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Preço do cacau despenca 65% em dois anos e coloca produtores brasileiros em alerta

por Antônio Lima
12/02/2026 às 12h59
em Agronegócio
Preço Do Cacau Despenca 65% Em Dois Anos E Coloca Produtores Brasileiros Em Alerta - Gazeta Mercantil

Cacau em crise: preço despenca 65% em dois anos e setor entra em alerta no Brasil

A forte queda no mercado internacional colocou o preço do cacau no centro de uma das mais intensas turbulências já enfrentadas pela cadeia produtiva da amêndoa. Em menos de dois anos, a tonelada negociada na bolsa de Nova York acumulou retração de 65,6%, saindo de US$ 10.945,62, em maio de 2024, para US$ 3.761,26, em fevereiro de 2026.

A desvalorização abrupta do preço do cacau ocorre em meio a um cenário de excesso de oferta global, retração da demanda internacional e pressão competitiva sobre produtores brasileiros. O movimento, que inicialmente parecia apenas uma correção após um ciclo de forte valorização, transformou-se em uma crise estrutural que já provoca protestos, bloqueios de rodovias e forte mobilização política no país.

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O impacto da derrocada do preço do cacau vai além das bolsas internacionais. Ele atinge diretamente milhares de produtores rurais, trabalhadores da cadeia agroindustrial e regiões inteiras cuja economia depende da cultura cacaueira, especialmente na Bahia e no Pará.


Excesso de oferta derruba o preço do cacau no mercado global

O fator determinante para a queda do preço do cacau é o desequilíbrio entre oferta e demanda. Países africanos como Costa do Marfim e Gana, que concentram grande parte da produção mundial, acumularam estoques expressivos após sucessivas safras robustas.

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Até 2025, o mercado vivia o oposto: oferta restrita e demanda aquecida. Esse cenário impulsionou o preço do cacau a patamares históricos, gerando euforia no setor. Contudo, a reversão foi rápida e intensa.

Em 2026, a combinação de produção elevada com desaceleração no consumo global provocou forte pressão baixista. Indústrias passaram a reduzir compras, ajustando estoques, enquanto tradings internacionais ampliaram a liquidez vendedora nos contratos futuros.

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O resultado foi um mergulho acelerado no preço do cacau, com reflexos diretos na renda dos produtores.


Demanda internacional enfraquece e agrava a crise

Outro elemento central para entender o colapso do preço do cacau é a retração da demanda mundial. O consumo de chocolate e derivados, altamente sensível a ciclos econômicos, sofreu com desaceleração em mercados estratégicos.

Em períodos de incerteza econômica, consumidores tendem a reduzir gastos considerados não essenciais. Esse comportamento impacta diretamente o processamento da amêndoa e, consequentemente, o preço do cacau.

Com estoques elevados e menor ritmo de compras, a pressão sobre as cotações tornou-se inevitável. O mercado internacional passou a absorver menos volume, ampliando o excedente disponível.


Brasil sente o impacto e produtores reagem

No Brasil, a crise do preço do cacau ganhou contornos sociais e políticos. Em janeiro, a Federação da Agricultura da Bahia divulgou nota pública contra as importações africanas, apontando desequilíbrio competitivo.

Sindicatos, produtores e trabalhadores chegaram a interditar rodovias em protesto contra a queda da rentabilidade. O argumento central é que o baixo preço do cacau inviabiliza a produção nacional diante dos custos crescentes.

Maria Goretti Gomes, representante da Federação da Agricultura do Pará, resume a inversão do mercado. Segundo ela, até 2025 havia escassez de oferta e forte demanda, o que sustentava o preço do cacau em níveis elevados. Em 2026, o cenário se inverteu completamente: sobra produto e falta comprador.

Essa mudança abrupta colocou a sustentabilidade financeira de muitos cacauicultores em risco.


Deságio pressiona ainda mais o preço do cacau no Brasil

Além da queda nas bolsas internacionais, produtores brasileiros enfrentam outro problema: o deságio aplicado por compradores sobre o produto nacional.

Mesmo com o preço do cacau já pressionado no mercado externo, negociações internas registram valores ainda menores. O diferencial negativo reduz drasticamente a margem do produtor.

A elevação dos custos de insumos, mão de obra e logística amplia a compressão financeira. Muitos relatam que o atual preço do cacau mal cobre as despesas operacionais.

A combinação de cotação internacional em baixa e desconto interno cria um ambiente de forte desestímulo à continuidade da cultura.


Importações isentas ampliam tensão no setor

Um dos principais pontos de reivindicação do setor é o regime de importação. Atualmente, o cacau estrangeiro entra no Brasil sem taxação, segundo produtores.

Na avaliação das entidades representativas, essa política agrava a queda do preço do cacau no mercado interno, ao aumentar a concorrência com produto mais barato.

A pressão sobre o governo federal inclui pedidos de revisão tarifária e mecanismos de proteção temporária. O objetivo é reequilibrar a competitividade enquanto o preço do cacau atravessa um dos ciclos mais negativos da história recente.


Sustentabilidade financeira em risco nas regiões produtoras

O impacto do preço do cacau não se limita às propriedades rurais. Municípios inteiros da Bahia e do Pará dependem da atividade como fonte primária de renda e geração de empregos.

Com a queda acentuada do preço do cacau, o comércio local, o transporte e os serviços associados à cadeia produtiva também sofrem retração.

Especialistas em economia agrícola alertam que ciclos prolongados de baixa podem resultar em abandono de áreas produtivas e migração para outras culturas. Esse movimento altera a dinâmica regional e pode comprometer a recuperação futura da oferta.


Volatilidade histórica marca o ciclo do preço do cacau

O mercado da commodity sempre foi marcado por volatilidade, mas a intensidade atual chama atenção. O salto que levou o preço do cacau acima de US$ 10 mil por tonelada foi considerado excepcional.

Da mesma forma, a queda para pouco mais de US$ 3.700 em fevereiro de 2026 evidencia a natureza cíclica do setor. Investidores e produtores convivem com oscilações influenciadas por clima, geopolítica, estoques e consumo.

A diferença é que, neste momento, o ajuste ocorre com excesso estrutural de oferta, tornando a recuperação do preço do cacau mais dependente de reequilíbrio global do que de choques pontuais.


Margem mínima leva produtores a reconsiderar a cultura

Com custos elevados e receita comprimida, muitos agricultores relatam que o atual preço do cacau compromete a viabilidade econômica da atividade.

A margem, que já foi confortável durante o ciclo de alta, tornou-se estreita. Em alguns casos, negativa.

Esse cenário provoca debates sobre diversificação produtiva, redução de área plantada e até abandono definitivo da cultura. A incerteza em torno da recuperação do preço do cacau aumenta o grau de risco nas decisões de investimento.


Pressão política e expectativa por medidas emergenciais

A crise do preço do cacau também ganhou dimensão política. Entidades setoriais intensificaram o diálogo com autoridades federais em busca de soluções.

Entre as propostas estão revisão de importações, linhas de crédito emergenciais e políticas de sustentação de preços.

O governo monitora o impacto da queda do preço do cacau sobre emprego, arrecadação e equilíbrio regional. O desafio é encontrar medidas que preservem a competitividade sem distorcer excessivamente o mercado.


Mercado testa resiliência do setor cacaueiro brasileiro

O momento atual representa um teste de resiliência para a cadeia produtiva. O comportamento do preço do cacau nos próximos meses dependerá da absorção dos estoques globais e da retomada da demanda internacional.

Enquanto isso, produtores brasileiros enfrentam um ambiente de forte pressão financeira e incerteza estratégica.

A trajetória do preço do cacau tornou-se indicador-chave para avaliar não apenas a saúde do mercado internacional, mas também a sustentabilidade econômica de milhares de famílias que dependem da amêndoa.


Crise do preço do cacau redefine o futuro da produção nacional

A magnitude da queda recente altera o planejamento do setor para os próximos anos. O novo patamar do preço do cacau exige revisão de custos, eficiência operacional e posicionamento comercial.

O Brasil, que busca ampliar sua relevância no mercado internacional, agora enfrenta o desafio de preservar competitividade em um ambiente adverso.

A crise atual não é apenas conjuntural. O comportamento do preço do cacau revela um ciclo de reequilíbrio global que poderá redefinir fluxos comerciais, estratégias industriais e políticas agrícolas.

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