CVCB3: Fabio Mader assume comando da CVC e projeta novo ciclo de expansão estratégica para a gigante do turismo
O Conselho de Administração da maior operadora de viagens da América Latina aposta em solução caseira e expertise técnica de mais de duas décadas para liderar a próxima fase de crescimento das ações da CVCB3 na bolsa.
O mercado de capitais brasileiro e o setor de turismo amanheceram nesta sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, com uma mudança tectônica na governança de uma das empresas mais tradicionais da B3. A CVC Corp, cujos papéis são negociados sob o ticker CVCB3, anunciou oficialmente a eleição de Fabio Mader como seu novo diretor-presidente (CEO). A decisão, chancelada pelo Conselho de Administração, encerra o ciclo de gestão de Fabio Martinelli Godinho e sinaliza ao mercado uma virada de chave: do período de reestruturação para uma nova era de expansão agressiva e eficiência operacional.
A movimentação nas cadeiras do alto comando da CVCB3 não é apenas uma troca de nomes; é uma declaração de intenções. Ao escolher Mader, um executivo com quase 15 anos de casa e profundo conhecimento da máquina de vendas da operadora, a companhia envia uma mensagem clara aos investidores de que a estratégia futura será pautada pelo conhecimento técnico do produto e pela maximização das margens, áreas em que o novo CEO é especialista.
O Perfil de Fabio Mader e o Impacto na CVCB3
Para compreender o impacto desta nomeação para o ativo CVCB3, é fundamental dissecar o currículo e a trajetória do novo comandante. Fabio Mader não é um forasteiro trazido para “aprender” o negócio. Com mais de 20 anos de experiência no setor de turismo, ele personifica o DNA da empresa. Sua ascensão ao cargo máximo ocorre após ocupar a vice-presidência de Produtos e Revenue Management (RM), o coração da rentabilidade de qualquer empresa de viagens.
Durante suas três passagens pela companhia, Mader acumulou uma bagagem que poucos executivos do setor possuem. A gestão de Produtos e Pricing é crítica para a performance da CVCB3. Em um mercado onde as margens são estreitas e a concorrência com as OTAs (Online Travel Agencies) e a venda direta de companhias aéreas é feroz, ter um CEO com expertise em Revenue Management é um diferencial competitivo substancial. Isso sugere que a gestão da CVCB3 focará na inteligência de preços e na otimização do inventário para extrair o máximo valor de cada assento aéreo e diária de hotel vendidos.
A escolha de uma “prata da casa” também mitiga o risco de execução. Investidores de CVCB3 sabem que a curva de aprendizado em uma gigante do varejo de turismo, que combina operações B2B e B2C, franquias físicas e canais digitais, é longa. Mader assume o manche com o mapa de voo já em mãos, o que deve acelerar a implementação do tal “novo ciclo estratégico de expansão” mencionado no comunicado oficial.
A Transição de Liderança e o Legado de Godinho
A saída de Fabio Martinelli Godinho marca o fim de um capítulo importante. Godinho esteve à frente da operadora em momentos desafiadores, focados na estabilização do negócio após os impactos residuais da pandemia e na reestruturação de dívidas que pressionavam o balanço da CVCB3. O plano de sucessão, segundo a empresa, foi seguido à risca, indicando maturidade na governança corporativa.
Agora, sob a batuta de Mader, a CVCB3 deve buscar destravar valor. O mandato do novo CEO começa imediatamente, estendendo-se até a primeira reunião do Conselho após a Assembleia Geral Ordinária que analisará as contas de 2025. Este período inicial será crucial para Mader demonstrar ao mercado como pretende transformar a estabilidade conquistada na gestão anterior em crescimento robusto de receita e lucro líquido, métricas essenciais para a valorização das ações CVCB3.
Experiência Internacional e Gestão de Crise
Um ponto de destaque na biografia corporativa de Fabio Mader, que deve ser observado com atenção pelos detentores de CVCB3, é sua atuação na Argentina. O executivo liderou os negócios da empresa no país vizinho durante o período crítico da pandemia. A operação argentina sempre foi um calcanhar de aquiles e, simultaneamente, uma oportunidade para a CVC Corp.
Ter navegado pela complexidade econômica da Argentina, com suas restrições cambiais e volatilidade inflacionária, em meio à maior crise sanitária da história, confere a Mader uma “casca” executiva valiosa. Essa experiência em gestão de crise e adaptação a cenários macroeconômicos adversos é um ativo intangível que agrega segurança à tese de investimento em CVCB3. Em um Brasil onde o câmbio e os juros oscilam, ter um piloto testado em tempestades é reconfortante para o acionista.
O Novo Ciclo Estratégico de Expansão
O comunicado da empresa foi enfático: a mudança marca o início de um novo ciclo de expansão. Mas o que isso significa para a CVCB3 em 2026? Analistas de mercado projetam que essa expansão deve se dar em três frentes principais, onde a expertise de Mader será vital.
Primeiro, a reconquista de market share no segmento de lazer. A CVCB3 possui a maior rede de distribuição física do país, e a integração dessa força de vendas com produtos exclusivos e precificação dinâmica (a especialidade de Mader) pode alavancar as vendas.
Segundo, a eficiência na contratação de produtos. Como ex-VP de Produtos, o novo CEO conhece as dores e as alavancas de negociação com hotéis e companhias aéreas. Melhorar as condições de compra significa melhorar a margem bruta da CVCB3, algo que o mercado financeiro cobrará trimestralmente.
Terceiro, a digitalização com toque humano. O “phygital” (físico + digital) é o mantra do varejo moderno. A CVCB3 precisa continuar sua jornada tecnológica sem perder o diferencial do consultor de viagens, que garante tickets médios mais altos e maior recorrência. A liderança de iniciativas de transformação nos últimos anos credencia Mader a continuar esse processo.
A Reação do Mercado e Governança Corporativa
A governança corporativa é um pilar essencial para a atratividade da CVCB3. A forma como a sucessão foi conduzida, sem ruídos excessivos e com uma transição clara, é positiva. O Conselho de Administração demonstrou alinhamento e visão de longo prazo ao optar por um nome que garante a continuidade da cultura, mas com a energia necessária para a expansão.
Para o investidor pessoa física e institucional posicionado em CVCB3, a notícia tende a ser recebida com otimismo cauteloso. O mercado gosta de previsibilidade, e Mader oferece isso. No entanto, o desafio será entregar crescimento em uma economia que ainda exige cautela com o consumo discricionário. O turismo é um setor cíclico, e a performance da CVCB3 depende diretamente da renda disponível das famílias e da confiança do consumidor.
Desafios Imediatos para a CVCB3 em 2026
Ao assumir a cadeira de CEO em janeiro de 2026, Fabio Mader encontra uma CVCB3 mais enxuta, mas que ainda enfrenta desafios estruturais. A concorrência não dorme. Novas plataformas digitais e modelos de negócios disruptivos surgem constantemente. A capacidade da CVCB3 de se manter relevante para as novas gerações de viajantes é uma incógnita que Mader precisará responder.
Além disso, a estrutura de capital da companhia será monitorada. Expansão exige investimento (Capex). O mercado estará atento a como a CVCB3 financiará esse novo ciclo. Será via geração de caixa operacional ou nova alavancagem? Dada a experiência de Mader em Revenue Management, a aposta é que o crescimento venha da eficiência: vender melhor o que já se tem, otimizando o capital de giro.
Outro ponto focal para a CVCB3 será a retomada plena das viagens corporativas e internacionais. Com o dólar em patamares que exigem planejamento do turista, a expertise em montar pacotes que caibam no bolso do brasileiro — parcelando e negociando tarifas exclusivas — volta a ser o grande trunfo da operadora.
A Visão de Longo Prazo para o Papel
Para quem analisa a ação CVCB3 com foco no longo prazo, a chegada de um CEO com perfil de “Produto e Vendas” sugere que a companhia vai voltar a olhar para dentro, para o seu core business. Durante anos, muitas empresas do setor focaram excessivamente em engenharia financeira ou aquisições. Mader parece representar a volta ao básico bem feito: ter o melhor produto, no preço certo, na hora certa.
Se a CVCB3 conseguir executar essa estratégia, poderá ver uma melhora consistente em seus múltiplos. O setor de turismo tem uma demanda reprimida histórica e um desejo inelástico de viajar por parte do brasileiro. A empresa que melhor capturar esse desejo, com eficiência e rentabilidade, será a vencedora. A CVCB3, com sua capilaridade e marca forte, larga na frente, e agora tem um piloto que conhece cada parafuso da aeronave.
Um Voto de Confiança na Prata da Casa
A eleição de Fabio Mader para o comando da CVCB3 é, em última análise, um voto de confiança do Conselho na capacidade interna da empresa de se reinventar. Em vez de buscar um “salvador da pátria” no mercado, a CVC Corp olhou para seus quadros e promoveu quem ajudou a construir a resiliência da empresa nos últimos anos.
O ano de 2026 começa com promessas de novos horizontes. Para os acionistas da CVCB3, a expectativa é que a experiência de duas décadas de Mader se traduza em trimestres de crescimento sustentável. O “ciclo estratégico de expansão” não é apenas um slogan corporativo; é uma necessidade para uma empresa que precisa justificar seu valor em um mercado cada vez mais competitivo.
Acompanhar os próximos passos de Fabio Mader será obrigatório para qualquer analista que cobre o setor de consumo cíclico e para qualquer investidor que tenha CVCB3 em carteira. A decolagem foi autorizada; resta saber qual será a altitude de cruzeiro que a nova gestão conseguirá alcançar.









