terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Juros Futuros Caem com Fluxo Estrangeiro e Aguardam Copom após Decisão do Fed

por Camila Braga
28/01/2026 às 17h48
em Economia
Juros Futuros Caem Com Fluxo Estrangeiro E Aguardam Copom Após Decisão Do Fed - Gazeta Mercantil

Juros futuros estendem queda com fluxo estrangeiro recorde e aguardam definição do Copom após decisão do Fed

O mercado financeiro brasileiro vivenciou nesta quarta-feira (28) mais um capítulo de otimismo cauteloso, marcado por uma correlação direta entre a entrada robusta de capital internacional e o alívio na curva a termo de taxas de juros. Os juros futuros encerraram a sessão em baixa pela sexta jornada consecutiva, consolidando um movimento de descompressão de prêmios de risco que reflete, primordialmente, o apetite do investidor estrangeiro pelos ativos locais. O cenário foi desenhado em um dia de “Superquarta”, com as atenções divididas entre a manutenção das taxas nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed) e a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.

A dinâmica observada na B3 revela que os juros futuros estão respondendo a fundamentos técnicos de fluxo, muitas vezes descolando-se momentaneamente da volatilidade dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries). O ingresso de dólares, que impulsionou o Ibovespa a superar a barreira inédita dos 185 mil pontos, atua como um poderoso anabolizante para o real, retirando pressão inflacionária via câmbio e, consequentemente, favorecendo o fechamento das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).

Leia também: Exportações aos EUA caem 28% e ampliam déficit da balança brasileira.

O Comportamento da Curva de Juros Futuros

No encerramento dos negócios, a precificação dos ativos de renda fixa demonstrou um ajuste significativo nas expectativas de longo prazo. A taxa do contrato de juros futuros (DI) para janeiro de 2028 foi cotada a 12,785%, registrando um recuo de 8 pontos-base em relação ao ajuste anterior, que estava em 12,866%. Já na ponta mais longa da curva, o contrato de juros futuros para janeiro de 2035 encerrou a 13,325%, uma baixa de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,369% da véspera.

Este movimento não é isolado. No acumulado das últimas seis sessões, as taxas dos juros futuros para os vencimentos de 2028 e 2035 apresentaram uma devolução de prêmios expressiva, recuando 41 e 48 pontos-base, respectivamente. Essa “barriga” na curva indica que o mercado está retirando prêmios de risco excessivos, antecipando um cenário onde a política monetária, embora ainda contracionista, poderá encontrar espaço para flexibilização à medida que o cenário fiscal e externo se estabilize.

Leia também: Minerva (BEEF3), JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3) caem com veto da UE à carne brasileira.

O comportamento dos juros futuros nesta quarta-feira desafiou a lógica tradicional de correlação com os Treasuries. Mesmo com os rendimentos dos títulos de dez anos do Tesouro americano subindo 4 pontos-base para 4,259% no fim da tarde, a curva local manteve-se em trajetória de queda. Isso evidencia a força do fluxo cambial: com o dólar em queda ante o real, a percepção de risco inflacionário diminui, permitindo que os traders vendam taxas nos contratos de juros futuros.

O Fator Fed e a Influência nos Juros Futuros Globais

A agenda do dia foi dominada pela decisão de política monetária dos Estados Unidos. Às 16h, o Federal Reserve confirmou as expectativas de mercado e anunciou a manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. O comunicado da autoridade monetária destacou que a inflação permanece elevada, embora haja sinais claros de estabilização no mercado de trabalho norte-americano.

Para os operadores de juros futuros no Brasil, a decisão do Fed trouxe nuances importantes. A instituição ofereceu poucas indicações concretas sobre o timing do próximo ciclo de cortes, mantendo uma postura de dependência de dados (data dependent). No entanto, a dissidência na votação chamou a atenção dos analistas macroeconômicos. Tanto o diretor Christopher Waller — cotado para substituir Jerome Powell na presidência do Fed em maio — quanto o diretor Stephen Miran votaram a favor de um corte imediato de 0,25 ponto percentual.

Essa divergência interna no FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) sugere que o debate sobre o afrouxamento monetário nos EUA está mais aquecido do que o comunicado oficial transparece. Para o mercado de juros futuros brasileiro, isso é vital. Um Fed mais propenso a cortes no segundo semestre de 2026 abriria espaço para o Banco Central do Brasil conduzir sua política monetária com menor pressão sobre o diferencial de juros, facilitando a ancoragem da curva local.

Analistas de mercado, como Lais Costa, da Empiricus Research, observaram que a justificativa para a pausa nos cortes foi a estabilidade no desemprego, mas que os votos dissidentes já eram, em certa medida, esperados e precificados na curva de juros futuros global.

A Expectativa pelo Copom e o Cenário Local

Enquanto o mercado internacional digeria a decisão do Fed, os investidores locais mantinham posições cautelosas à espera do Copom. As taxas dos juros futuros reagiram de forma tímida ao comunicado norte-americano, pois o foco principal deslocou-se para a decisão sobre a taxa Selic, agendada para após as 18h30.

O consenso majoritário dos agentes financeiros aponta para a manutenção da Selic em 15% ao ano nesta reunião. Contudo, o mercado de juros futuros não opera apenas com o fato presente, mas com as expectativas. A grande incógnita reside no comunicado do Banco Central: haverá sinalização dovish (suave) para um corte em março?

Na B3, as opções de Copom mostravam, na segunda-feira (26), uma divisão nas apostas que se reflete na volatilidade dos juros futuros. Havia 36,00% de probabilidade precificada de um corte de 25 pontos-base já em março, contra 34,50% de chance de uma redução mais agressiva de 50 pontos-base, e 22,75% de possibilidade de manutenção. Essa dispersão de cenários mantém a curva de juros futuros sensível a qualquer alteração de vírgula no comunicado da autoridade monetária.

Fluxo Estrangeiro: O Motor da Queda dos Juros Futuros

O grande protagonista da recente queda nas taxas dos juros futuros tem sido, inegavelmente, o capital estrangeiro. O Brasil voltou a figurar como um destino atrativo para o smart money global, que busca retornos em mercados emergentes diante da saturação e dos valuations esticados nas economias desenvolvidas.

A entrada de recursos externos não beneficia apenas a bolsa de valores, mas irriga todo o sistema financeiro. Quando o investidor estrangeiro internaliza recursos, ele vende dólares e compra reais. A apreciação da moeda nacional atua como um deflator natural, reduzindo o custo de produtos importados e commodities cotadas em dólar. Com a inflação projetada em queda, a necessidade de prêmios de risco na curva de juros futuros diminui, levando os players de mercado a “doarem taxas” (apostarem na queda).

Este círculo virtuoso — entrada de dólares, queda do câmbio, alta da bolsa e queda dos juros futuros — tem sustentado o otimismo nos ativos brasileiros neste início de 2026. A sustentabilidade desse movimento, porém, depende da continuidade do compromisso fiscal e da capacidade do Banco Central de ancorar as expectativas de inflação para os próximos anos.

Perspectivas para o Segundo Semestre de 2026

Olhando para o horizonte de médio prazo, a trajetória dos juros futuros dependerá intrinsecamente da sincronia entre a política monetária doméstica e a internacional. A visão de especialistas, como Nicolas Gass, head de alocação da GT Capital, sugere que o Fed deve iniciar um ciclo de cortes mais consistente apenas no segundo semestre de 2026.

A projeção de um corte total de 75 pontos-base nos juros americanos este ano, concentrado na segunda metade do calendário, alinha-se com a expectativa de uma mudança de comando no Fed. A eventual entrada de um perfil mais dovish no banco central americano poderia destravar valor nos ativos de risco globais, beneficiando ainda mais a curva de juros futuros no Brasil.

Se este cenário se confirmar, a curva de juros futuros brasileira tem espaço para fechar ainda mais, especialmente nos vértices longos (2028, 2030, 2035). O mercado passaria a precificar uma taxa Selic terminal mais baixa, convergindo para níveis de juro real neutro mais civilizados, o que seria um gatilho fundamental para a retomada do investimento produtivo e do crédito no país.

Análise Técnica: Suportes e Resistências nos DIs

Do ponto de vista técnico, a sequência de seis quedas consecutivas coloca os juros futuros em uma zona de teste de suportes importantes. O mercado pode passar por uma realização de lucros natural (correção técnica) caso o comunicado do Copom adote um tom excessivamente duro (hawkish), frustrando as apostas de corte em março que estão embutidas na curva.

No entanto, a tendência primária de curto prazo para os juros futuros permanece de baixa, sustentada pelo fluxo financeiro. A inclinação da curva (diferença entre as taxas curtas e longas) também tem diminuído, indicando uma percepção de menor risco fiscal e maior previsibilidade econômica. A estabilidade dos juros futuros longos abaixo de 13,40% é vista como um sinal positivo de confiança na solvência de longo prazo do país.

O Papel dos Dados Econômicos dos EUA

Apesar da decisão do Fed já ser página virada, os dados econômicos dos Estados Unidos continuarão a exercer influência sobre os juros futuros domésticos. A inflação americana, que o Fed destacou como “ainda elevada”, será o fiel da balança. Qualquer surpresa negativa nos índices de preços ao consumidor (CPI) ou produtor (PPI) nos EUA pode reverter o humor global, pressionando os Treasuries e contaminando a curva de juros futuros no Brasil.

Por outro lado, a estabilização do mercado de trabalho norte-americano, citada no comunicado, sugere um “pouso suave” da maior economia do mundo. Isso é positivo para mercados emergentes, pois afasta o temor de uma recessão global que poderia drenar a liquidez e elevar a aversão ao risco, impactando negativamente os juros futuros locais.

O Novo Patamar dos Juros Futuros

O fechamento desta quarta-feira consolida um novo patamar para os juros futuros no Brasil. A combinação de fluxo cambial favorável, resiliência da bolsa e um cenário externo que, apesar de cauteloso, não é disruptivo, criou uma janela de oportunidade para o ajuste de preços na renda fixa.

O mercado agora aguarda as definições do Copom para calibrar as apostas para março. Se o Banco Central validar a leitura benigna que o mercado de juros futuros está fazendo, poderemos ver uma continuidade do fechamento das taxas nas próximas sessões. Caso contrário, a volatilidade deve retornar, testando a convicção dos investidores estrangeiros na tese Brasil. De qualquer forma, a variável chave para o curto prazo continua sendo o fluxo: enquanto o dinheiro externo entrar, a pressão vendedora sobre as taxas dos juros futuros tende a prevalecer, desafiando até mesmo o conservadorismo dos banqueiros centrais.

LEIA MAIS

Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Nova pesquisa BTG/Nexus mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Leia MaisDetails
Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil
Economia

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda há R$ 5,79 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras

Leia MaisDetails
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (13) em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,0227 no mercado à vista, recuperando parte das perdas acumuladas na semana anterior,...

Leia MaisDetails
Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

No mês de setembro, a indústria brasileira de motocicletas cresceu 10,4% em relação ao ano anterior, com 186.758 unidades produzidas

Leia MaisDetails
Casas Bahia (Bhia3) - Casas Bahia
Fundos Imobiliários

HSLG11: Casas Bahia deve R$ 4,3 milhões em aluguéis e fundo pede despejo

O FII HSI Logística (HSLG11) recua nesta terça-feira após calote das Casas Bahia

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

23:02:07
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP