Itaú Unibanco consolida lucro histórico de R$ 46,8 bilhões em 2025 e projeta novo recorde de rentabilidade para o exercício de 2026
O mercado financeiro brasileiro recebeu, nesta quinta-feira (5), a confirmação da solidez operacional do maior banco privado da América Latina. O Itaú Unibanco divulgou seus resultados consolidados referentes ao ano de 2025, reportando um lucro líquido acumulado de R$ 46,8 bilhões. O montante representa uma expansão de 13% em comparação ao exercício anterior, superando as expectativas de grande parte dos analistas e validando a estratégia da gestão em um cenário econômico de transição. Os números, que combinam crescimento de carteira com controle rigoroso de eficiência, fundamentam as projeções otimistas da casa de análise Nord Research, que agora antecipa para 2026 o que poderá ser o melhor ano da história centenária da instituição.
A performance do Itaú Unibanco em 2025 não se resume apenas ao volume absoluto de lucro, mas destaca-se pela qualidade da rentabilidade entregue. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), principal indicador de eficiência na alocação de capital do setor bancário, encerrou o ano em 23,4%. No acumulado do quarto trimestre, esse índice atingiu 24,4%. Para contextualizar, níveis de ROE acima de 20% são historicamente raros para grandes bancos de varejo em economias desenvolvidas e colocam a instituição brasileira em um patamar de excelência global, demonstrando uma capacidade superior de gerar valor para o acionista a cada real investido.
Além dos indicadores financeiros, o cumprimento integral do guidance (metas corporativas) estabelecido no início de 2025 reforçou a credibilidade da administração. O banco não apenas atingiu as projeções, mas revisou-as para cima ao longo do ano, entregando resultados no teto das estimativas. Essa previsibilidade é um ativo intangível valioso em momentos de volatilidade de mercado, atraindo o fluxo de capital estrangeiro que busca portos seguros em mercados emergentes.
Detalhamento do desempenho operacional e expansão do crédito
A análise granular do balanço do quarto trimestre de 2025 revela que o crescimento do Itaú Unibanco foi alicerçado na atividade bancária tradicional, porém executada com ferramentas digitais modernas. A carteira de crédito total alcançou a cifra de R$ 1,49 trilhão, registrando um crescimento de 6% na base anual. Este avanço, contudo, não foi linear entre todos os segmentos, refletindo uma alocação estratégica de risco.
As linhas de crédito destinadas a pessoas físicas apresentaram uma expansão de 7%, enquanto o financiamento para pequenas e médias empresas (PMEs) avançou 9%. O crescimento mais acentuado no segmento de PMEs é um sinalizador importante da retomada da atividade econômica real, visto que este setor é altamente correlacionado com a geração de emprego e renda. O Itaú Unibanco soube capturar essa demanda, utilizando sua capilaridade e base de dados para conceder crédito com precisão.
Esse volume de concessões sustentou a margem financeira gerencial, que somou R$ 31,5 bilhões no trimestre, uma alta de 7%. É fundamental distinguir a composição desta margem: a “margem com clientes” (receita de juros de empréstimos e depósitos), que responde por cerca de 98% do total, cresceu robustos 9%. Esse desempenho foi crucial para neutralizar a queda de 34% na “margem com o mercado” (tesouraria), uma linha naturalmente mais volátil e dependente das oscilações da curva de juros futura e de estratégias de hedge. A capacidade da operação de varejo de compensar a tesouraria demonstra a resiliência do modelo de negócios do banco.
Diversificação de receitas e o conceito de Produto Bancário
Outro pilar de sustentação dos resultados foi a receita de serviços e seguros, que totalizou R$ 15,6 bilhões no período, marcando um crescimento de 9%. A soma das receitas de crédito com as de serviços compõe o chamado “produto bancário”, que atingiu R$ 47,6 bilhões, um avanço de 8% na comparação anual.
O crescimento nessas linhas acessórias é estratégico para o Itaú Unibanco, pois reduz a dependência exclusiva do spread bancário (diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada no empréstimo). Receitas de cartões, administração de fundos, consórcios e seguros de vida trazem recorrência e estabilidade ao fluxo de caixa, blindando parcialmente o banco de ciclos de crédito mais restritivos. A Nord Research aponta que essa diversificação é um dos diferenciais que permitem ao banco navegar com tranquilidade por diferentes cenários macroeconômicos.
Gestão de risco: Inadimplência sob controle e eficiência recorde
Em um ambiente de juros ainda elevados, a gestão do risco de crédito torna-se a variável crítica de sucesso. O Itaú Unibanco apresentou uma estabilidade notável na qualidade de seus ativos. O índice de inadimplência para atrasos acima de 90 dias permaneceu estagnado em 1,9% pelo quarto trimestre consecutivo. Manter a inadimplência abaixo de 2% enquanto se expande a carteira de crédito em segmentos de maior risco, como PMEs e pessoas físicas, evidencia a sofisticação dos modelos de credit scoring da instituição.
Do lado das despesas, o banco demonstrou disciplina espartana. As despesas não decorrentes de juros cresceram apenas 4%, totalizando R$ 17,3 bilhões. Quando as receitas crescem a um ritmo superior ao das despesas (8% contra 4%), gera-se o que economistas chamam de “alavancagem operacional positiva”.
O resultado prático dessa equação é a melhora no índice de eficiência, que caiu para 38,9% — uma melhora de 1,8 ponto percentual em relação ao ano anterior. No jargão bancário, quanto menor esse índice, melhor, pois indica quanto o banco gasta para gerar R$ 100 de receita. Atingir um nível abaixo de 40% é uma marca histórica para bancos de grande porte com redes físicas legadas, provando que a transformação digital do Itaú Unibanco está gerando economias reais de escala.
Guidance 2026: As premissas para superar os R$ 50 bilhões
A divulgação das projeções para 2026 foi o ponto de inflexão para as análises de mercado. O novo guidance sinaliza que o Itaú Unibanco não apenas manterá o ritmo, mas poderá acelerá-lo em vertentes específicas. A carteira de crédito deve crescer entre 5,5% e 9,5%, enquanto as receitas de serviços e seguros devem avançar entre 5% e 9%.
A Nord Research classifica essas metas como conservadoras, porém suficientes para projetar um lucro líquido superior a R$ 50 bilhões no próximo exercício. A lógica reside na manutenção das margens aliada a um controle contínuo de custos. As despesas operacionais devem crescer entre 1,5% e 5,5% em 2026. Se o banco entregar o topo da banda de receita e o piso da banda de despesa, a rentabilidade poderá surpreender novamente o mercado.
O custo do crédito deve subir nominalmente, acompanhando o volume da carteira, mas sem indícios de deterioração estrutural. A gestão do Itaú Unibanco trabalha com a premissa de um ciclo de crédito benigno, onde a expansão da renda das famílias permite o pagamento das obrigações financeiras.
A tese da Nord: O melhor banco para o acionista
Diante desses números, a Nord Research reiterou sua visão de que o Itaú Unibanco é “o maior e melhor banco para ser acionista no Brasil e na América Latina”. A tese de investimento não se baseia apenas nos lucros correntes, mas na cultura corporativa de gestão de riscos e na capacidade de inovação. Diferente de outros incumbentes que perderam mercado para fintechs, o Itaú conseguiu digitalizar sua operação, oferecendo uma experiência de usuário (UX) competitiva, mantendo a robustez de balanço que as startups financeiras ainda não possuem.
A remuneração ao acionista é um capítulo à parte. Entre 2021 e 2025, o Itaú Unibanco distribuiu um total de R$ 105 bilhões em proventos (dividendos e Juros Sobre Capital Próprio). O payout recorrente tem se mantido próximo de 60%, consolidando o banco como uma “vaca leiteira” (cash cow) para carteiras previdenciárias.
Essa consistência refletiu-se na valorização das ações. Nos últimos 12 meses, os papéis ordinários (ITUB3) subiram 82%, um desempenho muito superior ao do índice Ibovespa, que avançou 45%. Essa descorrelação positiva mostra que o mercado premiou a qualidade (“Flight to Quality”) em detrimento do risco médio da bolsa brasileira.
Análise de Valuation e a oportunidade estratégica em ITUB3
Apesar da forte apreciação recente, a avaliação da Nord indica que o Itaú Unibanco não está caro. As ações negociam a um múltiplo de Preço sobre Lucro (P/L) projetado para 2026 em torno de 9 vezes. Historicamente, bancos premium no Brasil negociaram a múltiplos de 10 a 12 vezes em momentos de estabilidade econômica. Além disso, o dividend yield (retorno via dividendos) projetado é de 7%, oferecendo uma taxa real de retorno atrativa frente aos títulos de renda fixa, considerando o potencial de valorização do principal.
A recomendação da casa de análise traz um detalhe técnico relevante: a preferência pelas ações ordinárias (ITUB3) em vez das preferenciais (ITUB4). No mercado brasileiro, as ações preferenciais costumam ter mais liquidez, mas as ordinárias garantem direito a voto e, no caso do Itaú Unibanco, recebem o mesmo valor de dividendo por ação.
Atualmente, as ações ITUB3 são negociadas com um desconto em relação às ITUB4. Isso significa que o investidor pode comprar “o mesmo lucro” e “o mesmo dividendo” pagando menos, o que aumenta matematicamente o retorno percentual (yield). Além disso, as ações ordinárias possuem 100% de tag along (direito de venda conjunta em caso de alienação de controle), oferecendo uma camada extra de proteção jurídica ao acionista minoritário. A combinação de valuation descontado, perspectiva de lucro recorde e segurança institucional posiciona o ativo como uma das principais recomendações para 2026.









