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Ibovespa Futuro recua com CPI dos EUA no radar e prejuízo da Vale (VALE3) pressionando o mercado

por Camila Braga
13/02/2026 às 13h23
em Ibovespa
Trader-Day-Trade-Ibovespa-Futuro - Gazeta Mercantil

Ibovespa Futuro recua antes do CPI dos EUA, balanço da VALE3 e tensão política no radar

O mercado brasileiro abriu esta sexta-feira sob pressão. O Ibovespa Futuro iniciou o pregão em queda, refletindo a cautela global antes da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos e a repercussão do balanço da Vale (VALE3), que reportou prejuízo bilionário no quarto trimestre. No pano de fundo, a instabilidade política envolvendo o caso do Banco Master e decisões no Supremo Tribunal Federal (STF) adiciona um componente extra de incerteza.

Às 9h06 (horário de Brasília), o contrato do Ibovespa Futuro para fevereiro recuava 0,89%, aos 186.240 pontos. O movimento ocorre em linha com o cenário externo mais defensivo, enquanto investidores aguardam sinais mais claros sobre o rumo da política monetária do Federal Reserve (Fed).

Leia também: Ibovespa abre semana em leve queda com mercado cauteloso e olho nas projeções econômicas.


Por que o Ibovespa Futuro cai antes do CPI dos EUA?

O Ibovespa Futuro reflete expectativas sobre o desempenho do mercado à vista. Quando há eventos de alta relevância macroeconômica, como o CPI americano, os contratos futuros costumam reagir antes mesmo da abertura oficial da bolsa.

O CPI será divulgado às 10h30 e é o principal termômetro da inflação nos Estados Unidos. A leitura do indicador influencia diretamente as decisões do Federal Reserve sobre juros.

As projeções indicam alta mensal de 0,3% e inflação acumulada de 2,5% em 12 meses até janeiro, abaixo dos 2,7% registrados em dezembro. Caso os números confirmem desaceleração, aumenta a probabilidade de cortes de juros ao longo de 2026. Atualmente, o mercado precifica dois cortes, com início provável em julho.

Para o Ibovespa Futuro, juros mais baixos nos EUA tendem a favorecer ativos de risco, inclusive emergentes como o Brasil. Já uma inflação acima do esperado pode pressionar ainda mais o índice.


O que o CPI dos EUA muda para os mercados emergentes?

A inflação americana influencia o fluxo global de capitais. Quando o Fed mantém juros elevados por mais tempo, investidores direcionam recursos para títulos do Tesouro dos EUA, considerados mais seguros.

Isso impacta diretamente:

  • Câmbio;

  • Bolsa;

  • Mercado de renda fixa;

  • Fluxos para países emergentes.

Se o CPI vier acima do esperado, o dólar pode se fortalecer, pressionando o real e afetando o Ibovespa Futuro. Já um dado benigno tende a aliviar a curva de juros e beneficiar ações.


Vale (VALE3) pesa no Ibovespa Futuro após prejuízo bilionário

Outro fator de pressão sobre o Ibovespa Futuro é o balanço da Vale (VALE3). A companhia reportou prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre, frente a prejuízo de US$ 694 milhões no mesmo período do ano anterior.

O resultado foi impactado por baixas contábeis, apesar do desempenho operacional sólido nas vendas de minério de ferro e cobre.

Baixas contábeis são ajustes no valor de ativos registrados no balanço, que não necessariamente representam saída de caixa imediata, mas impactam o lucro líquido.

Investidores aguardam a teleconferência da empresa para avaliar:

  • Estratégia de redução de custos;

  • Perspectivas para o minério de ferro;

  • Política de dividendos.

Dividendos são parcelas do lucro distribuídas aos acionistas. Empresas como a Vale historicamente atraem investidores por sua forte geração de caixa e pagamento recorrente de proventos.

Como a Vale possui peso relevante na composição do índice, seu desempenho influencia diretamente o Ibovespa Futuro.


Como commodities e China influenciam o Ibovespa Futuro?

As cotações do minério de ferro na China encerraram em queda, com investidores reduzindo posições antes do feriado do Ano Novo Lunar. Durante o período, a demanda tende a cair, pressionando preços.

O Brasil, grande exportador de minério, é impactado diretamente por esse movimento.

Já o petróleo opera em baixa e caminha para a primeira queda semanal do ano, em meio a preocupações com excesso global de oferta e negociações nucleares entre EUA e Irã.

Commodities mais fracas costumam pressionar empresas listadas na B3, o que repercute no Ibovespa Futuro.


Dólar futuro sobe e reforça cautela

O dólar futuro para março, contrato mais líquido no Brasil, subia 0,20%, cotado a R$ 5,239.

Movimentos no câmbio afetam empresas exportadoras e importadoras. Um dólar mais forte tende a beneficiar companhias exportadoras, mas pressiona inflação doméstica.

A dinâmica cambial está diretamente ligada às expectativas sobre o CPI americano e decisões do Fed, reforçando a sensibilidade do Ibovespa Futuro ao cenário externo.


Wall Street e tecnologia: sinais mistos

Nos Estados Unidos, os futuros operavam em queda:

  • Dow Jones Futuro: -0,32%;

  • Nasdaq Futuro: -0,22%;

  • S&P 500 Futuro: -0,24%.

Apesar da cautela, o setor de tecnologia asiático tem mostrado desempenho expressivo. O índice MSCI de tecnologia acumula alta de 21%, enquanto o Kospi avança 31%, sendo o mercado com melhor desempenho no mundo neste ano.

A inteligência artificial segue como vetor estrutural de crescimento, mas também gera volatilidade.

Movimentos em Wall Street influenciam diretamente o Ibovespa Futuro, especialmente via fluxo estrangeiro.


Política doméstica adiciona ruído ao mercado

O cenário político também contribui para a volatilidade. A decisão do ministro Dias Toffoli de deixar a relatoria do caso do Banco Master no STF ocorreu após pressões e questionamentos.

Investidores monitoram o desdobramento institucional, pois qualquer instabilidade jurídica pode afetar percepção de risco do país.

O risco político influencia:

  • Curva de juros;

  • CDS (Credit Default Swap);

  • Fluxo de capital estrangeiro.

O CDS mede o risco de calote soberano. Quanto maior, maior a percepção de risco.

Embora o foco principal esteja no CPI e no balanço da Vale, o ambiente político adiciona camada extra de incerteza ao Ibovespa Futuro.

Leia também: IGP-10 sobe mais do que o esperado em fevereiro sob pressão de café


IGP-10 e varejo reforçam leitura sobre atividade doméstica

No Brasil, o IGP-10 de fevereiro e os dados de vendas no varejo de dezembro também estão no radar.

O IGP-10 é calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e possui forte peso de preços no atacado, sendo sensível a commodities e câmbio.

Já o desempenho do varejo ajuda a calibrar expectativas sobre o PIB.

Se os números indicarem desaceleração, reforçam percepção de atividade mais fraca — fator que pode influenciar decisões futuras do Banco Central.


O que esperar do Ibovespa Futuro nas próximas horas?

O comportamento do Ibovespa Futuro dependerá essencialmente de três fatores:

  1. Resultado do CPI dos EUA;

  2. Repercussão da teleconferência da Vale;

  3. Movimentos do dólar e das commodities.

Se a inflação americana confirmar desaceleração e a Vale sinalizar confiança na geração de caixa, o índice pode reduzir perdas.

Por outro lado, surpresa inflacionária negativa ou guidance conservador da mineradora podem ampliar a queda.


Cenário de juros e impacto na bolsa brasileira

O Brasil ainda convive com juros elevados, embora o ciclo de cortes da Selic tenha avançado nos últimos meses.

Juros altos encarecem o crédito e reduzem valor presente de empresas na bolsa.

Quando combinados com incertezas externas, pressionam ainda mais o Ibovespa Futuro.

Por isso, o investidor acompanha atentamente cada dado macroeconômico internacional.


Mercado monitora inflação global e resiliência corporativa

O momento exige cautela estratégica. A inflação global ainda não está totalmente sob controle, e bancos centrais mantêm discurso firme.

Ao mesmo tempo, empresas brasileiras enfrentam desafios como:

  • Volatilidade cambial;

  • Pressão de custos;

  • Ajustes contábeis.

A combinação desses fatores mantém o Ibovespa Futuro sensível a qualquer nova informação.

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