Exoneração do marido de Carla Zambelli reforça desmobilização bolsonarista e agita cenário político
A exoneração do marido de Carla Zambelli, o coronel da reserva da Polícia Militar Antonio Aginaldo de Oliveira, de seu cargo como secretário de Segurança Pública de Caucaia (CE), é mais um capítulo no processo de enfraquecimento político do entorno bolsonarista. A saída, oficializada no Diário Oficial do município, ocorre em meio à crise enfrentada pela deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), atualmente foragida da Justiça brasileira e condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Neste artigo, entenda os detalhes da exoneração, os antecedentes do coronel Oliveira, sua ligação com o governo Bolsonaro, e o contexto político que envolve a família Zambelli neste momento crítico.
Exoneração do marido de Carla Zambelli: o que se sabe
Na última segunda-feira (30), a Prefeitura de Caucaia, município no interior do Ceará, oficializou a exoneração do coronel Antonio Aginaldo de Oliveira do cargo de secretário municipal de Segurança Pública. A decisão foi assinada pelo prefeito Naumi Amorim (PSD) e publicada no Diário Oficial. Segundo consta, o próprio coronel solicitou a exoneração, reforçando que se afastava do cargo por motivos pessoais.
Embora o argumento oficial seja “doença de um parente”, o pedido de afastamento já havia sido feito anteriormente, em 21 de maio — cerca de duas semanas antes de Carla Zambelli sair do Brasil alegando “tratamento médico”. A conexão temporal entre os dois eventos levanta questionamentos sobre uma possível articulação prévia de saída conjunta do cenário público por parte do casal.
Histórico de Aginaldo de Oliveira no governo Bolsonaro
Antonio Aginaldo de Oliveira não é um nome desconhecido no campo da segurança pública. Ele ganhou notoriedade ao comandar a Força Nacional de Segurança Pública entre 2019 e 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Seu perfil foi alçado a um patamar de confiança no núcleo duro da segurança nacional, sendo apontado como braço operacional de ações consideradas estratégicas para o governo anterior.
Após deixar o comando da Força Nacional, Oliveira disputou, sem sucesso, a Prefeitura de Caucaia nas eleições de 2024. Embora derrotado, manteve influência local e, posteriormente, foi nomeado secretário de Segurança Pública do município. Com a exoneração do marido de Carla Zambelli, essa trajetória sofre uma interrupção simbólica no momento em que sua esposa enfrenta um processo de cassação na Câmara e está foragida no exterior.
O processo de Carla Zambelli e seu impacto político
O enfraquecimento do círculo de Carla Zambelli não se restringe ao plano pessoal. Politicamente, a parlamentar enfrenta uma tempestade jurídica sem precedentes. Condenada a 10 anos de prisão pelo STF, a deputada responde por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ao lado do hacker Walter Delgatti, inserindo informações falsas e prejudicando a integridade de dados públicos.
Além da pena de prisão, Zambelli foi condenada à perda definitiva do mandato parlamentar e ao pagamento de uma multa milionária. Ela recorreu da decisão, mas teve o pedido negado. Atualmente, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados analisa seu processo de cassação, que será votado em plenário após o recesso parlamentar.
Linha do tempo da crise Zambelli-Oliveira
| Data | Evento |
|---|---|
| Maio de 2025 | Oliveira solicita afastamento do cargo em Caucaia |
| Junho/2025 | Zambelli sai do país alegando motivos de saúde |
| 30 de julho | Exoneração de Oliveira é oficializada no Diário Oficial do município |
| Julho de 2025 | STF mantém condenação de Zambelli por fraudes digitais |
| Agosto/2025* | Votação prevista na Câmara sobre cassação do mandato de Zambelli |
(*data estimada após o recesso parlamentar)
Conexões entre exoneração, condenação e declínio político
A exoneração do marido de Carla Zambelli simboliza mais do que uma simples mudança de gestão administrativa. Ela reflete uma desmobilização progressiva da estrutura de apoio bolsonarista, principalmente em cargos estratégicos da segurança pública municipal e federal.
Além disso, a ligação direta entre Oliveira e o governo Bolsonaro — e sua condição de cônjuge de uma parlamentar foragida — amplia o desgaste político de figuras que já enfrentam crises judiciais e rejeição crescente da opinião pública.
Estratégia política ou pressão institucional?
A saída de Oliveira do cargo pode ser vista por analistas como uma estratégia para evitar contaminação política da gestão municipal de Caucaia, que poderia ser questionada por manter em posição de comando alguém com ligação direta a uma figura política envolvida em ações criminosas contra instituições da Justiça.
Outro fator relevante é que, ao se afastar do cargo por “pedido pessoal”, o coronel evita demissão formal e preserva a possibilidade de articulações futuras, ainda que em ambiente desfavorável.
Derrota nas urnas e recuo estratégico
A derrota de Oliveira nas eleições municipais de 2024 revelou uma queda de popularidade. A tentativa de conquistar o executivo local não obteve êxito mesmo com o apoio do bolsonarismo. Isso indica que a capitalização política em torno do nome Zambelli também perdeu fôlego, mesmo em regiões com histórico conservador como o interior do Ceará.
Recuo institucional e fim de ciclo
O afastamento de Aginaldo de Oliveira do cargo em Caucaia marca, simbolicamente, o fim de um ciclo institucional. O núcleo bolsonarista que ocupava espaços estratégicos em esferas de segurança e poder local começa a se desarticular, seja por condenações judiciais, seja pela perda de força eleitoral.
Carla Zambelli, cuja imagem já foi de destaque na oposição ferrenha ao STF, agora se vê isolada política e juridicamente. A exoneração de seu marido apenas reforça o processo de desidratação do capital político que ambos acumulavam durante a ascensão do bolsonarismo.
A exoneração do marido de Carla Zambelli da Secretaria de Segurança de Caucaia reflete o momento crítico de esvaziamento político que atinge os principais nomes do bolsonarismo. Em meio à condenação e ao processo de cassação de Zambelli, a saída de Oliveira simboliza não apenas o fim de uma carreira política ascendente, mas também o recuo estratégico de agentes ligados a um projeto de poder que atualmente enfrenta duras sanções legais.
O cenário é de incerteza para o casal e seus aliados, e os próximos passos — como o desfecho do processo de cassação — devem selar o destino político de uma das figuras mais controversas do último ciclo legislativo.






