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Trump ameaça atacar usinas do Irã e dá ultimato sobre Estreito de Ormuz: crise pode impactar o petróleo global

por Eduardo Toscano
22/03/2026 às 00h57
em Mundo
Trump Ameaça Atacar Usinas Do Irã E Dá Ultimato Sobre Estreito De Ormuz: Crise Pode Impactar O Petróleo Global - Gazeta Mercantil - Mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou significativamente o tom contra o Irã neste sábado (21) ao ameaçar atacar a infraestrutura energética do país caso Teerã não reabra o Estreito de Ormuz no prazo de 48 horas.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que poderá ordenar a destruição de usinas elétricas iranianas, começando pela maior delas, caso o governo iraniano não garanta a livre navegação na região — considerada uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o transporte global de petróleo.

Leia também: Trump pode comprar carne da Argentina para conter inflação e reforçar aliança com Javier Milei.

A declaração ocorre em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio e reforça o discurso agressivo do republicano contra o regime iraniano, reacendendo preocupações internacionais sobre um possível conflito de maiores proporções.

Ameaça direta à infraestrutura energética

No centro da nova crise está o papel estratégico do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo. Qualquer interrupção no fluxo de navios petroleiros na região tem potencial para provocar impactos imediatos nos preços internacionais da commodity, afetando cadeias produtivas e economias dependentes de energia fóssil.

Ao mencionar explicitamente a possibilidade de atingir usinas elétricas iranianas, Trump amplia o espectro de confronto para além de alvos militares convencionais, mirando diretamente a infraestrutura civil crítica do país. Analistas internacionais avaliam que esse tipo de ameaça representa uma escalada relevante, com potencial de provocar reações duras por parte de Teerã.

Minutos antes, Trump havia afirmado ter “varrido o Irã do mapa” em ações recentes, além de sustentar que atingiu seus objetivos antes do previsto. A retórica, marcada por tom triunfalista, não veio acompanhada de detalhes concretos sobre operações militares recentes, o que aumenta a incerteza no cenário internacional.

Críticas à imprensa e disputa de narrativas

No mesmo conjunto de publicações, Trump direcionou críticas ao jornalista David Sanger, do The New York Times. O analista havia levantado questionamentos sobre a eficácia das ações norte-americanas e se os objetivos estratégicos realmente teriam sido alcançados.

Trump reagiu de forma contundente, classificando Sanger como “medíocre” e acusando o jornal de manter uma cobertura “incompetente”. O ex-presidente tem histórico de confrontos com veículos de imprensa tradicionais, frequentemente acusando-os de distorcer fatos ou minimizar suas ações políticas e militares.

A troca de críticas evidencia não apenas o embate entre o líder político e a mídia, mas também a disputa de narrativas em torno de um tema altamente sensível, com impactos globais.

Declarações sobre capacidade militar iraniana

Em sua postagem, Trump afirmou que a liderança iraniana estaria desarticulada e que forças estratégicas, como a marinha e a força aérea, estariam “mortas”. Segundo ele, o país não teria mais capacidade de defesa e estaria pressionando por um acordo.

“Eles não têm absolutamente nenhuma defesa e querem um acordo. Eu não”, escreveu o republicano, sinalizando uma postura de endurecimento nas negociações.

Especialistas em geopolítica, no entanto, alertam que declarações dessa natureza podem não refletir integralmente a realidade do cenário militar. O Irã mantém capacidades assimétricas relevantes, incluindo influência sobre milícias regionais e controle indireto de pontos estratégicos no Oriente Médio.

Impactos globais e risco para o mercado de petróleo

A possibilidade de fechamento ou restrição do Estreito de Ormuz é considerada um dos maiores riscos geopolíticos para o mercado global de energia. Países produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, dependem da passagem pelo estreito para exportar petróleo.

Qualquer bloqueio pode provocar disparada nos preços internacionais do barril, pressionando a inflação global e afetando diretamente países importadores, como o Brasil.

Além disso, a ameaça de ataques a infraestruturas energéticas levanta preocupações sobre uma eventual interrupção prolongada na produção e distribuição de energia no Irã, o que poderia desencadear efeitos em cadeia na região.

Repercussão internacional e possíveis desdobramentos

Até o momento, não houve resposta oficial imediata do governo iraniano às declarações de Trump. No entanto, historicamente, Teerã tem reagido com firmeza a ameaças externas, especialmente quando envolvem sua soberania ou infraestrutura estratégica.

Organizações internacionais e líderes de outras potências tendem a acompanhar o caso com cautela, uma vez que qualquer escalada militar entre Estados Unidos e Irã pode gerar consequências amplas, incluindo envolvimento indireto de aliados e impactos humanitários.

Diplomaticamente, a situação pode dificultar ainda mais a retomada de negociações sobre programas nucleares e acordos de segurança na região, ampliando o ambiente de instabilidade.

Imigração volta à pauta interna

Além das tensões internacionais, Trump também utilizou a mesma rede social para abordar temas domésticos. Em outra publicação, voltou a defender medidas mais rígidas contra a imigração ilegal nos Estados Unidos.

O republicano afirmou que o Immigration and Customs Enforcement (ICE) estaria pronto para intensificar operações já a partir de segunda-feira, sinalizando endurecimento na política migratória.

A estratégia de combinar temas de segurança nacional com pautas internas é recorrente no discurso de Trump, especialmente em momentos de alta visibilidade política.

Cenário de incerteza e atenção global

As declarações do ex-presidente ampliam o clima de tensão geopolítica em um momento já delicado para a segurança internacional. O envolvimento direto de grandes potências em disputas no Oriente Médio historicamente resulta em volatilidade nos mercados e aumento do risco de conflitos armados.

Investidores, governos e analistas acompanham com atenção os próximos desdobramentos, especialmente qualquer movimentação militar ou resposta oficial do Irã.

Enquanto isso, o Estreito de Ormuz permanece como um dos pontos mais sensíveis do mapa geopolítico mundial — e, agora, novamente no centro de uma crise que pode redesenhar o equilíbrio de forças na região.

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