A Klabin (KLBN11) registrou prejuízo líquido de R$ 497 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 446 milhões apurado no mesmo período de 2025. O resultado foi pressionado por queda no Ebitda ajustado, despesas financeiras, custos operacionais e efeitos contábeis ligados à variação do valor justo dos ativos biológicos.
A receita líquida somou R$ 4,95 bilhões entre janeiro e março, alta de 2% na comparação anual. O avanço foi sustentado pelo aumento de 12% no volume total vendido, com crescimento nas divisões de celulose, papéis e embalagens.
Apesar da expansão comercial, a companhia enfrentou compressão de margens. O Ebitda ajustado ficou em R$ 1,67 bilhão, queda de 10% frente ao primeiro trimestre de 2025. A margem Ebitda recuou de 38% para 34%.
Receita cresce, mas margens recuam
O resultado da Klabin (KLBN11) mostra que o aumento de volumes não foi suficiente para compensar a pressão de custos e despesas financeiras no período. A companhia vendeu 401 mil toneladas de celulose no trimestre, avanço de 16% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
No segmento de papéis, o volume vendido cresceu 15%. Em embalagens, a alta foi de 3%. O desempenho reflete maior flexibilidade comercial da companhia diante de um cenário de volatilidade nos mercados internacionais e de demanda ainda desigual entre regiões e segmentos.
O segmento de papelão ondulado apresentou crescimento de 9% na receita, apoiado pela demanda de setores como alimentos, logística, varejo e comércio eletrônico. Ainda assim, o desempenho positivo da área não impediu a deterioração do resultado consolidado.
Custos e manutenção pressionam desempenho
A Klabin (KLBN11) informou custo caixa total por tonelada de R$ 3.342, em linha com o registrado um ano antes. Já o custo dos produtos vendidos por tonelada subiu 4%, influenciado por paradas de manutenção, custos com fibras e pressão inflacionária sobre insumos.
A parada de manutenção na unidade de Monte Alegre teve impacto sobre o desempenho operacional do trimestre. O movimento, embora previsto dentro do ciclo industrial da companhia, contribuiu para reduzir a eficiência no período.
As despesas administrativas foram parcialmente diluídas pelo maior volume de vendas, mas o efeito não compensou a pressão mais ampla sobre custos e margens.
Resultado financeiro fica negativo em R$ 570 milhões
O resultado financeiro da Klabin (KLBN11) foi negativo em R$ 570 milhões no primeiro trimestre. O número refletiu principalmente despesas com juros e efeitos cambiais sobre a dívida e demais posições financeiras da companhia.
A empresa também registrou impacto de operações de hedge, que ajudaram a reduzir parte da volatilidade, mas não foram suficientes para neutralizar o efeito financeiro negativo no trimestre.
O ambiente de juros elevados segue como fator de pressão para empresas intensivas em capital, como as do setor de papel e celulose. No caso da Klabin (KLBN11), o custo da dívida permanece como ponto de atenção para investidores e analistas.
Dívida líquida fecha março em R$ 32,9 bilhões
A dívida líquida da Klabin (KLBN11) encerrou março em R$ 32,9 bilhões, redução de R$ 3,9 bilhões em relação ao trimestre anterior. A alavancagem ficou em 3,3 vezes, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado.
O caixa da companhia somava R$ 8,9 bilhões ao fim do trimestre, patamar considerado relevante para preservar liquidez no curto prazo. Ainda assim, o nível de endividamento segue elevado e deve continuar no radar do mercado nos próximos balanços.
A redução da dívida líquida representa um alívio parcial, mas a combinação de prejuízo, menor geração operacional e despesas financeiras reforça a necessidade de disciplina de capital.
Investimentos somam R$ 839 milhões
A Klabin (KLBN11) investiu R$ 839 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 39% em relação ao mesmo período de 2025. Os recursos foram destinados principalmente à manutenção industrial, silvicultura e modernização de ativos.
A companhia mantém foco em eficiência operacional e preservação da capacidade produtiva. No curto prazo, porém, o aumento dos investimentos também pressiona o fluxo de caixa em um momento de menor rentabilidade.
Mercado monitora recuperação de rentabilidade
Após o balanço, o mercado passa a acompanhar a capacidade da Klabin (KLBN11) de recuperar margens ao longo de 2026. A evolução dos preços da celulose, o comportamento do câmbio, o controle de custos e a redução da alavancagem serão fatores decisivos para os próximos resultados.
A companhia permanece exposta a um ambiente global desafiador, com volatilidade em commodities, custos industriais elevados e juros ainda pressionando o resultado financeiro.
O prejuízo de R$ 497 milhões no primeiro trimestre reforça o desafio da Klabin (KLBN11) de transformar crescimento de volume em recuperação efetiva de rentabilidade.









