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Investigação detalha vínculo do Banco Master com narcotráfico e operações financeiras ilícitas

por Álvaro Lima
09/03/2026 às 19h13
em Economia
Daniel Vorcaro - Gazeta Mercantil

Foto: Reprodução

Investigação revela envolvimento do narcotráfico na estrutura do Banco Master

Uma investigação aprofundada conduzida pelo mercado financeiro, em conjunto com apurações da Polícia Federal, revelou que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, pode ter sido financiado com recursos provenientes do narcotráfico. documentos obtidos por fontes do setor indicam que o narcotraficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin foi responsável por injetar parte do capital necessário para a aquisição da instituição, levantando suspeitas sobre a origem ilícita dos fundos que impulsionaram o crescimento do banco.

Oliver Ortiz, preso em 2013, residia em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e tinha condenações anteriores por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Registros oficiais, entretanto, mostram que Ortiz manteve participação em fundos de investimento no Brasil, fato que hoje é alvo de investigação detalhada das autoridades.

A conexão entre Oliver Ortiz, Daniel Vorcaro e operadores financeiros

A ligação entre Ortiz e Vorcaro passa por Benjamim Botelho de Almeida, operador financeiro com histórico no Banco Garantia, precursor do BTG Pactual. Botelho, que possui dupla nacionalidade portuguesa e brasileira e reside em Lisboa, lidera o Grupo Aquilla, veículo central para os investimentos de Ortiz. Por meio desse grupo, o narcotraficante espanhol aplicou centenas de milhões de reais, viabilizando a compra do Banco Máxima em 2017, posteriormente rebatizado como Banco Master.

Fontes indicam que a estrutura do Grupo Aquilla permitia que fundos geridos por Botelho fossem usados para movimentar recursos de origem suspeita, consolidando a expansão do banco e levantando questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de compliance.

Documentos da CVM reforçam suspeitas de irregularidade

Registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de outubro de 2015 mostram Oliver Ortiz como cotista em fundos administrados pela antiga Foco DTVM, hoje Sefer Investimentos. Dois anos antes, em 2013, Ortiz já havia sido condenado por tráfico de drogas, questionando a fiscalização e a efetividade das regras de compliance que permitiram sua participação nos fundos.

Os documentos apontam que Ortiz figurava como cotista tanto em nome próprio quanto por meio de empresas vinculadas ao Grupo Aquilla, incluindo o Aquilla Fundo de Investimento Imobiliário. Esse fundo, por sua vez, investiu no fundo São Domingos, veículo que possibilitou a aquisição do Banco Máxima, consolidando o elo entre recursos de origem ilícita e o crescimento do Banco Master.

Sefer Investimentos e a suspeita de offshore

A Sefer Investimentos desempenha papel central na administração dos fundos do Grupo Aquilla. Em janeiro de 2026, a corretora foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, investigada por repasses de recursos a negócios vinculados à família Vorcaro.

Investigadores identificaram ainda a criação de uma offshore nas Bahamas vinculada à Sefer apenas nove dias após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, levantando suspeitas de movimentação financeira estratégica para proteção de ativos. Oliver Ortiz também teria relação com o fundo Aquilla Veyron FIM e a empresa Brazilian Multimarketing Investments LLC, sediada nas Bahamas, ampliando o alcance internacional do esquema.

Evidências obtidas no celular de Vorcaro

Durante a Operação Compliance Zero, a Polícia Federal apreendeu o celular de Daniel Vorcaro. Nos registros, os nomes de Vorcaro, Botelho e Ortiz aparecem conectados, confirmando a relação entre narcotráfico e administração do Banco Master. Documentos no aparelho detalham transações e vínculos financeiros que ajudam a mapear o alcance do esquema.

O Ministério Público Federal denunciou Benjamim Botelho por gestão fraudulenta do Banco Máxima entre 2014 e 2016, alegando que o fundo Aquilla Veyron FIM simulava valorização de ativos e mascarava a insuficiência de capital da instituição, consolidando indícios de fraude financeira.

Impactos legais e econômicos

O caso do Banco Master evidencia a complexidade de operações financeiras envolvendo recursos ilícitos e reforça a necessidade de mecanismos robustos de compliance pelo Banco Central e pela CVM. Especialistas afirmam que a investigação pode impactar a confiança do mercado em instituições privadas, especialmente em fusões, aquisições e fundos de investimento administrados por grupos com histórico suspeito.

O envolvimento de figuras internacionais e o uso de offshore nas Bahamas indicam que a investigação exigirá cooperação entre autoridades brasileiras e estrangeiras, ampliando a dimensão global do esquema.

Repercussão no mercado financeiro

Analistas acompanham atentamente as apurações envolvendo o Banco Master, considerando que a descoberta de vínculos com narcotráfico em instituições financeiras pode gerar instabilidade em outros bancos e fundos de liquidez similar. A potencial volatilidade pode afetar o comportamento de investidores, avaliação de risco de crédito e percepção de compliance no Brasil.

A exposição do caso tende a estimular revisões internas em outras instituições, elevando os padrões de transparência e governança corporativa, especialmente na gestão de fundos e ativos de alto valor.

Próximos passos das investigações

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal devem aprofundar as apurações sobre a origem dos recursos, participação de intermediários financeiros e transações internacionais associadas ao grupo. A investigação pretende mapear a rede de influência do narcotráfico no setor bancário, garantindo que todos os responsáveis sejam responsabilizados.

Espera-se novos desdobramentos, incluindo prisões, bloqueio de ativos e investigação de empresas vinculadas ao Grupo Aquilla, Sefer Investimentos e demais veículos do esquema. A cooperação internacional será essencial para rastrear movimentações financeiras fora do Brasil.

A credibilidade do sistema financeiro em jogo

O caso do Banco Master levanta questionamentos sobre a eficácia das normas de compliance no Brasil, evidenciando como recursos de origem ilícita podem influenciar instituições financeiras de grande porte. Especialistas afirmam que a investigação será um termômetro para o mercado, indicando o grau de controle das autoridades sobre operações complexas envolvendo capital estrangeiro e fundos sofisticados.

A detecção de irregularidades reforça a necessidade de supervisão constante, maior integração entre órgãos reguladores e um esforço global para impedir que narcotráfico e outras atividades ilícitas impactem a estabilidade do setor financeiro nacional.

Rastreando o impacto da rede internacional de lavagem de dinheiro

A investigação sobre o Banco Master expõe uma rede de operações financeiras globais que envolve múltiplos países, offshore e fundos estruturados para movimentar recursos ilícitos. A identificação de conexões internacionais e a participação de agentes financeiros renomados, como Benjamim Botelho, destacam a sofisticação do esquema, mostrando que instituições financeiras de alto nível podem ser alvo de infiltração de capital de origem criminosa.

O caso se torna emblemático para o setor bancário brasileiro, reforçando que apenas a integração entre órgãos reguladores nacionais e estrangeiros poderá frear a entrada de recursos ilícitos e preservar a confiança do mercado, especialmente em um ambiente de crescente internacionalização de investimentos.

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