Mudanças no alto escalão Assaí, Azzas e GPA movimentam mercado e impactam ações na B3
As varejistas Assaí (ASAI3), Azzas 2154 (AZZA3) e GPA (PCAR3) protagonizam uma série de alterações estratégicas em seu alto escalão executivo que têm repercussão direta na bolsa brasileira. As mudanças foram anunciadas após o fechamento do pregão de 4 de fevereiro e no início da sessão de 5 de fevereiro, refletindo ajustes cruciais em estruturas administrativas, governança corporativa e planejamento financeiro.
Segundo analistas do setor financeiro, estas movimentações demonstram não apenas reorganizações internas, mas também sinalizam decisões estratégicas que podem afetar a confiança do mercado, o desempenho das ações e a percepção de investidores institucionais e de varejo no curto e médio prazo.
Assaí e Azzas: integração de unidades e novos cargos executivos
A Azzas 2154 (AZZA3) anunciou a integração das unidades de Shoes & Bags com a divisão Basic, resultando na saída de Rafael Sachete, que liderava a unidade de Shoes & Bags como CEO. Para assumir a liderança da unidade combinada, David Python, até então CEO da Basic, será responsável pela transição operacional, que deverá se estender até a segunda quinzena de março de 2026.
No Assaí (ASAI3), Rafael Sachete foi nomeado como diretor financeiro (CFO), substituindo Aymar Giglio, que atuava interinamente desde abril de 2025. Com a nomeação de Sachete, Giglio retorna ao foco exclusivo na tesouraria, reforçando o gerenciamento da alavancagem financeira e a estratégia de redução de risco da companhia.
A reação imediata do mercado evidenciou o impacto das mudanças: ASAI3 registrou alta de 1,63%, cotada a R$ 8,73, enquanto AZZA3 caiu 2,48%, a R$ 24,82, sendo a quinta maior queda do Ibovespa (IBOV) no período analisado.
O Santander considerou a nomeação de Sachete como CFO do Assaí “positiva”, ressaltando que a companhia incorporou um executivo externo sênior, capaz de agregar novas perspectivas às decisões financeiras. Analistas do banco, incluindo Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo, destacaram a experiência de Sachete no setor de varejo, especialmente por sua participação na fusão da Arezzo com o Grupo Soma, que culminou na formação da Azzas 2154.
O Bradesco BBI também avaliou a mudança de forma favorável, citando o histórico consistente de gestão executiva e financeira de Sachete, mesmo considerando as diferenças entre os setores de moda e varejo alimentar.
Contexto financeiro e importância do CFO no Assaí
O cargo de CFO no Assaí estava vago há cerca de 10 meses. Durante a gestão interina, Aymar Giglio cumpriu metas de alavancagem, mantendo a relação dívida líquida/EBITDA em 2,6 vezes e aprimorando o perfil da dívida da companhia. A entrada de um executivo externo com experiência consolidada, como Rafael Sachete, fortalece a governança corporativa e a capacidade estratégica de decisões financeiras, especialmente em momentos de reestruturação e integração de unidades.
Para a Azzas 2154, a integração das divisões de negócios visa capturar sinergias operacionais e ampliar a eficiência dos canais de vendas, com destaque para o modelo de franquias. Entretanto, o mercado ainda observa o período de transição com cautela, dada a complexidade do processo e a baixa visibilidade sobre quando a empresa poderá superar completamente o atual ciclo de ajustes.
O Santander e o Bradesco BBI já esperavam uma reação negativa das ações AZZA3, considerando que a unidade Basic ainda passa por um turnaround e que persistem incertezas quanto ao desempenho da unidade Shoes & Bags.
GPA: novo CFO e desafios de execução
O GPA (PCAR3) anunciou na manhã de 5 de fevereiro a eleição de Pedro Vieira Lima de Albuquerque como vice-presidente executivo financeiro (CFO), decisão aprovada pelo conselho de administração da companhia. O executivo assumirá oficialmente o cargo em 1º de março de 2026.
Em reação, as ações PCAR3 recuaram 1,31%, cotadas a R$ 3,76. O Santander considerou a nomeação positiva, destacando que o preenchimento do cargo de CFO é essencial para os esforços contínuos da empresa em reduzir a alavancagem financeira, que estava em 3,1 vezes a relação dívida líquida/EBITDA ao fim do terceiro trimestre de 2025.
Analistas destacam que a chegada de Pedro Albuquerque pode gerar preocupação sobre execução de curto prazo, principalmente devido à ausência de experiência prévia no setor de varejo e à sequência de mudanças recentes no alto escalão do GPA. O banco manteve recomendação neutra para PCAR3, com preço-alvo de R$ 4,60 até o final de 2026, implicando potencial de valorização de 20,7% sobre o fechamento anterior.
Repercussão no mercado e expectativa de investidores
As mudanças no alto escalão das três varejistas refletem a atenção do mercado para ajustes estratégicos que impactam diretamente a performance das ações na B3. A nomeação de um CFO externo no Assaí reforça confiança e percepção positiva, enquanto a integração da Azzas e a reestruturação no GPA geram cautela entre investidores.
O potencial de valorização estimado para ASAI3 varia entre 36% e 51%, de acordo com projeções de Ágora, Bradesco BBI e Santander, refletindo a expectativa de ganho estratégico com a chegada de Rafael Sachete. Para AZZA3, o mercado projeta crescimento entre 37% e 65%, apesar da volatilidade no curto prazo decorrente da integração das unidades e do período de transição.
Já para PCAR3, o potencial de valorização é mais contido, devido à necessidade de adaptação do novo CFO e à instabilidade recente no alto escalão, reforçando cautela por parte dos investidores.
Estratégia corporativa e governança
Especialistas do setor financeiro apontam que a rotação no alto escalão evidencia a importância da governança corporativa e da gestão estratégica para consolidar operações e melhorar performance. A presença de executivos externos, como Rafael Sachete, introduz novas perspectivas, aprimorando decisões financeiras e planejamento estratégico de longo prazo.
A integração das unidades de negócios na Azzas 2154 evidencia um esforço em capturar sinergias operacionais e otimizar canais de vendas semelhantes, especialmente franquias, refletindo uma estratégia consistente de longo prazo. No GPA, o preenchimento do cargo de CFO garante continuidade na redução da alavancagem e maior robustez na gestão financeira, mesmo que a execução imediata ainda gere incertezas.
No cenário atual, o mercado monitora de perto como estas mudanças afetarão os resultados financeiros, a eficiência operacional e a percepção de investidores institucionais e de varejo, especialmente em um ambiente de alta volatilidade e competição crescente no setor varejista brasileiro.









