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Virgínia Fonseca na CPI das Bets: o que está por trás da convocação da influenciadora?

por Gabriel Monteiro
13/05/2025 às 11h36
em Brasil
Virgínia Fonseca Na Cpi Das Bets - Gazeta Mercantil

Virgínia Fonseca na CPI das Bets: o que está por trás da convocação da influenciadora?

Brasília, 13 de maio de 2025 – A influenciadora digital Virgínia Fonseca, um dos maiores nomes do marketing de influência no Brasil, com mais de 53 milhões de seguidores no Instagram, foi convocada a depor nesta terça-feira (13) na CPI das Bets, no Senado Federal. O foco da comissão é apurar o impacto das plataformas de apostas online nas famílias brasileiras e suas possíveis conexões com crimes financeiros, e Virgínia, com contratos milionários com casas de apostas, está no centro da polêmica.

A audiência promete chamar atenção nacional por envolver temas sensíveis como publicidade nas redes sociais, ética na promoção de jogos de azar e o possível envolvimento de influenciadores com atividades ilícitas como lavagem de dinheiro.

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O que é a CPI das Bets?

A Comissão Parlamentar de Inquérito das Apostas Esportivas, apelidada de CPI das Bets, foi instaurada com o objetivo de investigar a atuação de plataformas de apostas no Brasil, seus impactos sociais e possíveis irregularidades. A comissão, presidida por parlamentares preocupados com o avanço descontrolado desse mercado, apura se há relações diretas entre influenciadores digitais e esquemas de incentivo ao vício, manipulação de resultados ou práticas ilegais.

Um dos pontos centrais da investigação é o modelo de remuneração adotado por essas plataformas, que muitas vezes vinculam os lucros dos influenciadores às perdas dos apostadores — uma estratégia considerada antiética e de alto risco para o consumidor.


Por que Virgínia Fonseca foi convocada?

A convocação de Virgínia Fonseca foi requerida pela relatora da CPI, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que enfatizou a necessidade de entender o papel dos influenciadores no estímulo às apostas online. A senadora argumenta que personalidades como Virgínia desempenham um papel determinante na construção de narrativas e comportamentos de consumo, especialmente entre jovens.

O caso da influenciadora ganhou destaque após uma reportagem da Revista Piauí revelar, em janeiro de 2024, que Virgínia teria fechado um contrato com a plataforma Esportes da Sorte no valor de R$ 50 milhões em adiantamento, além de uma comissão de 30% sobre as perdas dos jogadores que acessassem o site por meio de seus links promocionais.

Esse modelo de contrato coloca em xeque a responsabilidade dos influenciadores, pois cria um evidente conflito de interesses: quanto mais seus seguidores perdem dinheiro, mais a influenciadora ganha.


Novos contratos, mesmas polêmicas

Mesmo após o encerramento do contrato com a Esportes da Sorte, Virgínia Fonseca não se afastou do mercado de apostas. Pelo contrário: ela firmou novo acordo com a plataforma Blaze, avaliado em R$ 29 milhões por ano. O contrato segue a mesma lógica anterior, vinculando a remuneração da influenciadora às perdas financeiras dos apostadores.

A repetição do modelo de negócios acendeu o alerta entre os parlamentares da CPI das Bets. A comissão quer entender se existe uma rede estruturada de influência e cooptação, em que influenciadores servem como intermediários para atrair jogadores, especialmente pessoas vulneráveis, como jovens e desempregados.


Uma influenciadora multimilionária sob escrutínio

Além de sua atuação como influenciadora digital, Virgínia Fonseca é uma empresária bem-sucedida. Fundadora da marca de cosméticos WePink, que faturou R$ 325 milhões em 2023, ela também é dona da marca Maria’s Baby, voltada ao mercado infantil, e da agência de marketing Talismã Digital.

Apesar de todo esse império comercial, Virgínia Fonseca enfrenta críticas frequentes pelo excesso de publicidade em seus perfis e pela falta de transparência nas publicações patrocinadas. Agora, com o avanço da CPI, a dúvida é se parte de seu sucesso empresarial foi construído com base em acordos publicitários pouco éticos ou até ilegais.


A resposta da influenciadora e o direito ao silêncio

Virgínia Fonseca obteve uma autorização judicial do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para exercer seu direito constitucional ao silêncio diante de perguntas que possam gerar autoincriminação. A autorização foi interpretada por membros da CPI como um sinal de que há, de fato, riscos legais envolvidos em sua atuação no mercado de apostas.

No entanto, ela também terá espaço para esclarecer os critérios utilizados na escolha das marcas que divulga, se houve intermediação de terceiros nos contratos com as plataformas e se tem ciência sobre o impacto dessas campanhas sobre seus milhões de seguidores.


Aprofundamento das investigações

A CPI das Bets não está investigando apenas Virgínia Fonseca. Outros influenciadores estão na mira dos senadores. Um dos nomes já convocados é o ex-BBB Felipe Prior, que também promoveu plataformas de apostas. Além disso, a comissão solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relatórios sobre transações suspeitas envolvendo criadores de conteúdo digital.

Outro nome que surgiu nas investigações é o da advogada e ex-Fazenda Deolane Bezerra, que chegou a ser presa em 2024 por suspeita de envolvimento com apostas ilegais e lavagem de dinheiro. A CPI pretende usar todos esses depoimentos para mapear uma possível rede de influenciadores ligados a práticas financeiras irregulares.


Riscos para o consumidor

O avanço desregulado das apostas esportivas no Brasil tem gerado preocupação entre economistas e psicólogos. O fácil acesso às plataformas digitais, aliado à influência de celebridades, tem provocado um aumento significativo de endividamento e vício em jogos.

Segundo especialistas, os contratos que recompensam influenciadores com base nas perdas dos apostadores incentivam práticas publicitárias enganosas e antiéticas, uma vez que os promotores não têm interesse real no sucesso dos usuários. A CPI das Bets busca identificar e punir essas condutas, além de propor medidas regulatórias mais rígidas para o setor.


O que esperar das próximas semanas

Com o depoimento de Virgínia Fonseca, a CPI das Bets entra em um de seus momentos mais aguardados. A partir de agora, os senadores devem intensificar as convocações, cruzar informações bancárias e fiscais e avançar nas investigações de contratos entre influenciadores e plataformas.

A expectativa é que até o fim de junho a comissão apresente um relatório parcial com os principais achados, que poderá servir de base para projetos de lei sobre a regulamentação da publicidade digital, responsabilidade de influenciadores e o funcionamento das plataformas de apostas no Brasil.


Influência sob investigação

A convocação de Virgínia Fonseca marca um novo capítulo na discussão sobre responsabilidade digital. Em um cenário onde milhões de brasileiros são expostos diariamente a conteúdos publicitários disfarçados de opinião pessoal, o papel do influenciador digital está sendo repensado. A CPI das Bets é apenas o início de um movimento legislativo que visa garantir maior proteção ao consumidor e maior transparência no universo digital.

Se confirmadas as denúncias, o caso poderá desencadear uma onda de regulamentações e até mudanças no modelo de negócios da publicidade online, obrigando influenciadores a seguir regras mais rigorosas na promoção de produtos e serviços de alto risco, como as apostas.

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