terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Risco de Exclusão do Brasil do SWIFT Preocupa o Mercado e Alerta Investidores

Entenda o que está em jogo, os impactos já percebidos e por que a ameaça preocupa bancos, investidores e empresas

por Gabriel Monteiro
06/08/2025 às 10h30
em Economia
Risco De Exclusão Do Brasil Do Swift Preocupa O Mercado E Alerta Investidores Gazeta Mercantil - Economia

Risco de Exclusão do Brasil do SWIFT Gera Alerta no Mercado Financeiro

Nas últimas semanas, o mercado financeiro brasileiro tem vivido um cenário de instabilidade e atenção redobrada diante da possibilidade — ainda que remota — de exclusão do Brasil do sistema SWIFT, a principal rede de comunicação financeira internacional. Embora o país ainda não esteja formalmente na mira de sanções que justifiquem essa medida extrema, os efeitos de um possível afastamento do SWIFT já se manifestam no comportamento de instituições financeiras, investidores e autoridades do setor econômico.


O que é o sistema SWIFT?

O SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) é uma rede de comunicação internacional que conecta mais de 11 mil instituições financeiras em mais de 200 países. Sediado na Bélgica, o SWIFT funciona como uma linguagem universal segura para a realização de transações financeiras, como transferências internacionais, pagamentos interbancários, operações cambiais e emissões de cartas de crédito.

Mais do que apenas um meio de envio de mensagens, o SWIFT é considerado a espinha dorsal das transações financeiras globais. Sem ele, bancos e empresas enfrentam grandes dificuldades para operar em escala internacional.


SWIFT é controlado pelos EUA?

Diferente do que muitos imaginam, o SWIFT não é controlado unilateralmente pelos Estados Unidos. A organização é supervisionada por reguladores europeus e atua como uma entidade independente. No entanto, como boa parte das transações globais envolve o dólar americano, sanções impostas pelos EUA podem afetar indiretamente o uso do sistema SWIFT, especialmente por instituições financeiras que temem retaliações ao manter relações com países sancionados.


Por que surgiu o risco de exclusão do Brasil do SWIFT?

O temor de que o Brasil possa ser retirado do SWIFT ganhou força após um endurecimento diplomático entre o governo brasileiro e os Estados Unidos. As tensões aumentaram especialmente após a aplicação de sanções contra autoridades brasileiras com base na Lei Magnitsky, que prevê punições a envolvidos em violações de direitos humanos e corrupção.

Embora essas sanções tenham sido direcionadas a indivíduos específicos, o clima de incerteza levou a especulações sobre a possibilidade de medidas mais abrangentes. Especialistas avaliam que, mesmo sem exclusão formal do sistema, o Brasil pode estar sofrendo um processo de isolamento financeiro silencioso, algo que já ocorreu com países como Irã e Rússia antes de sua retirada oficial do SWIFT.


Casos anteriores: Rússia e Irã

A exclusão da Rússia do SWIFT, em 2022, ocorreu como parte de uma resposta internacional à invasão da Ucrânia. Bancos russos foram desconectados do sistema, o que dificultou severamente suas operações financeiras internacionais, resultando em fuga de capitais e desvalorização da moeda local.

Já o Irã enfrentou a exclusão do SWIFT em duas ocasiões: 2012 e 2018, por conta de seu programa nuclear. A medida causou colapso nas importações, escassez de produtos e isolamento comercial.

Esses dois precedentes evidenciam que o SWIFT pode ser usado como uma ferramenta de pressão geopolítica. Contudo, é importante frisar que as situações de Rússia e Irã envolviam violações graves de acordos internacionais e ameaças à segurança global — o que não se aplica ao Brasil neste momento.


O cenário brasileiro é diferente

O Brasil não está envolvido em conflitos armados, tampouco possui programas nucleares questionados pela comunidade internacional. Não há, até agora, movimentações formais da União Europeia, ONU ou EUA para aplicar uma sanção multilateral contra o país. Por isso, a exclusão do SWIFT ainda é considerada um risco remoto.

Porém, o problema não está apenas em sanções formais. O mercado já começa a sentir os reflexos de um boicote informal por parte de instituições financeiras internacionais, que evitam transações com entidades brasileiras para não se expor a possíveis sanções secundárias.


Sanções secundárias e seus efeitos

As chamadas sanções secundárias são punições aplicadas a empresas ou bancos estrangeiros que fazem negócios com entidades sancionadas pelos EUA. A mera suspeita de envolvimento já basta para que muitas instituições passem a adotar postura preventiva, recusando transferências, limitando acesso ao dólar ou encerrando relações comerciais.

Bancos brasileiros, como Itaú, Bradesco e BTG Pactual, já vêm revisando suas políticas de compliance para garantir que não sejam penalizados por ligações com autoridades ou instituições alvo de sanções. Essa cautela, embora compreensível, cria um ambiente de insegurança jurídica e financeira que afeta diretamente o fluxo de capitais.


Como isso afeta o mercado brasileiro?

O clima de incerteza tem efeitos concretos:

  • Dificuldade no acesso a crédito internacional

  • Desvalorização do real diante da menor entrada de dólares

  • Redução no investimento estrangeiro direto

  • Cautela por parte de empresas multinacionais

  • Complicações em importações e exportações

Empresas que dependem de operações internacionais já relatam atrasos em pagamentos, exigência de novas garantias e aumento de custos para realização de transferências.


O que o governo pode fazer?

Para afastar o risco e restaurar a confiança no Brasil como player global, especialistas recomendam ações imediatas em duas frentes:

1. Segurança jurídica

É necessário garantir que regras sejam claras, previsíveis e respeitadas. A segurança institucional é um dos principais fatores observados por investidores internacionais.

2. Diálogo diplomático

Restauração das relações com os EUA e demais aliados, por meio de canais diplomáticos ativos, pode evitar que a crise escale para medidas mais graves.


O que os bancos estão fazendo?

Diante do cenário, as principais instituições financeiras brasileiras adotaram as seguintes medidas:

  • Fortalecimento de políticas de compliance

  • Monitoramento reforçado de operações com entidades públicas

  • Revisão de contratos internacionais

  • Análise de risco geopolítico nas carteiras de crédito

Essas ações buscam evitar envolvimento com qualquer operação que possa violar restrições impostas por países como os Estados Unidos.


O que as empresas devem fazer?

Empresas com atuação internacional ou que dependem de insumos importados devem:

  • Diversificar fontes de financiamento

  • Ampliar relações com bancos fora dos EUA

  • Investir em estrutura de compliance e auditoria

  • Acompanhar com atenção os desdobramentos diplomáticos

O risco de exclusão do Brasil do sistema SWIFT ainda é considerado baixo, mas os impactos já sentidos no mercado financeiro acendem um sinal amarelo. O temor de sanções secundárias e o isolamento informal podem comprometer a confiança internacional no país, afetando o fluxo de investimentos e o crescimento econômico.

Manter o Brasil plenamente integrado ao sistema financeiro global exige ação coordenada entre setor público, bancos e iniciativa privada. É hora de atuar com firmeza para proteger a economia e garantir estabilidade em meio às turbulências geopolíticas.

LEIA MAIS

Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

No mês de setembro, a indústria brasileira de motocicletas cresceu 10,4% em relação ao ano anterior, com 186.758 unidades produzidas

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Economia

Governo anuncia Pix de até R$ 5 mil para MEIs e propõe perdão de dívidas

A menos de duas semanas para o segundo turno das eleições, o governo federal anunciou nesta terça-feira (13) o “Prospera MEI”, um pacote de medidas

Leia MaisDetails
Boletim Focus: Mercado Corta Projeção Da Inflação De 2026 Para 5,30% - Gazeta Mercantil
Economia

Boletim Focus: inflação de 2026 sobe para 5,22% e Selic projetada cai a 13,25%

Índice apresentou alta de 0,21 ponto percentual, indo par 5,22%; Selic e câmbio registraram queda nos resultados desta semana com estimativa de encerrar o ano em 13,25% e...

Leia MaisDetails
Plano Econômico De Flávio Bolsonaro Levanta Suspeitas De Estelionato Eleitoral - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Plano econômico de Flávio Bolsonaro levanta suspeitas de estelionato eleitoral

O programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL) para um eventual governo a partir de 2027 passou a ser questionado pela falta de detalhamento sobre como o candidato pretende...

Leia MaisDetails
As Novas Regras Do Governo Para A Publicidade De Bets Após Polêmica Na Copa Do Mundo: Veja O Que É Proibido
Economia

Bancos começam a devolver R$ 1,3 bilhão a apostadores de bets; veja como receber

Os bancos e as instituições financeiras começam nesta sexta-feira (9) a devolver cerca de R$ 1,325 bilhão que permaneceu nas contas

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

18:45:21
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Leia MaisDetails
Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

Leia MaisDetails
Vivara Aprova Emissão De R$ 300 Milhões Em Debêntures Com Vencimento Em 2031-Gazeta Mercantil
Empresas

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP