Ibovespa Hoje: Bolsa recua com VALE3, bancos e impacto da guerra no Irã
O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira (11), após oscilações significativas durante a manhã. O índice, que chegou a registrar máximas próximas de 185 mil pontos, recua agora aos 183 mil pontos, refletindo a pressão de grandes ações como VALE3, bancos e a influência do cenário externo. O dólar comercial mantém-se em torno de R$ 5,16, enquanto os juros futuros avançam ao longo de toda a curva, aumentando a volatilidade no mercado doméstico.
Recuperação da Raízen e desempenho das ações do dia
A Raízen (RAIZ4) voltou a subir, alcançando R$ 0,53, após o pedido de recuperação extrajudicial. O plano de recuperação foi negociado consensualmente com os principais credores financeiros, que representam mais de 47% da dívida afetada, permitindo a continuidade do processo.
No setor de commodities e energia, a Petrobras segue com fortes altas: PETR3 subiu 4,39% e PETR4 3,89%, mantendo-se entre as ações mais negociadas do dia. A Vale (VALE3) registra queda de 1,99%, refletindo a aversão ao risco do mercado diante do cenário internacional.
Tabela das ações mais negociadas até o momento:
| Ação | Negócios | Dia (%) |
|---|---|---|
| PETR4 | 65.437 | +3,66 |
| PRIO3 | 37.332 | +1,92 |
| VALE3 | 30.404 | -1,99 |
| SMFT3 | 28.862 | +1,97 |
| B3SA3 | 28.442 | -1,27 |
Impactos da guerra no Irã sobre os mercados
O conflito entre EUA, Israel e Irã continua a influenciar os mercados globais e o Ibovespa. O Irã anunciou a capacidade de atingir “qualquer local que escolher” e alerta para que o mundo se prepare para barril de petróleo a US$ 200, após novos ataques no Golfo Pérsico. Em resposta, o FBI emitiu alerta à Califórnia sobre possíveis lançamentos de drones em solo americano.
Na primeira semana de março, o Brasil registrou saída de US$ 3,897 bilhões em fluxo cambial total, segundo dados preliminares do Banco Central. O fluxo financeiro líquido negativo foi de US$ 6,812 bilhões, enquanto o canal comercial manteve saldo positivo de US$ 2,915 bilhões, refletindo a entrada de recursos por exportações. No acumulado do ano, até 6 de março, o país ainda mantém fluxo cambial positivo de US$ 6,599 bilhões.
Cenário internacional pressiona commodities e bolsas
O preço do petróleo segue em alta, com contratos do WTI a US$ 86,59 (+3,76%) e Brent a US$ 91,20 (+3,87%). Países como Índia, Coreia do Sul, Vietnã e Bangladesh adotam medidas emergenciais para conter impactos da escassez e da alta de energia. Na Europa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sinalizou a possibilidade de limitar preços do gás, visando proteger consumidores.
As bolsas europeias fecharam majoritariamente em queda, pressionadas pelo aumento do petróleo e pela volatilidade em setores como defesa. Em Nova York, os índices abrem de forma mista, com Dow Jones em -0,10%, S&P 500 em +0,18% e Nasdaq +0,37%.
Câmbio e juros em movimento
O dólar comercial avançou 0,26%, negociado a R$ 5,171, com máxima de R$ 5,183. O Banco Central informou a PTAX de fechamento com compra a R$ 5,1590 e venda a R$ 5,1596. A curva de juros futuros sobe em toda a extensão, refletindo incerteza diante do cenário internacional e ajustes esperados pelo Copom, que deve reduzir a Selic gradualmente a partir da próxima semana, com projeção de 12,5% ao final de 2026.
Varejo surpreende e sustenta PIB
O comércio varejista em janeiro apresentou crescimento de 0,9% no varejo ampliado e 0,4% no restrito, atingindo o maior nível da série histórica, segundo Heliezer Jacob, economista do C6 Bank. Apesar do resultado positivo, a expectativa para o setor ao longo do ano permanece moderada, com destaque para a dependência de consumo essencial, como supermercados e farmácias. A projeção de crescimento do PIB permanece em 1,7% para 2026.
Inflação nos EUA e perspectivas para o Fed
O índice de preços ao consumidor (CPI) nos EUA subiu 0,3% em fevereiro, dentro das expectativas do mercado. O núcleo do CPI registrou alta de 0,2% em relação a janeiro, mantendo pressão sobre serviços e energia. Economistas apontam que o dado não altera a perspectiva para a política monetária do Fed, que segue monitorando a inflação diante da instabilidade global.
Setores específicos em destaque
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Bancos: grandes instituições como ITUB4 (-0,43%), BBDC4 (-0,70%) e SANB11 (-0,99%) registram quedas, enquanto BBAS3 se destaca em alta de +0,68%.
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Energia e commodities: PETR3 e PETR4 seguem com fortes ganhos, e VALE3 registra recuo diante de cenário externo tenso.
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Varejo: varejistas mistos, com LREN3 (+2,37%) e MGLU3 (+0,39%) em alta, enquanto PCAR3 cai 2,64%.
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Siderurgia: CSNA3 (-1,24%), GGBR4 (-0,43%), GOAU4 (-1,06%) e USIM5 (-0,59%) recuam.
Perspectivas para o restante do dia
O Ibovespa permanece sensível às notícias internacionais, principalmente relacionadas à guerra no Irã e à escalada dos preços do petróleo. Investidores monitoram fluxos cambiais, desempenho corporativo e indicadores macroeconômicos locais, enquanto os setores de energia, bancos e commodities continuam liderando a volatilidade.
O mercado brasileiro segue com atenção às decisões do Copom, às flutuações do dólar e às reações de Wall Street, formando um quadro complexo em meio à tensão internacional.





