Juros do Tesouro Direto caem com otimismo após reunião entre Lula e Trump e indicam cenário mais favorável para investidores
Os juros do Tesouro Direto abriram a semana em queda generalizada nesta segunda-feira (27), refletindo o otimismo dos mercados após o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrido no domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia. O clima amistoso entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos reduziu as incertezas sobre o comércio bilateral e impulsionou o apetite por risco nos mercados locais.
Embora o encontro não tenha resultado em um acordo imediato, a sinalização de uma relação diplomática mais construtiva foi suficiente para derrubar as taxas de juros dos principais títulos públicos e estimular a valorização dos ativos de renda fixa e variável.
Queda generalizada nas taxas do Tesouro Direto
Logo nas primeiras horas de negociação, o Tesouro IPCA+ 2050 recuou para 6,91% ao ano em juro real, 5 pontos-base abaixo do fechamento da sexta-feira (24) e bem distante dos 7,17% registrados duas semanas antes.
Outros títulos também acompanharam o movimento de queda. O Tesouro IPCA+ 2040 caiu para 7,15%, enquanto o Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2035 passou para 7,43% ao ano. Já o Tesouro IPCA+ 2029 apresentou o recuo mais acentuado, indo de 7,95% para 7,87%.
Nos prefixados, a tendência também foi de alívio. O Tesouro Prefixado 2028 passou de 13,09% para 13,00%, e o Tesouro Prefixado 2032 recuou de 13,58% para 13,49%. A redução reflete o menor prêmio de risco exigido pelos investidores, que enxergam uma conjuntura econômica mais previsível após o avanço diplomático entre os dois países.
O papel da reunião entre Lula e Trump na melhora do mercado
O encontro entre Lula e Trump foi o principal gatilho para o otimismo observado nesta segunda-feira. A reunião, realizada à margem da cúpula da ASEAN, trouxe sinais de distensão nas relações comerciais entre as duas maiores economias do continente americano.
A retomada do diálogo reduziu temores sobre possíveis tarifas adicionais dos EUA contra produtos brasileiros e abriu caminho para uma agenda técnica de negociação que pode beneficiar diversos setores exportadores.
Analistas apontam que o simples fato de os dois líderes demonstrarem disposição para avançar em temas bilaterais já é suficiente para melhorar a percepção de risco-país e fortalecer a confiança dos investidores estrangeiros em ativos brasileiros.
Reflexos imediatos: renda fixa em alta e dólar em queda
O efeito do bom humor do mercado não se limitou ao Tesouro Direto. A bolsa brasileira abriu o dia em alta, acompanhando o movimento de valorização global de ativos de risco, enquanto o dólar recuava diante do real.
Com a redução dos juros futuros, o mercado passou a precificar cenários mais otimistas para a Selic em 2026. A expectativa é de que o Banco Central possa adotar um ritmo mais acelerado de cortes de juros se a inflação seguir em trajetória controlada.
O IPCA-15 de outubro, divulgado na semana passada, registrou alta de apenas 0,18%, abaixo das projeções de mercado. O resultado reforçou a tese de inflação sob controle e levou instituições como a XP a revisarem suas projeções para o IPCA de 2025, de 4,7% para 4,6%.
Ambiente diplomático e estabilidade macroeconômica
Além do impacto direto da reunião, o ambiente diplomático mais cooperativo entre Brasil e Estados Unidos contribui para fortalecer as expectativas de crescimento econômico.
Especialistas afirmam que uma reaproximação entre os dois governos pode facilitar novos acordos comerciais, estimular investimentos estrangeiros e reduzir tensões sobre tarifas que vinham pressionando setores exportadores brasileiros.
Com isso, o mercado de renda fixa ganha fôlego, já que a percepção de risco diminui e os investidores voltam a buscar títulos públicos de longo prazo, beneficiados por taxas reais mais atrativas.
Títulos do Tesouro Direto: panorama completo das taxas
Abaixo, o quadro atualizado com as taxas do Tesouro Direto na manhã desta segunda-feira (27), às 9h28:
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Selic 2028 | SELIC + 0,0497% | 01/03/2028 |
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,1014% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2028 | 13,00% | 01/01/2028 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 13,49% | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035 | 13,63% | 01/01/2035 |
| Tesouro IPCA+ 2029 | IPCA + 7,87% | 15/05/2029 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 | IPCA + 7,43% | 15/05/2035 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,15% | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,20% | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 6,91% | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,09% | 15/08/2060 |
Os números confirmam a tendência de queda em toda a curva de juros reais, especialmente nos papéis de vencimento mais longo, que são os mais sensíveis a variações no cenário político e nas expectativas inflacionárias.
O que explica a queda dos juros do Tesouro Direto
A queda dos juros do Tesouro Direto é consequência direta da combinação entre otimismo político, inflação controlada e perspectiva de estabilidade fiscal.
O mercado reagiu de forma positiva ao discurso conciliador da reunião entre Lula e Trump, interpretando o evento como um sinal de redução nas tensões comerciais e retomada do diálogo diplomático.
Com menor aversão ao risco e aumento da confiança nos ativos brasileiros, os investidores voltaram a comprar títulos públicos, o que eleva os preços e, consequentemente, reduz as taxas de retorno (yield).
Outro fator importante é a expectativa de cortes na Selic, que tornam os papéis prefixados e indexados à inflação mais atrativos. Quando o juro básico cai, o valor presente desses títulos aumenta, elevando sua rentabilidade potencial para quem comprou antes da redução das taxas.
Impactos para o investidor de renda fixa
Para quem investe no Tesouro Direto, o cenário atual é favorável para quem já tem títulos em carteira, especialmente os de longo prazo. Com a queda dos juros, o valor de mercado dos títulos tende a subir, garantindo ganhos expressivos em caso de venda antecipada.
Já para novos investidores, o momento exige cautela. Embora as taxas ainda estejam elevadas em termos históricos, o movimento de queda pode continuar, reduzindo as oportunidades de entrada com rendimentos reais mais altos.
Quem busca proteção contra a inflação deve considerar os papéis Tesouro IPCA+, que mantêm ganho real acima do IPCA mesmo em cenários de volatilidade. Já quem prefere liquidez e segurança, o Tesouro Selic segue sendo a melhor opção, especialmente para reserva de emergência.
O que esperar para os próximos meses
O mercado projeta que a tendência de queda dos juros do Tesouro Direto deve continuar caso o ambiente econômico global permaneça favorável e a relação Brasil–EUA siga evoluindo.
Analistas acreditam que um acordo comercial mais abrangente pode reduzir tarifas sobre produtos agrícolas e industriais brasileiros, estimulando exportações e aumentando o fluxo de dólares para o país.
Internamente, o controle da inflação e a responsabilidade fiscal serão determinantes para consolidar o ciclo de alívio nas taxas. Se a trajetória de queda se mantiver, o Tesouro IPCA+ 2050 pode romper o patamar de 6,8% ainda em novembro.
Otimismo e oportunidades no Tesouro Direto
A queda dos juros do Tesouro Direto após a reunião entre Lula e Trump mostra como fatores políticos e diplomáticos influenciam diretamente o comportamento do mercado financeiro.
Com inflação controlada, expectativas positivas para a Selic e melhora nas relações internacionais, o Brasil volta a atrair o interesse de investidores institucionais e estrangeiros.
Para o investidor, o momento é de atenção e estratégia: aproveitar oportunidades em papéis longos, diversificar aplicações e acompanhar de perto os movimentos da curva de juros.
A consolidação desse cenário dependerá da continuidade das negociações bilaterais, do avanço fiscal interno e do comportamento da inflação nos próximos meses.






