Queda do Bitcoin se intensifica com impacto de ativos de inteligência artificial e instabilidade global
O bitcoin iniciou nesta quinta-feira (12) o terceiro dia consecutivo de baixa, sofrendo forte impacto das turbulências nos mercados globais de tecnologia e do avanço da inteligência artificial no setor financeiro. Por volta das 18h15, a criptomoeda recuava 2,92%, cotada a US$ 65.656,80, enquanto o ethereum (ETH) caía 1,71%, atingindo US$ 1.920,63, segundo dados da plataforma Binance.
A desvalorização do bitcoin ocorre em um momento de alta volatilidade para ativos digitais, refletindo não apenas a pressão dos mercados de tecnologia nos Estados Unidos e na Europa, mas também o recuo nos preços das commodities metálicas. Investidores monitoram atentamente os sinais da política monetária do Federal Reserve (Fed), diante dos últimos indicadores econômicos e das tensões geopolíticas em várias regiões do mundo.
Mercado digital em ajuste estratégico
Segundo analistas do Saxo Bank, o momento atual do mercado de criptomoedas está sendo interpretado como um período de “cautela estratégica”. O posicionamento dos investidores, embora ajustado, ainda não sinaliza abandono do setor.
“No geral, o posicionamento está sendo ajustado, mas não abandonado”, afirmam especialistas, indicando que há uma realocação de recursos e uma revisão das estratégias de investimento em ativos digitais, principalmente frente às recentes flutuações da inteligência artificial e ao movimento dos juros nos EUA.
A pressão sobre o bitcoin reflete um cenário mais amplo: empresas com exposição à criptomoeda também sofrem perdas significativas, amplificando os efeitos no mercado financeiro global.
Empresas com bitcoin em caixa registram perdas em Nova York
Em Nova York, as ações de empresas detentoras de bitcoin estão entre as maiores perdedoras nesta quinta-feira, acompanhando a queda da principal criptomoeda. A Coinbase, plataforma de negociação de ativos digitais, registrou uma baixa de aproximadamente 8%, enquanto a Strategy cedia 4%.
O Charles Schwab alerta que a Strategy, reconhecida por gerir criptomoedas como parte de sua estratégia de reserva, acumula uma perda não realizada de US$ 17,4 bilhões em suas holdings de bitcoin. Analistas destacam que novas quedas podem desencadear liquidações forçadas, pressionando ainda mais o mercado de ativos digitais.
Essa situação evidencia como a queda do bitcoin pode gerar efeito cascata sobre empresas com grande exposição à criptomoeda, incluindo fundos de investimento, exchanges e startups do setor blockchain.
El Salvador mantém compras de bitcoin em meio à volatilidade
O impacto da queda do bitcoin não se limita ao setor privado. Em El Salvador, que adotou a criptomoeda como moeda legal, a volatilidade também se reflete nos mercados de dívida do país. Segundo a Bloomberg, o presidente Nayib Bukele segue comprando um bitcoin por dia para as reservas nacionais, mesmo diante da desvalorização recente.
Essa estratégia, porém, complica as negociações do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um empréstimo de US$ 1,4 bilhão. O governo salvadorenho enfrenta desafios para equilibrar a gestão fiscal e a manutenção de ativos digitais, evidenciando como a queda do bitcoin afeta decisões macroeconômicas em nações que adotaram a criptomoeda oficialmente.
Impacto da inteligência artificial no mercado de criptomoedas
Especialistas apontam que o avanço de ativos baseados em inteligência artificial tem aumentado a volatilidade do bitcoin e de outras criptomoedas. Sistemas automatizados de negociação e algoritmos de IA aceleram movimentos de compra e venda, tornando o mercado mais sensível a notícias e indicadores econômicos.
Investidores institucionais, como fundos de hedge e bancos internacionais, estão reavaliando suas posições em bitcoin e ethereum, incorporando modelos de risco que consideram a inteligência artificial como variável crítica. Essa mudança de paradigma aumenta a pressão sobre o preço das criptomoedas, evidenciando que a queda do bitcoin pode se intensificar caso novos algoritmos acelerem liquidações ou ajustes estratégicos.
Cenário global e expectativas para o mercado de criptoativos
O mercado global de ativos digitais enfrenta uma combinação de fatores desafiadores. Além da pressão da inteligência artificial, o bitcoin sofre influência de políticas monetárias restritivas, tensões geopolíticas e ajustes em mercados correlacionados, como ações de tecnologia e commodities metálicas.
Analistas do setor alertam que, se as condições persistirem, o bitcoin pode enfrentar novas quedas, impactando empresas com exposição direta e investidores individuais. O momento exige cautela, mas também abre oportunidades para estratégias de longo prazo em criptoativos, principalmente para aqueles com capacidade de absorver volatilidade.
No contexto atual, o movimento de desvalorização do bitcoin sinaliza a necessidade de adaptação de investidores institucionais e governos que detêm reservas digitais, reforçando o caráter global do impacto da criptomoeda e sua interligação com o mercado financeiro tradicional.






