Mercados globais oscilam com tensão entre Trump e Fed; Ibovespa ronda estabilidade
Os mercados financeiros internacionais operam com volatilidade nesta segunda-feira (12), em meio ao agravamento das tensões entre o governo do presidente Donald Trump e o Federal Reserve (Fed). Declarações recentes envolvendo a possibilidade de medidas criminais contra o presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, reacenderam incertezas sobre a independência da política monetária dos Estados Unidos, aumentando a aversão ao risco em diferentes classes de ativos.
Em Nova York, os principais índices acionários apresentam comportamento misto e com ganhos limitados, refletindo cautela dos investidores. Os rendimentos dos Treasuries avançam, sinalizando ajuste nas expectativas para juros futuros, enquanto o dólar perde força frente a moedas fortes.
No mercado de commodities, os metais preciosos renovam máximas, beneficiados pela maior busca por ativos de proteção. O petróleo, após abrir em queda, se recupera e passa a subir cerca de 1% no início da tarde, em um ambiente marcado pelo equilíbrio entre riscos geopolíticos e a expectativa de maior oferta global.
Europa oscila e Ásia fecha majoritariamente em alta
Na Europa, os principais índices acionários operam sem direção única, acompanhando o noticiário internacional e dados pontuais de atividade econômica. Já na Ásia, as bolsas encerraram o pregão majoritariamente em alta, com destaque para o setor de tecnologia, que sustentou o desempenho positivo da região.
Ibovespa acompanha exterior e opera perto da estabilidade
No Brasil, o Ibovespa segue alinhado ao movimento externo e opera próximo da estabilidade. Por volta das 14h35, o principal índice da B3 registrava leve alta de 0,05%, aos 163.282 pontos, após apagar as perdas observadas no início do pregão.
O desempenho do índice é sustentado principalmente pelas ações ligadas a commodities. Os papéis da Vale (VALE3) avançam, impulsionados pela valorização do minério de ferro no mercado internacional. Já as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) operam em terreno positivo, mesmo diante da volatilidade do petróleo Brent.
Dólar avança levemente e juros futuros recuam
No mercado de câmbio, o dólar apresenta leve alta de 0,05%, cotado a R$ 5,37. O movimento reflete fluxos pontuais, que colocam o real entre as moedas emergentes com pior desempenho no dia.
Os juros futuros recuam nos vértices médios e longos da curva. O alívio ocorre após a recente alta dos rendimentos dos títulos americanos e a divulgação do Boletim Focus, que mostrou leve queda nas expectativas de inflação para 2026, de 4,06% para 4,05%.
Destaques corporativos movimentam o pregão
Entre os destaques do Ibovespa, as ações da Brava (BRAV3) sobem após o anúncio de mudança no comando da companhia. O movimento é visto pelo mercado como positivo para acelerar o processo de desalavancagem financeira.
A Braskem (BRKM5) também registra alta, apoiada por sinalizações de reestruturação de sua subsidiária no México. No setor aéreo, os papéis da Gol (GOLL54) disparam mais de 50% após a divulgação de laudo de avaliação para uma Oferta Pública de Aquisição (OPA).
Em sentido oposto, as ações da Azul (AZUL54) recuam após a conclusão de uma oferta primária de ações no exterior, movimento que pressionou as cotações no curto prazo.
Ações defensivas pressionam índice
Na ponta negativa, Porto Seguro (PSSA3) recua após rebaixamento de recomendação por analistas. Cogna (COGN3) também apresenta queda, devolvendo parte dos ganhos recentes em um movimento de realização de lucros.
Apesar da volatilidade no mercado internacional de petróleo, as ações das petroleiras operam em leve alta, enquanto Vale segue como um dos principais suportes do Ibovespa ao longo do pregão.
O ambiente segue marcado por cautela, com investidores atentos aos desdobramentos políticos nos Estados Unidos, à trajetória dos juros globais e aos impactos desses fatores sobre os mercados emergentes.






