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Fiscalização dos CACs: Polícia Federal assume controle e implementa nova política de segurança em 2025

por Gabriel Monteiro
01/07/2025 às 11h30
em Brasil
Fiscalização Dos Cacs: Polícia Federal Assume Controle E Implementa Nova Política De Segurança Em 2025 Gazeta Mercantil - Brasil

Fiscalização dos CACs: Polícia Federal assume controle e reforça medidas de segurança a partir de julho de 2025

Mudança histórica: fiscalização dos CACs agora é responsabilidade da Polícia Federal

A partir de 1º de julho de 2025, a fiscalização dos CACs — colecionadores, atiradores desportivos e caçadores — passa a ser oficialmente conduzida pela Polícia Federal (PF). A nova diretriz representa uma transformação institucional no Brasil em relação ao controle de armas de fogo e atividades correlatas, marcando o fim da gestão dessas atribuições pelo Comando do Exército, que vigorava há décadas.

A mudança foi consolidada pelo Decreto nº 11.615, assinado em 21 de julho de 2023, e visa reestruturar a forma como o país lida com o controle de armas e munições. A legislação também regulamenta o Estatuto do Desarmamento, conferindo à PF novas atribuições que vão desde o registro até a fiscalização das atividades dos CACs.

Leia também: Ciabrasf (ADMF3): B100 propõe OPA por mudança de controle a R$ 13,82.

Quais atividades serão fiscalizadas pela PF?

Com a entrada em vigor da nova regra, a Polícia Federal passa a ter autoridade direta sobre:

  • Registro de pessoas físicas e jurídicas que atuam como colecionadores, atiradores e caçadores;

    Leia também: Wesley Batista Filho assume comando global da JBS em 2027; Tomazoni vai para o conselho.

  • Emissão de autorizações para aquisição e transferência de armas de fogo;

  • Fiscalização das atividades realizadas pelos CACs;

  • Concessão de guias de tráfego para transporte de armas;

  • Controle do comércio varejista de armamentos para pessoas físicas;

  • Operacionalização de um novo sistema de Business Intelligence (BI) para monitoramento estatístico e transparência.

A fiscalização dos CACs se tornará mais rigorosa e integrada a um sistema digital de inteligência, permitindo à PF acompanhar dados como o tipo de armas mais registradas, a quantidade de armamentos em circulação, o número de vistorias, autuações e apreensões realizadas.

Por que a mudança para a Polícia Federal é relevante?

A decisão do governo federal de transferir a responsabilidade do Comando do Exército para a Polícia Federal se alinha à intenção de fortalecer o controle civil sobre o acesso a armas no Brasil. Isso ocorre em um contexto de crescimento expressivo no número de registros de CACs nos últimos anos e da crescente pressão por maior transparência e fiscalização.

Segundo o Ministério da Justiça, mais de 600 agentes da PF já passaram por qualificação específica para exercer essas novas funções. Também estão sendo criados núcleos especializados e delegacias voltadas exclusivamente para o controle de armas de CACs, o que deverá garantir maior eficiência e padronização nos processos.

Como será feita a transição do controle dos CACs?

A transição será conduzida de forma progressiva pelas superintendências regionais da Polícia Federal. Essa medida está respaldada por um Acordo de Cooperação Técnica (ACT), publicado em setembro de 2023, que definiu a metodologia de transferência. Um termo aditivo firmado em dezembro do mesmo ano estabeleceu a data de 1º de julho de 2025 como marco do início da nova fase.

O governo federal também destinou R$ 20 milhões para estruturar essa mudança, com foco na modernização das unidades da PF e na implantação dos novos sistemas de fiscalização.

Sistema BI vai garantir mais transparência na fiscalização dos CACs

Um dos grandes diferenciais dessa nova política pública é a criação de um painel de Business Intelligence. A ferramenta reunirá, de maneira acessível e transparente, dados sobre:

  • Registros ativos de CACs;

  • Quantidade e tipos de armas registradas;

  • Localização dos registros;

  • Frequência de vistorias;

  • Autuações aplicadas por irregularidades;

  • Número de apreensões realizadas em operações.

A proposta é tornar o sistema mais confiável tanto para os órgãos de controle quanto para a sociedade civil, ao eliminar lacunas históricas que dificultavam a atuação do Estado na regulação de armas de fogo.

Quais são os impactos práticos para os CACs?

A mudança na fiscalização dos CACs trará impactos diretos na rotina de quem atua como colecionador, atirador esportivo ou caçador. Entre os principais efeitos estão:

  • Aumento na rigidez dos critérios de concessão de registros e autorizações;

  • Maior frequência de vistorias e controle presencial;

  • Unificação dos dados em um sistema eletrônico nacional sob responsabilidade da PF;

  • Redução na autonomia regional das decisões, com padronização das normas em todo o território brasileiro;

  • Fiscalização mais célere e com possibilidade de atuação integrada entre PF, Ministério da Justiça e demais órgãos federais.

Reforço ao Estatuto do Desarmamento e nova política de controle de armas

O Decreto nº 11.615 também teve como um de seus objetivos atualizar a regulamentação do Estatuto do Desarmamento, estabelecendo diretrizes mais rígidas para a posse, comercialização e transporte de armas e munições no Brasil. Essa medida é parte de uma estratégia mais ampla do governo Lula para limitar o acesso irrestrito a armamentos e conter o crescimento descontrolado do número de CACs.

Nos últimos anos, o Brasil viu uma explosão no número de registros de CACs, impulsionados por flexibilizações anteriores. A centralização na Polícia Federal visa reverter essa tendência, promovendo um modelo de segurança mais controlado e transparente.

O que esperar da nova fase da fiscalização dos CACs?

A nova estrutura de fiscalização dos CACs promete ampliar a capacidade do Estado de controlar o uso e o comércio de armas no Brasil. A medida também pretende:

  • Reforçar a rastreabilidade de armas e munições;

  • Reduzir a possibilidade de desvios e fraudes nos registros;

  • Impedir que armamentos cheguem a organizações criminosas;

  • Estabelecer um padrão único de fiscalização em todo o território nacional.

Para os CACs que atuam dentro da legalidade, a nova regulamentação não representa um obstáculo, mas sim uma garantia de segurança jurídica e institucional. Já para aqueles que operam à margem da lei, o cerco tende a se fechar com a atuação especializada da PF.

Fiscalização dos CACs é marco de mudança na segurança pública brasileira

Com a entrada da Polícia Federal no controle dos CACs, o Brasil dá um passo importante rumo à modernização e ao fortalecimento da política de segurança pública. A padronização de critérios, a transparência nos dados e a centralização da gestão permitem uma visão sistêmica do setor de armamentos e podem contribuir para a redução da violência armada no país.

É um momento histórico que redefine os caminhos do controle de armas no Brasil e coloca a fiscalização dos CACs como pilar central de uma política pública mais eficaz, responsável e transparente.

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