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Grupo Fictor entra em recuperação judicial e ações despencam após crise envolvendo o Banco Master

Queda histórica dos papéis expõe fragilidade financeira do conglomerado

por João Souza
02/02/2026 às 11h38
em Negócios
Grupo Fictor Entra Em Recuperação Judicial E Ações Despencam Após Crise Envolvendo O Banco Master - Gazeta Mercantil

Logomarca da Fictor — Foto: Reprodução

Ações do Grupo Fictor despencam após crise financeira e pedido de recuperação judicial em São Paulo

O Grupo Fictor recuperação judicial tornou-se um dos principais temas do mercado financeiro brasileiro no início de 2026, após a combinação de uma forte desvalorização de suas ações e o pedido formal de proteção judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. Desde a tentativa frustrada de aquisição do Banco Master, em novembro do ano passado, os papéis da Fictor Alimentos S.A. (FICT3) acumulam uma queda superior a 60% na B3, refletindo a deterioração da confiança de investidores e credores.

Nesta segunda-feira, os papéis chegaram a recuar mais de 25%, sendo negociados abaixo de R$ 1, um patamar que simboliza o esvaziamento do valor de mercado da companhia. O movimento ocorre após o grupo protocolar pedido de recuperação judicial envolvendo a Fictor Holding e a Fictor Invest, movimento que confirma a gravidade da crise financeira enfrentada pelo conglomerado fundado pelo empresário Rafael Góis.

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O episódio que precipitou o colapso do valor das ações está diretamente ligado ao fracasso da operação que envolveria a compra do Banco Master por um consórcio liderado por um dos sócios do grupo. A posterior liquidação da instituição financeira pelo Banco Central gerou efeitos reputacionais e financeiros que se espalharam por toda a estrutura empresarial da Fictor.

Origem e crescimento acelerado do Grupo Fictor

Fundado em 2007, o Grupo Fictor recuperação judicial construiu sua trajetória a partir de um modelo de negócios diversificado, com presença em setores estratégicos da economia brasileira. Inicialmente focado em tecnologia e soluções para logística e gestão empresarial, o conglomerado iniciou seu processo de expansão a partir de 2013, quando realizou sua primeira grande operação de investimento.

Leia também: Copasa (CSMG3): privatização atrai R$ 25 bilhões em demanda por ações.

A partir de 2016, a holding acelerou a diversificação de suas atividades, ampliando sua atuação para áreas como alimentos, infraestrutura, mercado imobiliário e serviços financeiros. Em 2018, o grupo ingressou no comércio de commodities do agronegócio, reforçando sua presença na cadeia de produção e distribuição de alimentos.

Esse crescimento levou à reorganização dos negócios em três grandes frentes: alimentos, serviços financeiros e infraestrutura. Em 2022, a holding já controlava dez empresas, consolidando-se como um conglomerado de médio porte com ambições nacionais e internacionais.

Fictor Alimentos e a entrada na bolsa brasileira

Um dos marcos mais relevantes da trajetória do grupo foi a abertura de capital da Fictor Alimentos S.A., listada na B3 sob o código FICT3 em 2024. A operação foi vista, à época, como um passo estratégico para financiar a expansão das atividades no setor alimentício e aumentar a visibilidade institucional do grupo.

A Fictor Alimentos reúne empresas voltadas à produção e comercialização de proteína animal, com operações distribuídas em estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo dados divulgados pela companhia, o segmento conta com fábricas, granjas e frigoríficos capazes de abater até 150 mil aves por dia, com potencial de expansão para 350 mil em plena operação.

O portfólio inclui marcas como Dr. Foods, Fredini e Vensa, atendendo cerca de 5 mil clientes e operando mais de 18 unidades industriais. Apesar da robustez operacional, o desempenho das ações passou a refletir o aumento do risco percebido pelo mercado, especialmente após os desdobramentos envolvendo o Banco Master.

Serviços financeiros e a criação da FictorPay

No braço financeiro, o Grupo Fictor recuperação judicial estruturou duas frentes principais: a Fictor Asset e a FictorPay. Criada em 2024, a Fictor Asset atua como gestora de investimentos do grupo, com foco em fundos estruturados e ativos alternativos. A empresa afirma administrar aproximadamente R$ 966 milhões distribuídos em dez fundos.

Já a FictorPay entrou no mercado de meios de pagamento oferecendo soluções de adquirência, crédito e tecnologia financeira para empresas. A expansão para o setor financeiro foi vista como uma tentativa de capturar oportunidades em um mercado em rápida transformação, mas também aumentou a exposição do grupo a riscos regulatórios e de liquidez.

A crise desencadeada pela tentativa de aquisição do Banco Master afetou diretamente essa frente de atuação, restringindo o acesso a crédito e ampliando a desconfiança de parceiros e investidores em relação à solidez do grupo.

Infraestrutura, energia e apostas em sustentabilidade

Além dos alimentos e dos serviços financeiros, o conglomerado investiu fortemente em infraestrutura e energia. A Fictor Energia atua no desenvolvimento de projetos de geração a partir de fontes renováveis, como usinas solares e hidrelétricas, com operações em estados como Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo.

O grupo também mantém projetos imobiliários e de armazenagem logística, alegando priorizar eficiência operacional e soluções consideradas sustentáveis. Esses investimentos, no entanto, exigem elevado volume de capital e horizonte de retorno de longo prazo, fatores que pressionaram ainda mais a liquidez do Grupo Fictor recuperação judicial diante da crise.

Expansão internacional e aumento da exposição financeira

Entre 2024 e 2025, a holding deu início a um processo de internacionalização, com a abertura de escritórios em Miami, nos Estados Unidos, e em Lisboa, em Portugal, além da sede em São Paulo. A expansão internacional foi apresentada como parte de uma estratégia de diversificação geográfica e acesso a novos mercados.

Contudo, analistas avaliam que o movimento ampliou a complexidade operacional e os custos fixos do grupo em um momento de crescimento acelerado, aumentando a vulnerabilidade financeira diante de choques externos, como o episódio envolvendo o Banco Master.

Patrocínios esportivos e construção de marca

O Grupo Fictor recuperação judicial também ganhou visibilidade nacional por meio de investimentos expressivos em patrocínios esportivos. Em 2025, firmou contrato com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), considerado o maior patrocínio privado da história da entidade, com repasses que somam R$ 21 milhões até 2029.

Além disso, tornou-se patrocinador máster das categorias de base do Palmeiras e passou a estampar sua marca nas costas da camisa do time profissional. O contrato, com duração inicial de três anos, prevê pagamentos fixos de R$ 25 milhões por temporada, podendo chegar a R$ 30 milhões com bônus.

Internamente, a estratégia foi defendida como uma forma de fortalecer a marca e associá-la a projetos de desenvolvimento esportivo. No entanto, esses compromissos financeiros passaram a ser questionados diante do agravamento da situação de caixa.

Pedido de recuperação judicial e dívida bilionária

O pedido de recuperação judicial protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo envolve a Fictor Holding e a Fictor Invest. Segundo informações divulgadas pelo grupo, o endividamento total gira em torno de R$ 4 bilhões. O objetivo da medida é reorganizar as finanças e preservar as operações, evitando a paralisação das atividades.

A empresa atribui a crise à repercussão negativa do caso Banco Master, que teria afetado sua reputação e limitado severamente o acesso a crédito. Antes de recorrer à Justiça, a companhia afirma ter iniciado um plano de reestruturação, com redução da estrutura física e do quadro de pessoal.

As subsidiárias operacionais, incluindo a Fictor Alimentos S.A. (FICT3), ficaram de fora do pedido e devem continuar funcionando normalmente, segundo o comunicado oficial.

Reação do mercado e desafios à frente

A forte queda das ações evidencia o ceticismo do mercado em relação à capacidade de recuperação do conglomerado. Investidores passaram a precificar não apenas os riscos financeiros imediatos, mas também as incertezas sobre a governança, a estratégia de crescimento e a sustentabilidade do modelo de negócios do Grupo Fictor recuperação judicial.

O sucesso do processo dependerá da aprovação de um plano de recuperação viável, da renegociação das dívidas e da capacidade do grupo de restaurar a confiança de credores, parceiros e do mercado de capitais.

Crise do Banco Master redefine trajetória do grupo

O episódio envolvendo o Banco Master tornou-se um divisor de águas na história do conglomerado. A tentativa de aquisição frustrada e a posterior liquidação da instituição pelo Banco Central desencadearam uma sequência de eventos que culminaram na atual crise financeira.

Para o mercado, o caso expôs os riscos de uma estratégia de crescimento agressiva, baseada em diversificação acelerada e elevado grau de alavancagem. O Grupo Fictor recuperação judicial agora enfrenta o desafio de reestruturar suas operações e redefinir prioridades em um ambiente de forte escrutínio público e financeiro.

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