxando o Dólar hoje para cima em relação ao Real.
Perspectivas para a Economia Brasileira em 2026
O movimento do Dólar hoje e os dados da PNAD lançam luz sobre o cenário econômico de 2026. A queda da informalidade para 38,1% e o recorde de 38,9 milhões de empregados com carteira assinada mostram um mercado de trabalho formal robusto.
Economistas avaliam que esse dinamismo ajudará a sustentar o PIB, mesmo com a Selic em 15%. Setores menos dependentes de crédito, como serviços e tecnologia, estão liderando as contratações. No entanto, o risco fiscal e inflacionário permanece. Se o governo não conseguir ancorar as expectativas fiscais, a inflação de serviços pode obrigar o BC a um novo ciclo de aperto monetário.
Para o câmbio, a volatilidade deve permanecer alta. A definição da política econômica de Trump e a resposta do Banco Central do Brasil à inflação doméstica serão os fiéis da balança. O patamar de R$ 5,25 alcançado pelo Dólar hoje pode ser um novo piso técnico se a aversão ao risco global persistir nas próximas semanas.
Cautela e Proteção Dominam o Pregão
O encerramento da semana no mercado financeiro deixa uma mensagem clara de cautela. A disparada de 1,07% no Dólar hoje reflete o temor de que a transição no Fed seja turbulenta e de que a economia brasileira, embora gerando empregos, esteja pressionada pela inflação.
Para o investidor e para o setor produtivo, o momento exige atenção. A volatilidade cambial encarece insumos importados e pressiona custos industriais. Enquanto Brasília e Washington não definem os rumos de suas políticas fiscais e monetárias, o dólar continuará sendo o termômetro do medo e da incerteza. Acompanhar a cotação do Dólar hoje tornou-se, mais uma vez, a tarefa prioritária para quem precisa proteger seu patrimônio em 2026.






