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Exportação de soja do Brasil desacelera no início de fevereiro, aponta Secex

por Antônio Lima
10/02/2026 às 08h33
em Agronegócio
Soja - Gazeta Mercantil

Exportação de soja do Brasil desacelera no início de fevereiro apesar de safra recorde

A exportação de soja do Brasil iniciou o mês de fevereiro em ritmo mais lento do que o esperado, contrariando projeções do mercado que indicavam forte aceleração dos embarques diante do avanço da colheita e da perspectiva de uma safra recorde. Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, na primeira semana de fevereiro, os embarques atingiram média diária de 236,7 mil toneladas, volume significativamente inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

A desaceleração ocorre em um momento considerado estratégico para o comércio exterior brasileiro, uma vez que fevereiro tradicionalmente marca o início do pico de exportações da oleaginosa. O desempenho observado até agora levanta questionamentos sobre gargalos logísticos, condições climáticas e o ritmo de comercialização por parte dos produtores, fatores que ajudam a explicar o comportamento da exportação de soja do Brasil neste início de mês.

Leia também: Tecnologia 6G: Brasil se prepara para liderar desenvolvimento com foco em inclusão digital.


Números da Secex indicam queda relevante no comparativo anual

Segundo os dados oficiais da Secex, a média diária de exportação na primeira semana de fevereiro ficou 26,4% abaixo da média registrada em fevereiro do ano passado. Em 2025, a média diária ao longo de todo o mês foi de 321,4 mil toneladas, patamar que, até o momento, não vem sendo replicado em 2026.

Considerando cinco dias úteis, o volume total embarcado até agora soma aproximadamente 1,18 milhão de toneladas. No ano anterior, o Brasil exportou cerca de 6,4 milhões de toneladas ao longo de todo o mês de fevereiro, o que reforça a percepção de que a exportação de soja do Brasil ainda precisa acelerar significativamente para alcançar as projeções traçadas para este ano.


Safra recorde não se traduz, por ora, em maior fluxo nos portos

O dado surpreende porque o mercado trabalha com a expectativa de uma safra recorde de soja no Brasil. A colheita está mais adiantada em relação ao mesmo período do ano passado, o que, em tese, deveria facilitar o escoamento e impulsionar os embarques logo nas primeiras semanas de fevereiro.

Analistas do setor apontam que, apesar da comercialização mais lenta por parte dos produtores, o volume total disponível deve permitir uma recuperação do ritmo ao longo do mês. Ainda assim, o desempenho inicial da exportação de soja do Brasil evidencia que fatores além da oferta estão influenciando o fluxo de embarques.


Chuvas afetam logística e interrompem operações portuárias

Um dos principais entraves apontados para a desaceleração das exportações é o clima. As chuvas intensas registradas desde janeiro têm provocado interrupções frequentes nas operações dos principais portos do país, especialmente Santos e Paranaguá, responsáveis por parcela expressiva da exportação de soja do Brasil.

De acordo com dados da agência marítima Cargonave, esses dois portos concentram as maiores paralisações causadas pelas condições climáticas adversas. Em fevereiro, o cenário permaneceu semelhante ao observado no mês anterior, dificultando o carregamento de navios e atrasando embarques programados.

A logística portuária é particularmente sensível à chuva, uma vez que o carregamento de grãos exige condições adequadas para evitar perdas e garantir a qualidade do produto exportado. Assim, mesmo com oferta abundante, o ritmo da exportação de soja do Brasil fica comprometido quando o clima não colabora.


Expectativa de recuperação ao longo de fevereiro

Apesar do início mais fraco, entidades do setor mantêm projeções otimistas para o fechamento do mês. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estima que a exportação de soja do Brasil alcance 11,42 milhões de toneladas em fevereiro, volume 1,7 milhão de toneladas superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

Essa estimativa parte do pressuposto de que haverá melhora nas condições climáticas e maior fluidez nas operações logísticas ao longo das próximas semanas. A Anec deve atualizar suas projeções, o que pode trazer ajustes importantes às expectativas do mercado.


Comercialização lenta dos produtores influencia ritmo dos embarques

Outro fator relevante é o comportamento dos produtores rurais. Em um cenário de preços pressionados e volatilidade nos mercados internacionais, muitos agricultores optam por segurar parte da produção, aguardando melhores oportunidades de venda.

Essa estratégia impacta diretamente a exportação de soja do Brasil, pois reduz a disponibilidade imediata do grão para embarque, mesmo em um contexto de safra volumosa. A combinação entre cautela na comercialização e dificuldades logísticas cria um ambiente de transição, no qual o potencial de exportação ainda não se reflete plenamente nos números oficiais.


Mercado internacional e demanda seguem favoráveis

No plano externo, a demanda pela soja brasileira permanece sólida, especialmente por parte da China, principal destino do grão nacional. A competitividade do produto brasileiro no mercado internacional segue elevada, impulsionada por volumes robustos e por uma taxa de câmbio que favorece as exportações.

Esse cenário reforça a expectativa de que a exportação de soja do Brasil deve ganhar tração assim que os gargalos logísticos forem parcialmente resolvidos. Analistas avaliam que o atraso observado no início de fevereiro pode resultar em uma concentração maior de embarques nas semanas seguintes.


Comparação com anos anteriores reforça caráter pontual da desaceleração

Historicamente, fevereiro marca o início de uma curva ascendente nas exportações de soja, com aceleração progressiva ao longo do mês. O desempenho mais fraco na primeira semana, embora relevante, ainda não é suficiente para caracterizar uma mudança estrutural no padrão da exportação de soja do Brasil.

Especialistas destacam que episódios de desaceleração pontual já ocorreram em anos anteriores, geralmente associados a fatores climáticos ou logísticos. Na maioria dos casos, o ritmo foi retomado rapidamente, permitindo que o país atingisse volumes expressivos ao final do período.


Impactos econômicos e atenção do mercado financeiro

A exportação de soja do Brasil tem peso significativo na balança comercial e influencia diretamente o desempenho do setor externo, o câmbio e a arrecadação. Qualquer variação relevante no ritmo de embarques é acompanhada de perto pelo mercado financeiro, especialmente em um contexto de forte dependência das commodities agrícolas.

Uma eventual frustração nas exportações poderia afetar projeções de superávit comercial, enquanto uma recuperação rápida tende a reforçar o fluxo de dólares e sustentar indicadores macroeconômicos positivos.


Monitoramento constante e próximos passos

Com base nos dados disponíveis, o mercado segue monitorando de perto a evolução dos embarques ao longo de fevereiro. A expectativa predominante é de que a exportação de soja do Brasil acelere nas próximas semanas, acompanhando o avanço da colheita e a normalização gradual das operações portuárias.

A atualização das estimativas por entidades do setor e a divulgação de novos dados da Secex serão determinantes para confirmar se a desaceleração observada no início do mês foi apenas um efeito pontual ou se indicará desafios mais persistentes para o escoamento da safra recorde brasileira.


O que os primeiros números de fevereiro indicam para o agronegócio brasileiro

Os dados iniciais revelam um contraste entre oferta abundante e dificuldades operacionais, reforçando a complexidade do sistema logístico brasileiro. A leitura desse cenário é fundamental para entender não apenas o desempenho da exportação de soja do Brasil, mas também os desafios estruturais que seguem influenciando o agronegócio nacional em períodos de pico de safra.

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