A Legacy Investimentos, escritório ligado ao BTG Pactual, mira encerrar o primeiro semestre de 2026 com R$ 4 bilhões sob assessoria, em uma estratégia que combina atendimento personalizado, foco em clientes de alta renda e origem forte no agronegócio. Criada em 2019, em Ribeirão Preto, a empresa nasceu em um ambiente de juros mais baixos no Brasil, quando investidores passaram a buscar alternativas além de produtos bancários tradicionais, como CDBs e LCAs.
A proposta inicial foi atender clientes que já conheciam os instrumentos básicos de investimento, mas buscavam estratégias mais sofisticadas, com maior proximidade no relacionamento e soluções mais alinhadas ao patrimônio familiar e empresarial.
Segundo Talles Machado, sócio-fundador da Legacy, parte relevante dos recursos dos investidores permanecia nos grandes bancos em produtos tradicionais, enquanto valores que exigiam maior sofisticação acabavam migrando para outras casas.
Parceria com BTG começou em 2019
A Legacy passou a ganhar tração rapidamente e despertou o interesse de grandes plataformas de investimento. Após avaliar propostas, o escritório optou por fechar parceria com o BTG Pactual, que naquele momento ainda não tinha uma operação estruturada em Ribeirão Preto.
A parceria começou em agosto de 2019 e avançou junto com o crescimento do mercado de assessoria de investimentos no Brasil. Hoje, a Legacy opera dentro do ecossistema do BTG, com acesso à plataforma do banco e a uma prateleira ampla de produtos.
A estrutura inclui renda fixa, renda variável, fundos, planejamento patrimonial, sucessório, seguros e outras soluções financeiras. A tese é oferecer ao cliente uma experiência próxima de private banking, mas com modelo de atendimento próprio e forte presença regional.
Origem no private e no agronegócio
A trajetória da Legacy começou no segmento private, atendendo clientes com patrimônio acima de R$ 10 milhões. Muitos desses investidores estavam ligados ao agronegócio, setor dominante na região de Ribeirão Preto e em áreas de expansão da companhia.
Com o amadurecimento da operação, o escritório ampliou sua atuação para clientes de alta renda, mantendo o foco na personalização do atendimento.
Esse movimento acompanha uma tendência do mercado financeiro brasileiro: investidores de maior patrimônio passaram a demandar soluções mais completas, envolvendo não apenas aplicações financeiras, mas também organização patrimonial, sucessão, proteção de capital e estratégia tributária.
No caso da Legacy, o relacionamento com empresários e famílias do agronegócio se tornou uma das bases do crescimento. Esse público costuma ter patrimônio concentrado em negócios produtivos, terras, operações rurais, empresas familiares e liquidez sazonal, o que exige planejamento financeiro mais próximo.
Modelo busca ser o banco principal do cliente
Dentro do ecossistema do BTG, a Legacy afirma buscar uma posição de banco principal na vida financeira dos clientes.
A estratégia não é necessariamente substituir todas as instituições usadas pelo investidor, mas concentrar a maior parte das decisões estratégicas de alocação, crédito, proteção patrimonial e planejamento financeiro.
Machado resume a visão ao afirmar que o objetivo da empresa não é ser o único banco do cliente, mas o principal.
Esse posicionamento reforça a ambição de construir relacionamento de longo prazo, com acompanhamento contínuo e maior conhecimento da realidade patrimonial do investidor.
Para isso, a Legacy aposta em proximidade, transparência e formação de sócios. A lógica é alinhar o crescimento da equipe ao crescimento do negócio, reduzindo rotatividade e fortalecendo a retenção de talentos.
Plataforma do BTG amplia oferta de soluções
A parceria com o BTG Pactual deu à Legacy acesso a uma plataforma robusta de produtos e serviços. Esse ponto é central para a estratégia do escritório, porque permite combinar atendimento personalizado com infraestrutura de banco de grande porte.
A assessoria consegue oferecer soluções em investimentos, crédito, seguros, câmbio, planejamento sucessório e produtos estruturados, dependendo do perfil e das necessidades do cliente.
Segundo a empresa, a diferença em relação a outras casas não está apenas na prateleira de produtos, mas na forma de relacionamento. A Legacy busca atuar de maneira próxima, com leitura mais ampla da vida financeira do cliente.
Essa abordagem é especialmente importante para investidores de alta renda e private, que frequentemente precisam integrar decisões pessoais, empresariais e familiares.
Escritório quer avançar para modelo de “mini banco”
O próximo passo da Legacy é ampliar a atuação para além da assessoria tradicional. Nos próximos cinco anos, a empresa pretende consolidar um modelo que funcione, na prática, como um “mini banco” dentro do BTG Pactual.
A ideia é oferecer soluções integradas, visão estratégica e acompanhamento completo da vida financeira dos clientes. Isso inclui investimentos, crédito, seguros, sucessão, planejamento patrimonial e outros serviços financeiros.
O movimento reflete uma transformação no mercado de assessoria. Escritórios que nasceram com foco em distribuição de produtos passaram a buscar modelos mais abrangentes, próximos de wealth management, family office e private banking.
Para a Legacy, esse avanço depende da capacidade de aprofundar o conhecimento sobre os clientes e usar a estrutura do BTG para entregar soluções mais completas.
Crescimento reforça disputa no mercado de assessoria
A meta de alcançar R$ 4 bilhões sob assessoria no primeiro semestre de 2026 coloca a Legacy em um patamar relevante dentro do mercado de escritórios parceiros de grandes plataformas.
A expansão também reforça a disputa por clientes de alta renda no Brasil. Bancos, corretoras, plataformas independentes e escritórios de assessoria passaram a competir por investidores que buscam atendimento mais especializado e menor dependência dos grandes bancos tradicionais.
O mercado de assessoria cresceu nos últimos anos com a abertura da indústria financeira, a queda estrutural dos juros em determinados períodos e a maior sofisticação dos investidores. Mesmo com juros mais elevados, a demanda por planejamento e diversificação continuou relevante.
Nesse cenário, escritórios com forte relacionamento regional, conhecimento setorial e acesso a plataformas completas tendem a ganhar espaço.
Agro segue como base estratégica da Legacy
A origem da Legacy no atendimento a clientes ligados ao agronegócio continua sendo um diferencial. O setor reúne empresários, produtores, famílias e grupos econômicos com demandas específicas de gestão de patrimônio.
A renda do agro pode ser mais concentrada em ciclos de safra, commodities, câmbio e crédito rural. Por isso, a assessoria financeira precisa considerar liquidez, risco, proteção cambial, sucessão familiar e diversificação patrimonial.
A atuação em Ribeirão Preto, um dos polos relevantes do agronegócio brasileiro, ajudou a Legacy a construir proximidade com esse público. A partir dessa base, a empresa ampliou a atuação para outros perfis de alta renda.
A estratégia mostra como escritórios regionais podem ganhar escala quando combinam conhecimento local, especialização em setores específicos e acesso a uma plataforma financeira nacional.
Legacy aposta em proximidade para crescer
A trajetória da Legacy mostra a evolução de um escritório que nasceu em um nicho regional, ganhou escala dentro do BTG Pactual e agora busca ampliar sua posição no mercado de alta renda.
A meta de R$ 4 bilhões sob assessoria no primeiro semestre de 2026 reforça a ambição de crescimento, enquanto o plano de se consolidar como “mini banco” indica uma mudança de escopo: sair da lógica de assessoria de investimentos para uma atuação mais ampla na vida financeira do cliente.
O desafio será manter a personalização à medida que a base cresce. Em um setor cada vez mais competitivo, a capacidade de combinar proximidade, sofisticação técnica, retenção de talentos e acesso a soluções completas será decisiva para sustentar o avanço da Legacy nos próximos anos.










