Imposto sobre Operações Financeiras: Entenda o embate entre Lula, STF e Congresso e seus impactos no mercado
Crise institucional: A queda de braço entre o Congresso e o Executivo
A recente decisão do Congresso Nacional de derrubar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), promovido pelo governo federal, desencadeou uma crise institucional que promete se agravar nos próximos dias. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou que a Advocacia-Geral da União (AGU) acione o Supremo Tribunal Federal (STF), sustentando que o Congresso invadiu competências exclusivas do Executivo ao utilizar um decreto legislativo para anular a medida.
O Imposto sobre Operações Financeiras, conhecido pela sigla IOF, é um tributo federal que incide sobre operações de crédito, câmbio, seguros e títulos ou valores mobiliários. A tentativa do governo Lula de aumentar as alíquotas gerou reações distintas no Parlamento, com acusações de desvio de finalidade e tensão crescente entre os Poderes.
Entenda o que está em jogo com o IOF
A medida do Executivo visava aumentar a arrecadação através do IOF, com impacto direto sobre operações financeiras do dia a dia, como empréstimos, cartões de crédito e câmbio. A revogação por parte do Congresso não apenas compromete a estratégia fiscal do governo, mas também coloca em xeque o equilíbrio entre os Poderes.
A AGU já declarou a viabilidade técnica da ação junto ao STF, reforçando a tese de que o IOF é matéria de competência exclusiva do Executivo. O embate tem potencial para alterar o funcionamento da máquina pública, ao desafiar os limites entre legislar e executar.
Judiciário em cena: STF será palco da decisão sobre o IOF
O ministro Alexandre de Moraes foi designado como relator de duas ações distintas sobre o caso. De um lado, o PSOL, partido da base governista, questiona a revogação da medida. De outro, o PL, da oposição, contesta a legalidade do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras, alegando que houve desvio de finalidade.
A judicialização do tema aponta para uma nova fase no relacionamento entre Executivo, Legislativo e Judiciário. O STF terá que decidir não apenas sobre a constitucionalidade da revogação, mas também sobre os limites institucionais de cada Poder.
Impactos do IOF no mercado financeiro
Enquanto o cenário político se acirra, o mercado financeiro reage. O índice Ibovespa, principal termômetro da Bolsa de Valores brasileira, fechou em alta de 1,45%, atingindo 138.854,60 pontos. No acumulado do mês, o índice avançou 1,33%, e no semestre, impressionantes 15,44%.
O dólar, por sua vez, recuou 0,89%, sendo cotado a R$ 5,4341 — o menor patamar desde setembro de 2024. A movimentação cambial sugere uma percepção de estabilidade por parte dos investidores, mesmo em meio à turbulência institucional causada pelo IOF.
Efeito IOF: ETF brasileiro EWZ e bolsas internacionais reagem
O ETF iShares MSCI Brazil (EWZ), principal fundo de índice brasileiro negociado em Nova York, teve leve queda de 0,10%, sendo negociado a US$ 28,82 no after-market. Já no cenário internacional, os mercados seguem atentos a disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos e seus principais parceiros, como Canadá, México e União Europeia.
A instabilidade política no Brasil somada a fatores globais, como a possível retomada de tarifas comerciais e negociações de acordos bilaterais, pressiona o humor dos investidores e amplia a incerteza em torno da economia.
Internacional: negociações globais e inflação no radar
As negociações comerciais entre os EUA e países como China e Reino Unido também ocupam espaço nos noticiários internacionais. A retomada das tarifas recíprocas, previstas para julho, pode pressionar a cadeia de suprimentos global. Paralelamente, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) na zona do euro subiu 0,3% em junho, acumulando alta de 2% em 12 meses.
Tais dados elevam o temor de uma nova onda inflacionária, o que impacta diretamente o fluxo de capital global e, indiretamente, a arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras no Brasil, já que o tributo é sensível a operações cambiais.
Petróleo e criptomoedas: o mercado observa com cautela
No setor de commodities, o preço do petróleo manteve estabilidade, com o barril de Brent cotado a US$ 66,89 e o WTI a US$ 65,27. As expectativas de aumento da produção pela Opep+ e o temor de uma desaceleração econômica freiam qualquer recuperação significativa da commodity.
Nas criptomoedas, o bitcoin registrou queda de 0,8%, sendo cotado a US$ 106 mil, enquanto o ethereum subiu 0,3%, chegando a US$ 2.400. As moedas digitais seguem vulneráveis à regulação e às oscilações do dólar — diretamente ligadas às políticas de arrecadação e variação do IOF.
Agenda econômica do dia reforça tensão
A agenda oficial desta terça-feira reforça a importância do dia. No Brasil, destaca-se o lançamento do Plano Safra 2025/2026 pelo presidente Lula, o que pode influenciar medidas fiscais e tributárias nos próximos meses — inclusive decisões sobre o Imposto sobre Operações Financeiras.
Nos Estados Unidos, os dados sobre o mercado de trabalho (JOLTS) e o PMI industrial também estarão sob os holofotes. Na zona do euro, o foco é a prévia do CPI de junho.
O que esperar nos próximos dias?
O Brasil caminha para mais um episódio de instabilidade entre os Três Poderes. A disputa jurídica em torno do Imposto sobre Operações Financeiras pode se tornar um novo marco no histórico de embates entre Executivo e Legislativo. A decisão do STF, independentemente do lado vencedor, terá impacto profundo não apenas na arrecadação fiscal, mas na governabilidade do país.
Ao mesmo tempo, os reflexos dessa tensão política já são sentidos nos mercados — ainda que parcialmente compensados por bons resultados no Ibovespa e na valorização de ativos de risco.
O cenário é de atenção redobrada para investidores, agentes econômicos e cidadãos. A definição sobre o IOF pode moldar o comportamento do mercado no segundo semestre e influenciar o andamento de outras pautas prioritárias do governo, como a reforma tributária.






