Waiver Argentina FMI: por que o país precisará pedir perdão ao Fundo Monetário Internacional mais uma vez
A Argentina, maior devedora do Fundo Monetário Internacional (FMI), está prestes a solicitar um novo waiver Argentina FMI — um perdão oficial por não ter cumprido uma das cláusulas do recente acordo financeiro firmado com o órgão. O item em questão trata da meta de acúmulo de reservas cambiais pelo Banco Central, que ficou aquém do exigido. O pedido de dispensa da meta já é esperado pelo mercado e pode ser decisivo para a liberação de novos recursos.
Waiver é um termo técnico usado para definir a autorização formal de descumprimento de uma cláusula contratual sem aplicação de penalidades. No contexto do acordo entre a Argentina e o FMI, o waiver serviria para garantir a continuidade do programa financeiro, mesmo com o não cumprimento da meta de reservas.
Por que a Argentina não atingiu a meta de reservas cambiais?
O novo acordo, firmado em abril de 2025, envolve US$ 20 bilhões e foi desenhado para refinanciar o programa anterior de US$ 44 bilhões. A negociação foi feita sob a liderança do presidente Javier Milei, com o objetivo de dar fôlego à economia argentina, reduzir o déficit fiscal e reconstruir as reservas internacionais, que estavam em níveis críticos no final de 2023.
Desde então, o governo argentino tem conseguido progressos consideráveis. Houve cortes rigorosos nas despesas públicas, a inflação foi reduzida e a recessão começou a ser revertida. No entanto, mesmo com todos esses avanços, o acúmulo de reservas cambiais não acompanhou o ritmo esperado, o que compromete o cumprimento integral das metas do acordo.
As reservas cambiais são fundamentais para garantir a solvência de um país e sua capacidade de honrar compromissos externos. O FMI costuma incluir metas de acúmulo de reservas em seus programas para assegurar que o país devedor tenha liquidez suficiente para lidar com choques externos. No caso argentino, o acordo exigia uma recomposição gradual das reservas, mas diversos fatores dificultaram esse processo.
O câmbio flutuante, adotado por Milei, e a menor intervenção do Banco Central nas operações de mercado contribuíram para a lentidão no acúmulo. Além disso, o próprio governo admitiu que, neste momento, a prioridade foi dada ao ajuste fiscal. O ministro da Economia, Luis Caputo, declarou recentemente que o acúmulo de reservas não é mais o principal parâmetro de avaliação da saúde econômica do país.
Como o FMI deve reagir ao pedido de waiver Argentina FMI?
Analistas do mercado financeiro e ex-membros do FMI afirmam que a Argentina deve receber o waiver sem grandes resistências. Isso se deve, principalmente, ao comprometimento do país com a disciplina fiscal e à boa vontade do Fundo com os esforços da atual gestão. O histórico recente mostra que Milei conseguiu estabilizar setores críticos da economia, ganhando credibilidade junto aos investidores.
Estudos apontam que a Argentina esteja entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão abaixo da meta estipulada no acordo. Apesar disso, os analistas consideram que o descumprimento não comprometerá o andamento do programa, desde que o pedido de waiver seja formalizado e aceito pelo FMI. A previsão é que o próximo desembolso, de US$ 2 bilhões, ocorra dentro de algumas semanas, após a conclusão da primeira revisão técnica do programa.
A visita de representantes do FMI a Buenos Aires no final de junho teve como foco justamente essa revisão. A missão técnica avaliará os resultados obtidos até agora e recomendará ou não a liberação dos recursos. A expectativa é de que a decisão final ocorra em julho, após o trâmite formal no conselho do Fundo.
Impactos do waiver na economia e na política argentina
O caso da Argentina é emblemático por ser o país que mais vezes recorreu a programas com o FMI. São 23 acordos ao longo das últimas décadas, muitos deles rompidos ou renegociados. A atual gestão busca mudar essa narrativa, demonstrando comprometimento com reformas estruturais e políticas responsáveis.
Entre as medidas implementadas por Milei estão o corte de subsídios, redução da máquina pública e racionalização dos gastos. O governo também apresentou um plano ambicioso para atingir um superávit primário de 1,6% do PIB ainda em 2025, algo considerado ousado, mas necessário para estabilizar a dívida pública.
Para o mercado financeiro, a sinalização de que o waiver será aprovado reforça a confiança na estabilidade econômica do país. O peso argentino, embora ainda pressionado, mostrou sinais de recuperação, e os indicadores de risco-país melhoraram. As taxas de juros começaram a cair, abrindo espaço para um possível ciclo de crescimento nos próximos trimestres.
Internamente, o governo tenta conter críticas de setores mais nacionalistas que veem no acordo com o FMI uma forma de submissão. Milei, por outro lado, sustenta que os compromissos firmados são essenciais para restaurar a credibilidade internacional e atrair novos investimentos. A aprovação do waiver, nesse sentido, representa uma vitória política e econômica para a atual administração.






