Anistia do 8 de janeiro é tratada como afronta ao STF em reunião de Lula com Fachin e Moraes
O projeto de lei que prevê a anistia do 8 de janeiro, incluindo benefícios ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi classificado como afronta direta ao Supremo Tribunal Federal (STF). O tema dominou o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, realizado no Palácio do Planalto.
Para os ministros, a anistia ameaça a Constituição, mina a autoridade do Judiciário e deslegitima o esforço institucional de responsabilizar os envolvidos na tentativa de golpe de Estado. A medida gerou forte reação política e abriu novo capítulo na relação entre os Três Poderes.
Votação da urgência na Câmara
A reunião ocorreu na véspera da votação do requerimento de urgência do PL da anistia do 8 de janeiro na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que o texto seria pautado nesta quarta-feira (18).
O Palácio do Planalto, em resposta, intensificou sua articulação para barrar o avanço da proposta. Ministros do Centrão foram acionados para mobilizar suas bancadas contra a urgência. Uma derrota nessa fase representaria um bloqueio imediato à tramitação.
Fachin assume a presidência do STF
No encontro, Fachin entregou a Lula o convite para sua posse como presidente do STF, marcada para o dia 29 de setembro. Ele comandará a Corte no biênio 2025-2027, substituindo Luís Roberto Barroso. Alexandre de Moraes assumirá a vice-presidência.
Ambos reforçaram que a anistia do 8 de janeiro é inconstitucional, já que comprometeria decisões judiciais transitadas em julgado e abriria precedente perigoso de impunidade.
O simbolismo do relógio restaurado
Durante a reunião, Lula, Fachin e Moraes posaram em frente ao relógio de Balthazar Baltimore, peça do século XVII destruída nos ataques de 8 de janeiro e restaurada em parceria com a embaixada suíça.
O gesto foi interpretado como símbolo da resiliência institucional e da reconstrução democrática. Ao lado do objeto histórico reparado, as lideranças reforçaram o compromisso contra qualquer tentativa de apagar as responsabilidades pelos atos golpistas.
O governo em cruzada contra a anistia
O Planalto lançou uma verdadeira cruzada política para impedir a anistia do 8 de janeiro. O argumento central é que perdoar os envolvidos enfraqueceria o Estado Democrático de Direito, estimularia a impunidade e abriria espaço para novos ataques às instituições.
Do outro lado, defensores da proposta alegam que a anistia seria um caminho para a pacificação nacional. Essa tese, no entanto, é rejeitada pelo STF, que vê no projeto um retrocesso inaceitável.
Os riscos institucionais da anistia
Especialistas alertam que a aprovação da anistia do 8 de janeiro pode gerar sérias consequências jurídicas e políticas:
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Esvaziamento de decisões judiciais já transitadas em julgado, enfraquecendo a separação dos poderes.
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Prejuízo à democracia, ao perdoar atos que tiveram como objetivo abolir o Estado de Direito.
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Incentivo a novos ataques, por sinalizar tolerância a crimes de natureza golpista.
Por isso, a proposta é vista não apenas como inconstitucional, mas como um risco para a estabilidade do país.
O papel do STF na defesa da democracia
Desde os ataques de janeiro de 2023, o STF tem atuado de forma central na responsabilização de financiadores, articuladores e executores da tentativa de golpe. A aprovação da anistia do 8 de janeiro representaria um revés a esse trabalho e fragilizaria a autoridade da Corte.
Fachin e Moraes deixaram claro que o Supremo não aceitará que decisões judiciais sejam anuladas por pressões políticas. O alinhamento com o Planalto mostra que Executivo e Judiciário se posicionam de forma conjunta contra a proposta.
A anistia do 8 de janeiro tornou-se um dos temas mais sensíveis da agenda política nacional, colocando Congresso, Planalto e STF em rota de colisão. Enquanto o governo articula para barrar o projeto, o Judiciário reforça que perdoar crimes contra a democracia é inaceitável.
O encontro entre Lula, Fachin e Moraes reforçou a unidade institucional contra a medida e simbolizou, diante do relógio restaurado, a determinação em preservar a democracia diante das ameaças representadas pelo projeto.






