Pix nos EUA: Como o sistema brasileiro está revolucionando o varejo americano apesar das críticas de Trump
O Pix nos EUA deixou de ser uma expectativa futura para se tornar uma realidade presente e disruptiva. Mesmo sob críticas do presidente norte-americano Donald Trump, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil vem conquistando espaço no varejo físico americano. O lançamento recente realizado pela gigante Verifone, em parceria com a fintech PagBrasil, marca um passo decisivo na internacionalização do Pix. Com integração direta às maquininhas nos Estados Unidos, o sistema promete mudar a forma como turistas brasileiros consomem fora do país — e como o comércio americano se adapta à nova realidade global dos meios de pagamento.
Como o Pix nos EUA funciona na prática
A implementação do Pix nos EUA segue o mesmo padrão adotado no Brasil: o lojista insere o valor da compra em dólares na maquininha da Verifone, que gera um QR Code. O turista brasileiro, então, escaneia o código com o aplicativo do seu banco no Brasil e visualiza o valor convertido automaticamente em reais, já com o IOF de 3,5% embutido. A transação é confirmada em segundos e o valor entra na conta do comerciante americano em tempo real.
Essa facilidade dispensa o uso de cartões de crédito internacionais e traz economia ao consumidor e ao lojista. O custo da operação gira em torno de 2% por transação, mais baixo do que a média cobrada por operadoras de cartões, que varia entre 2% a 3% mais taxas fixas.
Por que o Pix está ganhando espaço nos EUA
O interesse dos varejistas americanos no Pix nos EUA se intensificou diante do aumento do número de turistas brasileiros no país. Somente em 2024, 1,9 milhão de brasileiros visitaram os Estados Unidos, movimentando cerca de US$ 4,1 bilhões. A expectativa é que esse número cresça ainda mais com a chegada da Copa do Mundo de 2026, o que torna o Pix uma ferramenta estratégica para capturar o poder de compra desse público.
Outro fator decisivo é a estrutura tecnológica da Verifone, presente em 75% dos grandes varejistas dos EUA e com presença global em 165 países. Com a utilização da API de métodos alternativos de pagamento, o Pix pode ser integrado sem que os lojistas precisem atualizar seus equipamentos ou sistemas.
Expansão internacional do Pix: Portugal, Argentina, Colômbia e agora EUA
A chegada do Pix nos EUA é mais um capítulo da sua expansão internacional. Em 2023, Portugal foi o primeiro país europeu a incorporar o sistema, por meio do Braza Bank e da adquirente Unicre. A Argentina seguiu o exemplo com o Mercado Pago, e em 2024, a Colômbia desenvolveu um sistema inspirado no Pix, chamado Bre-B, com tecnologia da fintech Dock.
Esse movimento global comprova a robustez do sistema brasileiro e como ele serve de modelo para outros países que buscam modernizar suas estruturas de pagamentos digitais.
Pix: um desafio à hegemonia financeira dos EUA?
A entrada do Pix nos EUA não passou despercebida pelo governo americano. O presidente Donald Trump manifestou preocupação com o avanço do sistema brasileiro, considerando-o uma ameaça à hegemonia das empresas norte-americanas no setor financeiro, como Visa e Mastercard. Segundo Trump, o modelo brasileiro pode afetar a competitividade das companhias dos EUA no setor de pagamentos eletrônicos.
Ele pediu que o Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) investigasse o Pix, alegando que o Brasil estaria adotando práticas desleais ao favorecer soluções estatais de pagamento. O relatório da USTR afirma que o Pix “pode prejudicar a competitividade das empresas americanas” e dificultar o acesso ao mercado por meio do aumento de riscos e custos.
Resposta brasileira e defesa do Pix
Diante das críticas, o governo brasileiro defendeu o Pix nos EUA como um exemplo de inovação e inclusão financeira. Campanhas nas redes sociais destacaram o impacto positivo do sistema para pequenos e microempresários e sua importância para a economia nacional. Além disso, ressaltou-se que o Pix nasceu de uma demanda por alternativas mais modernas, rápidas e gratuitas em relação às antigas TEDs e DOCs — e que esse modelo de eficiência pode, sim, ser exportado.
Benefícios do Pix para os consumidores brasileiros nos EUA
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Sem necessidade de cartão de crédito internacional: elimina tarifas de conversão e taxas bancárias extras.
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Câmbio em tempo real: permite ao consumidor saber exatamente quanto está pagando em reais, com IOF embutido.
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Velocidade e praticidade: o pagamento é confirmado em segundos, assim como ocorre no Brasil.
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Segurança: o sistema é altamente confiável, com autenticação pelo aplicativo bancário e transações rastreáveis.
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Conveniência para turistas: oferece uma experiência de compra familiar, como se estivessem comprando no Brasil.
Impacto para o varejo norte-americano
A adesão ao Pix nos EUA oferece vantagens claras aos lojistas americanos:
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Redução de custos com taxas: custo fixo de 2% sem encargos adicionais.
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Liquidação imediata: melhora o fluxo de caixa dos comerciantes.
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Menor risco de fraudes: pagamentos não podem ser contestados como os realizados com cartão.
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Ampliação da base de clientes: atrai turistas brasileiros que preferem usar o Pix em vez de cartões.
Além disso, com a previsão de aumento no número de visitantes brasileiros, o Pix se torna uma ferramenta estratégica para o varejo americano, especialmente em destinos populares como Nova York, Miami e Orlando.
Pix como símbolo de independência digital e inovação
Desde o seu lançamento, o Pix vem transformando o cenário financeiro do Brasil. Em 2023, o sistema movimentou mais de R$ 26 trilhões, ultrapassando as transações com cartões e transferências tradicionais. Essa adoção em massa impulsionou a bancarização e promoveu uma nova era de acessibilidade financeira.
Agora, com o Pix nos EUA, o Brasil mostra ao mundo que é possível criar soluções próprias, eficientes e que desafiem os padrões estabelecidos pelas grandes corporações financeiras globais.
A chegada do Pix nos EUA é um marco histórico para o sistema financeiro brasileiro e para a internacionalização de tecnologias desenvolvidas no país. Mesmo sob críticas e resistências políticas, o Pix avança com apoio do mercado e das grandes empresas de tecnologia de pagamentos. A sua popularização entre os turistas brasileiros e os varejistas americanos indica um novo rumo para os meios de pagamento internacionais — mais ágeis, acessíveis e alinhados às demandas de um consumidor global conectado.






