EUA destacam apoio global ao plano de paz de Trump em Gaza, mas Brasil fica de fora
O governo dos Estados Unidos divulgou, nesta quarta-feira (1º), uma lista com 27 manifestações de apoio ao plano de paz de Trump para encerrar o conflito em Gaza. O anúncio, que contou com a divulgação oficial da Casa Branca e compartilhamento pelo ex-presidente em sua rede Truth Social, evidenciou a adesão de diversos líderes internacionais. No entanto, um detalhe chamou a atenção: o Brasil não apareceu entre os países citados.
A ausência brasileira levanta questionamentos sobre a postura diplomática do país em relação ao conflito entre Israel e Hamas e pode representar um desafio para a política externa conduzida pelo Itamaraty. Apesar disso, o chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil ainda analisava a proposta e poderia anunciar apoio nos próximos dias.
O que é o plano de paz de Trump em Gaza
Apresentado em Washington, o plano de paz de Trump busca encerrar a guerra em Gaza por meio de 20 pontos centrais. A proposta foi elaborada pela equipe republicana em parceria com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Entre as medidas, estão:
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cessar-fogo imediato;
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desarmamento progressivo do Hamas;
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fortalecimento da presença de Israel na região;
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garantias de segurança militar;
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início de negociações diplomáticas para um novo acordo regional.
O Hamas, entretanto, rejeitou o documento, alegando que a proposta favorece exclusivamente os interesses de Israel.
Apoio internacional ao plano
Segundo o Departamento de Estado, líderes de 27 países e organizações internacionais enviaram mensagens apoiando o plano de paz de Trump. Entre os principais apoiadores estão:
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Reino Unido, França e Alemanha, que destacaram a necessidade de estabilizar o Oriente Médio;
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Egito e Jordânia, que veem a proposta como caminho para conter a escalada militar;
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Nações africanas e asiáticas que reforçaram a importância de um cessar-fogo imediato.
Trump, em sua rede social, compartilhou 23 das manifestações recebidas, destacando o apoio de seus aliados mais próximos.
Brasil fora da lista oficial
Apesar de manifestações diplomáticas recentes, o Brasil não foi citado pelo governo americano. Para especialistas em política internacional, essa exclusão pode estar ligada a dois fatores:
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O tempo de resposta do Brasil – o Itamaraty só tomou conhecimento do conteúdo completo do plano no final da tarde de terça-feira (30).
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A postura mais cautelosa do governo brasileiro – que busca equilibrar suas relações entre EUA, Israel, Palestina e países árabes.
O chanceler Mauro Vieira declarou que o Brasil “vai aplaudir publicamente” o plano, mas essa sinalização não foi incluída nos comunicados divulgados por Washington.
Netanyahu e o apoio a Trump
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, exaltou a iniciativa, afirmando que o plano de paz de Trump representa “um passo crucial para encerrar a guerra em Gaza e preparar o terreno para avanços duradouros na paz regional”.
Para Netanyahu, a proposta fortalece Israel e cria condições para negociar com outros países do Oriente Médio, alinhando segurança militar a estratégias diplomáticas.
O impacto da ausência do Brasil
O Brasil, tradicionalmente reconhecido por sua atuação em fóruns multilaterais e pela defesa da solução de dois Estados, pode perder espaço no debate internacional ao não figurar entre os primeiros apoiadores do plano de paz de Trump.
Analistas destacam que a diplomacia brasileira busca se reposicionar no cenário global, mas o episódio pode evidenciar fragilidades na articulação com Washington. Ainda assim, há expectativa de que o governo anuncie formalmente apoio ao plano nos próximos dias, como sinalizou o ministro das Relações Exteriores.
Caminhos para o futuro de Gaza
Embora o plano de paz de Trump tenha recebido apoio significativo, os obstáculos permanecem:
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O Hamas segue resistente, exigindo garantias de soberania palestina;
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Parte da comunidade internacional questiona o equilíbrio da proposta;
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Há dúvidas sobre a viabilidade prática de implementar medidas de segurança em uma região marcada por décadas de conflito.
Especialistas acreditam que, mesmo sem consenso imediato, a proposta reacende o debate sobre soluções políticas para Gaza e pressiona atores regionais a negociarem.
Repercussão no cenário político interno dos EUA
Além do impacto internacional, o plano de paz de Trump é visto como um movimento estratégico para fortalecer sua imagem em meio ao cenário político americano. A apresentação ao lado de Netanyahu buscou reforçar a aliança histórica entre EUA e Israel e consolidar o papel republicano como protagonista em assuntos globais.
O tema deve ganhar espaço nas eleições presidenciais de 2026, principalmente no debate sobre segurança nacional e política externa.
O lançamento do plano de paz de Trump amplia as discussões sobre o futuro de Gaza e evidencia os alinhamentos internacionais em torno da proposta. O apoio de grandes potências reforça o protagonismo dos EUA no Oriente Médio, enquanto a ausência do Brasil demonstra o desafio da diplomacia nacional em se posicionar de forma clara em um cenário geopolítico cada vez mais polarizado.
Nos próximos dias, a reação oficial do governo brasileiro será determinante para definir se o país se alinhará aos apoiadores do plano ou manterá uma postura mais independente.






