Yvy Capital, de Paulo Guedes, estrutura fundo de R$ 500 milhões para investir em rodovias
O cenário de infraestrutura brasileiro acaba de ganhar um novo e robusto capítulo com a movimentação estratégica da Yvy Capital. A gestora, fundada e liderada pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES Gustavo Montezano, está estruturando um fundo de investimento focado em concessões rodoviárias. A meta é ambiciosa: mobilizar até R$ 500 milhões para ingressar com força no setor de logística e transporte. A iniciativa marca um passo decisivo da Yvy Capital na consolidação de seu portfólio em ativos reais, demonstrando o apetite da casa por projetos de longo prazo e alta complexidade.
A operação desenhada pela Yvy Capital não é solitária. O investimento será realizado em uma parceria estratégica com o Grupo Houer, uma companhia consolidada no setor de infraestrutura. A estrutura do negócio prevê que a gestora de Guedes capte até R$ 300 milhões junto a investidores qualificados no mercado, enquanto a Houer aportará outros R$ 200 milhões. Essa composição demonstra a capacidade de articulação da Yvy Capital em unir o mercado financeiro com operadores técnicos especializados, criando um veículo de investimento robusto e com garantias sólidas.
O principal alvo desta ofensiva da Yvy Capital já está definido e localizado no norte do país. O fundo mira a aquisição de até 25% da concessionária Rota do Pará. Esta empresa é responsável pela operação e manutenção de um trecho nevrálgico de 526 quilômetros de rodovias estaduais. Privatizadas em 2023, essas estradas conectam Marabá a Belém, formando um corredor logístico essencial para o escoamento de produção e integração regional. Ao mirar neste ativo, a Yvy Capital sinaliza uma visão estratégica que vai além do eixo Sul-Sudeste, identificando valor em fronteiras econômicas em expansão.
A engenharia financeira da Yvy Capital
O veículo de investimento escolhido pela Yvy Capital para esta empreitada é o FIP-IE (Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura). Esta modalidade é conhecida por oferecer incentivos fiscais atraentes para pessoas físicas e é o instrumento padrão para grandes projetos de desenvolvimento nacional. A estruturação do fundo, batizado de Yvy Capital Atlas Rodovias, reflete a expertise técnica de seus fundadores. Paulo Guedes e Gustavo Montezano trazem para a mesa décadas de experiência em finanças estruturadas, o que confere ao produto um selo de credibilidade técnica imediato junto ao mercado.
A captação da parcela de R$ 300 milhões, coordenada pela Yvy Capital, teve início nesta semana e é voltada exclusivamente para investidores qualificados — aqueles que possuem mais de R$ 1 milhão em investimentos financeiros. O desenho do fundo projeta um retorno-alvo extremamente competitivo: IPCA + 13% ao ano. Em um cenário econômico onde a busca por rendimentos reais acima da inflação é uma constante, a proposta da Yvy Capital se destaca por oferecer um prêmio de risco condizente com a natureza do investimento em infraestrutura.
Um dos grandes diferenciais deste fundo estruturado pela Yvy Capital é a sua modelagem de cotas. O fundo adota uma estrutura de capital com cotas seniores e subordinadas. A Yvy Capital desenhou o produto de forma que os R$ 200 milhões aportados pelo Grupo Houer entrem como cotas subordinadas. Isso significa que esse capital absorve as primeiras perdas eventuais, funcionando como um “colchão de proteção” para os investidores que entrarem com o dinheiro novo nas cotas seniores. Essa engenharia financeira mitiga o risco para o investidor atraído pela Yvy Capital, oferecendo uma camada extra de segurança.
O foco em concessões de médio porte
A estratégia da Yvy Capital com o novo fundo não é apenas comprar participações aleatórias, mas sim executar uma tese de investimento clara. O foco está em rodovias de médio porte. Diferentemente das grandes concessões federais que atraem os gigantes globais e possuem concorrência acirrada, os projetos estaduais e de médio porte, como o alvo no Pará, oferecem assimetrias de valor que a Yvy Capital pretende capturar. A gestora entende que projetos recém-licitados ou em fase inicial possuem um potencial de valorização (upside) superior, desde que bem geridos.
Além da participação na Rota do Pará, o fundo da Yvy Capital prevê em seu regulamento a possibilidade de investimentos em novos projetos de rodovias e também em instrumentos financeiros ligados a empresas do próprio Grupo Houer. Isso confere flexibilidade à gestão. A Yvy Capital poderá alocar capital de forma dinâmica, aproveitando oportunidades que surgem no pipeline de concessões de infraestrutura que o Brasil deve lançar nos próximos anos. A visão é de longo prazo, apostando na maturação desses ativos e na melhoria da eficiência operacional das rodovias investidas.
A escolha de parceiros é outro ponto forte da Yvy Capital. O Grupo Houer, que entrará com o capital subordinado e a expertise técnica, atua como consultoria e operadora especializada. Com nomes como Fernando Iannotti e Gustavo Palhares no comando, a Houer afirma ter participado da modelagem de cerca de R$ 140 bilhões em projetos desde 2015. Ao se associar a um player com esse track record, a Yvy Capital reduz o risco operacional, garantindo que as rodovias investidas tenham uma gestão técnica de ponta, o que é crucial para garantir a rentabilidade prometida aos cotistas.
A trajetória da Yvy Capital e seus fundadores
A Yvy Capital foi criada em junho de 2023, marcando o retorno de Paulo Guedes e Gustavo Montezano ao setor privado após um ciclo intenso no governo federal entre 2019 e 2023. A fundação da gestora gerou grande expectativa no mercado financeiro, dada a reputação e o conhecimento macroeconômico de seus sócios. Desde o início, a Yvy Capital se posicionou não como uma gestora generalista, mas como uma casa focada em infraestrutura, recursos naturais e financiamento estruturado, nichos onde a compreensão profunda da regulação e da economia real é mandatória.
A gestora vem ganhando corpo rapidamente. Neste ano, a Yvy Capital contou com um aporte significativo do banco suíço UBS, que passou a integrar o “cap table” (tabela de capitalização) da empresa. A entrada de uma instituição global do porte do UBS valida a governança e a estratégia da Yvy Capital, abrindo portas para investidores internacionais e elevando o patamar da gestora. Esse movimento reforça que a aposta de Guedes e Montezano é construir uma instituição financeira perene, com conexões globais e atuação local forte.
A ênfase da Yvy Capital em modelos de “project finance” — onde o financiamento é pago pelo fluxo de caixa do próprio projeto — demonstra a sofisticação da casa. Ao combinar dívida e participação societária (equity), a Yvy Capital consegue estruturar operações complexas que viabilizam obras de infraestrutura que, de outra forma, poderiam ter dificuldade de sair do papel. O fundo Atlas Rodovias é a materialização dessa filosofia: unir capital paciente, proteção contra riscos e gestão técnica eficiente.
O contexto do setor de infraestrutura
A entrada da Yvy Capital no setor rodoviário ocorre em um momento oportuno. O Brasil possui um déficit histórico de infraestrutura logística, e as concessões privadas têm se mostrado o caminho mais viável para a modernização da malha viária. Ao focar na região Norte, especificamente no Pará, a Yvy Capital ataca um gargalo logístico importante. A Rota do Pará é fundamental para o agronegócio e para a mineração, setores que sustentam a balança comercial brasileira. Investir ali não é apenas uma decisão financeira, mas uma aposta no crescimento do PIB regional.
Analistas de mercado veem com bons olhos a movimentação da Yvy Capital. A presença de ex-gestores públicos de alto escalão no comando da gestora sugere um conhecimento profundo sobre os meandros das concessões, regulação e relacionamento com o poder concedente. Isso é um ativo intangível valioso. A Yvy Capital sabe como navegar a burocracia estatal para destravar valor nos ativos privados, uma competência que poucos fundos possuem com tanta clareza em seu DNA.
A estrutura de proteção oferecida pelas cotas subordinadas do Grupo Houer também merece destaque na análise da proposta da Yvy Capital. Em investimentos de infraestrutura, os riscos de construção e demanda são reais. Ao garantir que o parceiro operacional absorva as primeiras perdas, a Yvy Capital alinha os interesses: a Houer precisa fazer o projeto dar certo para ver a cor do seu dinheiro, o que beneficia diretamente os investidores trazidos pela gestora de Guedes. É um modelo de “skin in the game” (pele em risco) clássico e eficiente.
Perspectivas para o investidor qualificado
Para o investidor qualificado que busca diversificação, o fundo da Yvy Capital surge como uma alternativa sofisticada aos investimentos tradicionais em renda fixa ou bolsa de valores. A meta de retorno de IPCA + 13% é agressiva e reflete o potencial dos ativos de infraestrutura em gerar caixa recorrente e indexado à inflação. A Yvy Capital, ao oferecer esse produto, preenche uma lacuna no mercado de gestão de fortunas, oferecendo acesso a ativos reais que geralmente estão restritos a grandes investidores institucionais.
A transparência e a governança prometidas pela Yvy Capital serão testadas agora, na fase de captação e, posteriormente, na alocação dos recursos. O mercado acompanhará de perto a performance do Rota do Pará sob a influência da nova gestão. O sucesso deste fundo pode pavimentar o caminho para que a Yvy Capital lance novos veículos focados em saneamento, energia ou portos, replicando o modelo de parceria com operadores técnicos e estruturação financeira robusta.
É importante notar que a Yvy Capital não está apenas captando recursos; está vendendo uma tese de Brasil. A crença de que a infraestrutura regional, média e focada em eficiência pode gerar retornos de dois dígitos acima da inflação é uma aposta no desenvolvimento econômico contínuo. Paulo Guedes, conhecido por sua defesa do liberalismo econômico, aplica agora na iniciativa privada, através da Yvy Capital, os conceitos de eficiência e capital privado que defendeu na esfera pública.
Um novo player de peso
Em resumo, a criação do fundo de R$ 500 milhões pela Yvy Capital é uma das notícias mais relevantes do ano no setor de investimentos alternativos. A união da capacidade de originação e estruturação de Paulo Guedes e Gustavo Montezano com a capacidade operacional do Grupo Houer cria uma simbiose poderosa. A Yvy Capital demonstra, com este movimento, que veio para ficar e para disputar os grandes ativos da infraestrutura nacional.
O fundo Yvy Capital Atlas Rodovias, com sua estrutura de proteção via cotas subordinadas e foco na Rota do Pará, apresenta-se como um produto bem desenhado para o momento econômico atual. A Yvy Capital consegue, assim, atrair o capital privado para resolver problemas reais de logística, prometendo retornos atraentes no processo. Resta ao mercado observar a execução dessa estratégia, mas os primeiros sinais indicam que a gestora nasce com força, técnica e ambição de gigante.
À medida que a captação avança, a Yvy Capital consolida sua posição como um hub de soluções financeiras para o desenvolvimento. O mercado de capitais brasileiro amadureceu, e a presença de gestoras especializadas como a Yvy Capital eleva a régua de qualidade dos projetos de infraestrutura. Para o investidor, para o setor de rodovias e para a economia do Pará, a movimentação é, sem dúvida, um sinal positivo de novos tempos e novos investimentos.






