Etanol perde da gasolina em todo o Brasil e apresenta alta generalizada em 12 Estados e no DF
O etanol continua atrás da gasolina em competitividade em todas as regiões do Brasil, conforme levantamento recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O estudo, referente à semana encerrada em 14 de fevereiro de 2026, evidencia que a paridade média nacional do biocombustível está em 73,81%, valor considerado desfavorável para o consumidor.
Embora especialistas do setor ressaltem que o etanol pode ainda ser vantajoso em determinados veículos — especialmente em motores flex que apresentam maior eficiência com o biocombustível —, os números apontam para uma tendência clara de desvantagem em relação à gasolina, que mantém preços mais competitivos em praticamente todas as unidades da federação.
Panorama nacional do etanol: preço médio e variação estadual
Na média nacional, o preço do etanol avançou de R$ 4,64 para R$ 4,65 por litro, representando alta de 0,22% em relação à semana anterior. Apesar de um aumento modesto, a tendência é de valorização em grande parte do território brasileiro.
Entre os Estados, o aumento foi generalizado em 12 unidades e no Distrito Federal, enquanto em nove Estados houve redução nos preços e em quatro a cotação se manteve estável. No Amapá, não houve registro de medição no período analisado pela ANP.
No estado de São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o litro recuou levemente 0,22%, passando de R$ 4,47 para R$ 4,46. Já no Distrito Federal, o avanço foi expressivo, atingindo 10,15%, com o litro passando de R$ 4,63 para R$ 5,10. Em contrapartida, a maior redução ocorreu em Alagoas, onde o preço médio caiu 1,65%, de R$ 4,86 para R$ 4,78 por litro.
Essas variações refletem não apenas a dinâmica da oferta e demanda, mas também fatores regionais, como logística de distribuição, custos de produção e políticas estaduais de incentivos ao setor sucroenergético.
Diferenças regionais: onde o etanol está mais caro e mais barato
O levantamento da ANP evidencia disparidades significativas no preço do etanol pelo país. O litro mais barato foi encontrado em São Paulo, com valor de R$ 3,86, enquanto o mais caro chegou a R$ 6,83 no Rio Grande do Sul, quase o dobro do preço paulista.
Ao analisar as médias estaduais, o menor preço foi registrado em Mato Grosso do Sul, com R$ 4,25 por litro, enquanto o maior custo médio apareceu em Rondônia, a R$ 5,50. Essa variação regional reforça a importância do planejamento logístico e do impacto de fatores locais na formação dos preços do biocombustível.
O preço do etanol é influenciado não apenas pela safra de cana-de-açúcar, mas também pelos estoques de gasolina e etanol, política de preços de combustíveis da Petrobras e flutuações cambiais, que afetam o custo de importação de insumos e transporte.
Etanol versus gasolina: competitividade e paridade
Apesar da predominância da gasolina como combustível mais competitivo, o etanol ainda possui atratividade em algumas situações. Especialistas indicam que, mesmo com paridade acima de 70%, o biocombustível pode ser vantajoso em veículos com maior eficiência energética para etanol, motores otimizados ou uso urbano intenso, onde a queima de etanol resulta em menor custo por quilômetro rodado.
No entanto, a média nacional de 73,81% de paridade evidencia que a gasolina mantém vantagem, especialmente em percursos longos ou veículos com motor mais antigo, menos eficiente no uso do etanol. Essa realidade reforça a percepção de que o biocombustível enfrenta desafios estruturais para se tornar mais competitivo em escala nacional.
Fatores que influenciam os preços do etanol
O mercado de etanol é altamente sensível a uma série de fatores econômicos e setoriais. Entre os principais determinantes de preços estão:
-
Safra de cana-de-açúcar: um ano de menor produção impacta diretamente o volume de etanol disponível, elevando os preços;
-
Custos de produção: incluindo energia, insumos e mão de obra, que variam regionalmente;
-
Política de preços da gasolina: como combustível concorrente, a gasolina estabelece um teto de competitividade para o etanol;
-
Câmbio: o valor do dólar influencia custos de logística e insumos importados;
-
Políticas de incentivo: alguns estados oferecem reduções fiscais ou subsídios que afetam diretamente a formação de preço final nos postos.
Esses fatores combinados explicam as diferenças significativas entre regiões e ajudam a entender por que o etanol permanece atrás da gasolina na maior parte do país.
Impacto para o consumidor e planejamento de abastecimento
Para o consumidor final, a competitividade do etanol versus gasolina influencia decisões de abastecimento, especialmente em veículos flex. Motoristas de carros otimizados para o uso de etanol podem encontrar vantagem mesmo quando a paridade ultrapassa 70%, mas a regra geral indica que a gasolina continua sendo a opção mais econômica para trajetos longos ou veículos menos eficientes.
Especialistas aconselham que o planejamento do abastecimento deve considerar não apenas o preço do litro, mas também o consumo médio do veículo e a quilometragem prevista. Com a disparidade regional, consumidores podem, inclusive, optar por abastecer em estados vizinhos quando houver diferença significativa de preço, especialmente em áreas de fronteira.
Cenário futuro e expectativa de preços
O mercado de etanol deve continuar a registrar variações semanais, influenciado pelo ciclo da cana-de-açúcar e pela competitividade da gasolina. Analistas projetam que a alta nos preços pode se intensificar em regiões produtoras de etanol devido à redução de estoques ou flutuações climáticas que impactem a produção.
Por outro lado, investimentos em tecnologia agrícola, expansão da produção de etanol de segunda geração e políticas de incentivo podem tornar o biocombustível mais competitivo ao longo do tempo, reduzindo a paridade desfavorável frente à gasolina.
O cenário sugere, portanto, que enquanto o etanol mantém competitividade limitada em nível nacional, oportunidades regionais podem surgir para motoristas com veículos mais eficientes e trajetos urbanos curtos, mantendo o biocombustível como alternativa sustentável e economicamente viável em contextos específicos.
Sobre o mercado de etanol
O levantamento da ANP evidencia um mercado de etanol fragmentado, com fortes diferenças regionais e desafios estruturais para se tornar competitivo em todo o Brasil. A média nacional de paridade desfavorável destaca a necessidade de políticas de incentivo, gestão eficiente da cadeia de produção e logística aprimorada para reduzir custos e tornar o biocombustível mais atrativo.
Enquanto isso, os consumidores e investidores do setor devem acompanhar semanalmente os preços, a variação regional e o desempenho do etanol em relação à gasolina, considerando fatores como eficiência do veículo, tipo de trajeto e sazonalidade de produção.
O etanol, apesar de perder da gasolina em praticamente todos os Estados, mantém relevância econômica e ambiental, sendo parte estratégica da matriz energética brasileira e um importante componente da política de sustentabilidade do setor de transporte.






