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Legacy mira R$ 4 bilhões sob assessoria e quer virar “mini banco” dentro do BTG

Escritório nascido em Ribeirão Preto ganhou tração com clientes do agronegócio e aposta em atendimento personalizado, private banking e soluções integradas.

por Ana Luiza Farias - Repórter de Negócios e Empreendedorismo
15/05/2026 às 13h10
em Negócios, Destaque, Notícias
Legacy Mira R$ 4 Bilhões Sob Assessoria E Quer Virar “Mini Banco” Dentro Do Btg - Gazeta Mercantil

A Legacy Investimentos, escritório ligado ao BTG Pactual, mira encerrar o primeiro semestre de 2026 com R$ 4 bilhões sob assessoria, em uma estratégia que combina atendimento personalizado, foco em clientes de alta renda e origem forte no agronegócio. Criada em 2019, em Ribeirão Preto, a empresa nasceu em um ambiente de juros mais baixos no Brasil, quando investidores passaram a buscar alternativas além de produtos bancários tradicionais, como CDBs e LCAs.

A proposta inicial foi atender clientes que já conheciam os instrumentos básicos de investimento, mas buscavam estratégias mais sofisticadas, com maior proximidade no relacionamento e soluções mais alinhadas ao patrimônio familiar e empresarial.

Segundo Talles Machado, sócio-fundador da Legacy, parte relevante dos recursos dos investidores permanecia nos grandes bancos em produtos tradicionais, enquanto valores que exigiam maior sofisticação acabavam migrando para outras casas.

Parceria com BTG começou em 2019

A Legacy passou a ganhar tração rapidamente e despertou o interesse de grandes plataformas de investimento. Após avaliar propostas, o escritório optou por fechar parceria com o BTG Pactual, que naquele momento ainda não tinha uma operação estruturada em Ribeirão Preto.

A parceria começou em agosto de 2019 e avançou junto com o crescimento do mercado de assessoria de investimentos no Brasil. Hoje, a Legacy opera dentro do ecossistema do BTG, com acesso à plataforma do banco e a uma prateleira ampla de produtos.

A estrutura inclui renda fixa, renda variável, fundos, planejamento patrimonial, sucessório, seguros e outras soluções financeiras. A tese é oferecer ao cliente uma experiência próxima de private banking, mas com modelo de atendimento próprio e forte presença regional.

Origem no private e no agronegócio

A trajetória da Legacy começou no segmento private, atendendo clientes com patrimônio acima de R$ 10 milhões. Muitos desses investidores estavam ligados ao agronegócio, setor dominante na região de Ribeirão Preto e em áreas de expansão da companhia.

Com o amadurecimento da operação, o escritório ampliou sua atuação para clientes de alta renda, mantendo o foco na personalização do atendimento.

Esse movimento acompanha uma tendência do mercado financeiro brasileiro: investidores de maior patrimônio passaram a demandar soluções mais completas, envolvendo não apenas aplicações financeiras, mas também organização patrimonial, sucessão, proteção de capital e estratégia tributária.

No caso da Legacy, o relacionamento com empresários e famílias do agronegócio se tornou uma das bases do crescimento. Esse público costuma ter patrimônio concentrado em negócios produtivos, terras, operações rurais, empresas familiares e liquidez sazonal, o que exige planejamento financeiro mais próximo.

Modelo busca ser o banco principal do cliente

Dentro do ecossistema do BTG, a Legacy afirma buscar uma posição de banco principal na vida financeira dos clientes.

A estratégia não é necessariamente substituir todas as instituições usadas pelo investidor, mas concentrar a maior parte das decisões estratégicas de alocação, crédito, proteção patrimonial e planejamento financeiro.

Machado resume a visão ao afirmar que o objetivo da empresa não é ser o único banco do cliente, mas o principal.

Esse posicionamento reforça a ambição de construir relacionamento de longo prazo, com acompanhamento contínuo e maior conhecimento da realidade patrimonial do investidor.

Para isso, a Legacy aposta em proximidade, transparência e formação de sócios. A lógica é alinhar o crescimento da equipe ao crescimento do negócio, reduzindo rotatividade e fortalecendo a retenção de talentos.

Plataforma do BTG amplia oferta de soluções

A parceria com o BTG Pactual deu à Legacy acesso a uma plataforma robusta de produtos e serviços. Esse ponto é central para a estratégia do escritório, porque permite combinar atendimento personalizado com infraestrutura de banco de grande porte.

A assessoria consegue oferecer soluções em investimentos, crédito, seguros, câmbio, planejamento sucessório e produtos estruturados, dependendo do perfil e das necessidades do cliente.

Segundo a empresa, a diferença em relação a outras casas não está apenas na prateleira de produtos, mas na forma de relacionamento. A Legacy busca atuar de maneira próxima, com leitura mais ampla da vida financeira do cliente.

Essa abordagem é especialmente importante para investidores de alta renda e private, que frequentemente precisam integrar decisões pessoais, empresariais e familiares.

Escritório quer avançar para modelo de “mini banco”

O próximo passo da Legacy é ampliar a atuação para além da assessoria tradicional. Nos próximos cinco anos, a empresa pretende consolidar um modelo que funcione, na prática, como um “mini banco” dentro do BTG Pactual.

A ideia é oferecer soluções integradas, visão estratégica e acompanhamento completo da vida financeira dos clientes. Isso inclui investimentos, crédito, seguros, sucessão, planejamento patrimonial e outros serviços financeiros.

O movimento reflete uma transformação no mercado de assessoria. Escritórios que nasceram com foco em distribuição de produtos passaram a buscar modelos mais abrangentes, próximos de wealth management, family office e private banking.

Para a Legacy, esse avanço depende da capacidade de aprofundar o conhecimento sobre os clientes e usar a estrutura do BTG para entregar soluções mais completas.

Crescimento reforça disputa no mercado de assessoria

A meta de alcançar R$ 4 bilhões sob assessoria no primeiro semestre de 2026 coloca a Legacy em um patamar relevante dentro do mercado de escritórios parceiros de grandes plataformas.

A expansão também reforça a disputa por clientes de alta renda no Brasil. Bancos, corretoras, plataformas independentes e escritórios de assessoria passaram a competir por investidores que buscam atendimento mais especializado e menor dependência dos grandes bancos tradicionais.

O mercado de assessoria cresceu nos últimos anos com a abertura da indústria financeira, a queda estrutural dos juros em determinados períodos e a maior sofisticação dos investidores. Mesmo com juros mais elevados, a demanda por planejamento e diversificação continuou relevante.

Nesse cenário, escritórios com forte relacionamento regional, conhecimento setorial e acesso a plataformas completas tendem a ganhar espaço.

Agro segue como base estratégica da Legacy

A origem da Legacy no atendimento a clientes ligados ao agronegócio continua sendo um diferencial. O setor reúne empresários, produtores, famílias e grupos econômicos com demandas específicas de gestão de patrimônio.

A renda do agro pode ser mais concentrada em ciclos de safra, commodities, câmbio e crédito rural. Por isso, a assessoria financeira precisa considerar liquidez, risco, proteção cambial, sucessão familiar e diversificação patrimonial.

A atuação em Ribeirão Preto, um dos polos relevantes do agronegócio brasileiro, ajudou a Legacy a construir proximidade com esse público. A partir dessa base, a empresa ampliou a atuação para outros perfis de alta renda.

A estratégia mostra como escritórios regionais podem ganhar escala quando combinam conhecimento local, especialização em setores específicos e acesso a uma plataforma financeira nacional.

Legacy aposta em proximidade para crescer

A trajetória da Legacy mostra a evolução de um escritório que nasceu em um nicho regional, ganhou escala dentro do BTG Pactual e agora busca ampliar sua posição no mercado de alta renda.

A meta de R$ 4 bilhões sob assessoria no primeiro semestre de 2026 reforça a ambição de crescimento, enquanto o plano de se consolidar como “mini banco” indica uma mudança de escopo: sair da lógica de assessoria de investimentos para uma atuação mais ampla na vida financeira do cliente.

O desafio será manter a personalização à medida que a base cresce. Em um setor cada vez mais competitivo, a capacidade de combinar proximidade, sofisticação técnica, retenção de talentos e acesso a soluções completas será decisiva para sustentar o avanço da Legacy nos próximos anos.

Tags: agronegócioalta rendaassessoria de investimentosBTG PactualinvestimentosLegacy Investimentosnegóciosplanejamento patrimonialplanejamento sucessórioprivate bankingRibeirão Pretowealth management

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A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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