PF investiga Fictor por suspeita de crime financeiro ligado à Complice Zero
A Fictor está sob investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de fraudes financeiras e possível envolvimento na Operação Complice Zero, que apura a emissão de títulos de crédito falsos. A companhia enfrenta atualmente dívidas superiores a R$ 4 bilhões, solicitou recuperação judicial e chegou a apresentar proposta para adquirir o Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central logo após o anúncio da negociação.
O inquérito foi instaurado na Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros de São Paulo (Delecor/SP) e busca apurar se a empresa e seus administradores atuaram em práticas ilícitas que possam configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Histórico de dívidas e tentativa de aquisição do Banco Master
A Fictor acumula mais de R$ 4 bilhões em dívidas, situação que motivou o pedido de recuperação judicial registrado em 1° de fevereiro de 2026. Além das dificuldades financeiras, a empresa tentou adquirir o Banco Master, mas a instituição foi liquidada pelo Banco Central um dia após o anúncio da operação, impedindo a finalização da negociação.
A tentativa de compra, segundo especialistas em mercado financeiro, mostra o interesse da Fictor em expandir operações bancárias, mesmo diante de pendências financeiras relevantes. No entanto, a liquidação do Master e o acompanhamento da PF tornam qualquer operação futura sujeita a restrições regulatórias rigorosas.
O que é a Operação Complice Zero
A Operação Complice Zero é um inquérito da PF que investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN), incluindo o Banco Master. Entre os crimes apurados estão:
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Emissão de títulos de crédito fraudulentos;
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Gestão temerária de instituições financeiras;
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Organização criminosa voltada para a fraude no mercado financeiro;
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Ocultação de dívidas e recursos de origem ilícita.
O escopo da operação evidencia que a PF está concentrando esforços em desvendar práticas que possam comprometer a integridade do mercado financeiro brasileiro e proteger investidores, clientes e o sistema bancário como um todo.
Investigação em andamento e posição da Polícia Federal
A Polícia Federal confirmou a instauração do inquérito, mas não divulga detalhes específicos sobre investigações em andamento, como praxe em casos de alta sensibilidade financeira e estratégica. Questionada, a PF não confirmou se os administradores da Fictor já estão sendo formalmente investigados individualmente.
Procurada, a Fictor não se manifestou oficialmente sobre as investigações, mantendo silêncio sobre o possível envolvimento da companhia com irregularidades ligadas à Complice Zero.
Implicações legais e financeiras para a Fictor
Caso a investigação confirme práticas fraudulentas, a Fictor e seus administradores poderão responder judicialmente pelos crimes investigados. Entre as possíveis consequências estão:
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Processos criminais por gestão fraudulenta e temerária;
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Responsabilidade civil e reparação de prejuízos a investidores e credores;
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Restrição de operações financeiras e proibição de atuar em instituições reguladas;
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Impacto na recuperação judicial e renegociação de dívidas, tornando o processo mais complexo.
Analistas jurídicos alertam que a combinação de dívidas bilionárias, tentativa de aquisição de banco liquidado e investigação da PF cria um cenário de alta complexidade para a empresa, exigindo estratégia legal e financeira robusta.
O papel do Sistema Financeiro Nacional
O Sistema Financeiro Nacional (SFN) desempenha papel crucial na estabilidade econômica do país, regulando instituições financeiras e garantindo o cumprimento de normas de conduta. Investigações como a da Complice Zero buscam assegurar que práticas ilegais não comprometam a confiança dos investidores e clientes no setor bancário.
A atuação da PF, aliada à fiscalização do Banco Central, reforça a importância de mecanismos de controle e auditoria em operações de grande porte, especialmente quando envolvem bancos liquidados ou carteiras de crédito transferidas.
Riscos para o mercado e investidores
O envolvimento da Fictor em escândalos como a Complice Zero representa riscos diretos e indiretos para o mercado financeiro brasileiro:
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Risco de crédito elevado: investidores podem perder confiança em operações com a Fictor e instituições associadas.
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Prejuízos a clientes: operações de crédito e investimentos podem ser impactados por registros incorretos ou inadimplência simulada.
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Incerteza regulatória: futuras operações de aquisição ou expansão da Fictor estarão sob intensa fiscalização.
Especialistas destacam que a identificação de práticas irregulares e a responsabilização de envolvidos são fundamentais para manter a integridade e transparência do mercado financeiro.
Recuperação judicial e estratégias da Fictor
Apesar do cenário adverso, a Fictor recorreu à recuperação judicial para reorganizar suas finanças e tentar honrar compromissos com credores. A recuperação judicial permite suspender ações de cobrança e negociar condições de pagamento, oferecendo um fôlego temporário para empresas em dificuldades.
No entanto, a investigação da PF acrescenta um elemento de risco adicional. Qualquer decisão estratégica da Fictor, incluindo tentativas futuras de aquisição de instituições financeiras ou emissão de novos títulos de crédito, precisará ser cuidadosamente avaliada para evitar penalidades legais e maiores restrições.
Lições para o mercado financeiro
O caso da Fictor evidencia a necessidade de práticas de governança robustas e compliance rigoroso em empresas que atuam no mercado financeiro. Auditorias independentes, registros claros de operações e transparência junto a clientes e órgãos reguladores são fundamentais para minimizar riscos legais e proteger a reputação corporativa.
Além disso, investidores devem monitorar regularmente as operações de crédito e títulos de instituições financeiras com histórico de problemas ou envolvimento em inquéritos criminais. A análise de risco e due diligence torna-se essencial para evitar exposição a perdas significativas.
Monitoramento das operações e próximos passos
Com a investigação em andamento, a PF continuará analisando documentos, contratos e operações financeiras da Fictor, buscando identificar responsabilidades individuais e institucionais. O Ministério Público poderá formalizar denúncias caso haja evidências suficientes de crimes, culminando em processos judiciais.
Enquanto isso, a empresa precisa reorganizar sua estrutura financeira e operacional para lidar com dívidas bilionárias e o escrutínio regulatório, ajustando sua governança e comunicação com credores e investidores.






