“PIX é nosso, my friend”: Governo Lula responde a Trump e transforma sistema de pagamentos em símbolo nacional
A recente postagem do governo Lula nas redes sociais, com a frase “PIX é nosso, my friend”, reacendeu debates geopolíticos, provocou tensões diplomáticas e, mais que tudo, reafirmou o papel do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro como uma das maiores inovações tecnológicas do setor financeiro mundial. O bordão, que virou trending topic nas redes, representa mais do que uma simples provocação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: ele simboliza um movimento de afirmação da soberania digital brasileira em meio a disputas comerciais acirradas.
A origem da frase que virou slogan de soberania
Na quarta-feira, 16 de julho de 2025, o perfil oficial do governo brasileiro publicou um card com os dizeres “PIX é nosso, my friend”, seguido da mensagem: “O PIX é do Brasil e dos brasileiros! Parece que nosso PIX vem causando um ciúme danado lá fora, viu? Tem até carta reclamando da existência do nosso sistema Seguro, Sigiloso e Sem taxas”. A provocação veio na esteira de uma investigação aberta pelos Estados Unidos contra o sistema PIX, com alegações de que o serviço representaria uma prática comercial desleal frente às gigantes americanas de tecnologia financeira.
A investigação, conduzida sob a chamada “Seção 301 da Lei de Comércio de 1974”, aponta supostas barreiras injustas impostas pelo Brasil a empresas americanas do setor digital, especialmente as que operam com pagamentos online. No entanto, a resposta brasileira foi clara, objetiva e bem-humorada, usando a expressão “PIX é nosso, my friend” para reforçar que a ferramenta foi criada para atender aos interesses do povo brasileiro — e não ao lobby estrangeiro.
O que é o PIX e por que incomoda tanto?
Criado pelo Banco Central do Brasil e lançado em 2020, o PIX revolucionou o sistema de pagamentos no país. Com operação 24 horas por dia, sete dias por semana, o sistema permite transferências e pagamentos instantâneos entre contas bancárias, sem a cobrança de taxas, o que o torna amplamente acessível à população.
Em 2025, o PIX já superou 180 milhões de usuários, incluindo pessoas físicas, jurídicas, microempreendedores e até governos municipais. Ele é utilizado para pagar contas, transferir valores, quitar impostos e até para realizar compras no comércio. Sua velocidade, segurança e gratuidade são fatores que desafiam os padrões globais e geram desconforto em empresas internacionais que cobram tarifas para realizar serviços similares.
A expressão “PIX é nosso, my friend” resume, portanto, esse sentimento de orgulho nacional por uma inovação tecnológica feita no Brasil, que tem servido como modelo para outros países.
A reação do governo Lula
Com o slogan “PIX é nosso, my friend”, o governo Lula usou uma linguagem simples e direta para atingir a população e os críticos internacionais. A campanha digital teve enorme repercussão positiva nas redes sociais, principalmente pelo tom descontraído e pela defesa enfática do sistema financeiro nacional.
Além da publicação nas redes, o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encaminharam uma carta formal aos representantes comerciais dos EUA expressando “indignação” com a medida americana. O documento reafirma que o PIX não apenas respeita normas internacionais, como também democratiza o acesso ao sistema financeiro, um dos maiores desafios globais.
Segundo o governo, a postura dos Estados Unidos, especialmente sob a administração Trump, reflete mais um ato de pressão política do que uma preocupação legítima com a competitividade de mercado. O Brasil reiterou que o sistema PIX foi desenvolvido com recursos públicos e atende a necessidades internas, não sendo passível de controle ou influência estrangeira.
PIX como ferramenta de independência econômica
Com a frase “PIX é nosso, my friend”, o governo também reforça a ideia de que o país precisa proteger suas inovações e buscar independência digital e financeira. O sistema de pagamentos instantâneos está no centro dessa discussão, pois representa um modelo mais inclusivo e eficiente.
O PIX não é apenas um sistema bancário: ele é um instrumento de política pública. Ao permitir a transferência de valores entre cidadãos sem intermediação de grandes bancos ou empresas privadas, ele fortalece a cidadania econômica e garante maior autonomia aos brasileiros.
Hoje, o uso do PIX já se estende à assistência social, a programas de renda mínima e à arrecadação de tributos. O “PIX é nosso, my friend” é, portanto, um grito de afirmação: o Brasil quer e deve controlar seus próprios sistemas estratégicos.
Como o bordão virou campanha viral
A frase “PIX é nosso, my friend” viralizou no X (antigo Twitter), Instagram, TikTok e outras plataformas. Influenciadores, economistas, humoristas e até políticos reproduziram a postagem. Memes e montagens com a frase dominaram o debate público.
O uso do inglês, nesse caso, não foi gratuito: ele foi pensado como uma resposta direta a Donald Trump, que havia mencionado medidas comerciais contra o Brasil. O bordão carrega um simbolismo linguístico de soberania — ou seja, mesmo ao falar em inglês, o governo brasileiro reivindica a posse de algo que é legitimamente seu: o PIX.
Implicações diplomáticas e comerciais
A tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos cresce em um momento delicado da economia global. Trump, com sua política protecionista, tenta controlar o avanço de sistemas estrangeiros que desafiem a hegemonia das big techs americanas.
A postura brasileira ao defender que “PIX é nosso, my friend” é vista por especialistas como uma atitude firme, que pode colocar o país em destaque internacional como líder em inovação financeira. Também reacende o debate sobre o controle das infraestruturas digitais essenciais e o papel dos governos na regulação de novas tecnologias.
Ao rebater a acusação americana com humor e assertividade, o Brasil ganha protagonismo e consolida sua posição como pioneiro em serviços digitais públicos.
A importância de manter o PIX público e gratuito
O sucesso do PIX também levanta uma discussão interna sobre a importância de mantê-lo como um serviço público gratuito. Qualquer tentativa de privatização ou cobrança de taxas poderia comprometer o alcance e a eficácia do sistema.
Por isso, a campanha “PIX é nosso, my friend” serve como um alerta: o sistema precisa continuar sendo operado pelo Estado, com foco no interesse público e não nos lucros de empresas financeiras. Ele já se provou capaz de incluir milhões de pessoas na economia formal e promover a digitalização de pequenos negócios.
Um modelo a ser exportado?
Muitos países já demonstraram interesse em replicar o modelo do PIX. O Banco Central do Brasil chegou a assinar memorandos com instituições da Europa, América Latina e Ásia. A frase “PIX é nosso, my friend” também pode ser vista como um lembrete de que o Brasil lidera essa inovação — e que merece reconhecimento por isso.
Mas para exportar, o país precisa primeiro consolidar a proteção jurídica e diplomática do sistema. A retaliação americana é um obstáculo que pode abrir precedente perigoso para tentativas de ingerência internacional em ferramentas públicas digitais.
A frase “PIX é nosso, my friend” vai muito além de um meme. Ela representa uma bandeira de orgulho nacional, uma defesa do serviço público eficiente e um posicionamento firme contra interesses econômicos externos que tentam pressionar o Brasil.
O episódio mostra que inovação tecnológica, soberania digital e diplomacia podem — e devem — caminhar juntos. E que o povo brasileiro, ao adotar com entusiasmo o PIX, tornou-se protagonista de uma revolução financeira que agora ganha o mundo.






