STF retoma julgamento da trama golpista com voto de Cármen Lúcia
O julgamento da trama golpista no STF entra em sua reta decisiva nesta quinta-feira (11), quando a ministra Cármen Lúcia deve apresentar seu voto. A sessão está marcada para as 14h e poderá consolidar uma maioria em torno da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros réus envolvidos no processo.
O placar até agora está em 2 a 1 pela condenação do ex-presidente e de outros cinco acusados. Como três votos são suficientes para formar maioria, a manifestação de Cármen Lúcia assume papel central no desfecho do caso. O último a votar será o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Como está o placar do julgamento da trama golpista no STF
Na sessão de quarta-feira (10), o ministro Luiz Fux surpreendeu ao defender a absolvição de Jair Bolsonaro e de cinco réus, mas votou pela condenação do tenente-coronel Mauro Cid e do general Braga Netto, ambos por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Com esse posicionamento, o placar ficou:
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2 a 1 pela condenação de Bolsonaro e de cinco réus.
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3 a 0 pela condenação de Mauro Cid e Braga Netto em ao menos um dos crimes.
Antes de Fux, os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino haviam votado pela condenação de todos os oito acusados em todas as imputações.
Crimes atribuídos pela PGR
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pede a condenação de Bolsonaro e dos demais réus por cinco crimes, que podem somar até 30 anos de prisão:
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Organização criminosa armada.
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Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
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Golpe de Estado.
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Dano qualificado por violência e grave ameaça.
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Deterioração de patrimônio tombado.
A gravidade das acusações e o peso político do processo transformam o julgamento da trama golpista no STF em um marco histórico para o Brasil.
Quem são os réus do julgamento da trama golpista no STF
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Jair Bolsonaro – ex-presidente da República.
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Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
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Almir Garnier – ex-comandante da Marinha.
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Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF.
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Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
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Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa.
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Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa e candidato a vice-presidente em 2022.
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Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
A lista inclui ex-ministros, militares de alta patente e auxiliares próximos, configurando o chamado núcleo central da trama golpista.
O peso do voto de Cármen Lúcia
A ministra Cármen Lúcia será a primeira a votar nesta quinta-feira. Seu posicionamento pode consolidar uma maioria em torno da condenação de Bolsonaro e dos demais réus, ou abrir espaço para maior divergência no julgamento.
Reconhecida por sua firmeza em casos de grande repercussão, a ministra carrega a responsabilidade de destravar o processo e encaminhar o veredicto para sua conclusão.
O papel de Cristiano Zanin
O último a votar será o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do STF. Embora seu voto seja o derradeiro, ele poderá se tornar apenas formal caso a maioria já esteja consolidada com a manifestação de Cármen Lúcia.
Ainda assim, sua posição será acompanhada com atenção, já que pode sinalizar tendências para futuros julgamentos envolvendo temas de grande impacto político.
Repercussão política do julgamento
O julgamento da trama golpista no STF tem repercussões profundas na política brasileira. Uma eventual condenação de Bolsonaro não apenas fragiliza sua influência sobre a base bolsonarista, mas também pode redefinir o cenário eleitoral e as alianças para 2026.
Ao mesmo tempo, o caso reforça a posição do Supremo como guardião da Constituição e do Estado Democrático de Direito, colocando a Corte no centro do debate público.
O que está em jogo para Bolsonaro
Bolsonaro já responde a outras ações penais e investigações, mas o julgamento da trama golpista no STF é o mais grave até agora. Caso seja condenado, pode enfrentar penas severas e restrições adicionais a seus direitos políticos.
Para aliados, o julgamento é visto como um teste de força institucional. Para opositores, é a oportunidade de responsabilizar o ex-presidente por condutas consideradas atentatórias à democracia.
Perspectivas para o desfecho
O desfecho deve ocorrer até sexta-feira (12), quando todos os ministros da Primeira Turma terão votado. A expectativa é de que hoje já se forme maioria pela condenação, consolidando a narrativa de que houve uma tentativa organizada de golpe de Estado.
Independentemente do resultado, o processo já entrou para a história como um dos julgamentos mais emblemáticos do Supremo.






