O Itaú BBA revisou sua leitura sobre empresas financeiras ligadas ao mercado de capitais e passou a apontar o BTG Pactual (BPAC11) como o nome mais atrativo do setor, enquanto vê perda de força na XP e desaceleração no bom momento da B3 (B3SA3). Segundo o banco, o ambiente que começou o ano favorável perdeu tração com a saída de recursos estrangeiros, a menor atividade em derivativos e a dificuldade dos fundos locais em atrair novos aportes.
A avaliação do Itaú BBA indica que o setor entrou em uma fase mais exigente. Depois de um início de ano impulsionado por fluxos externos e melhora nos ativos de risco, o mercado passou a cobrar maior consistência operacional das empresas. Nesse cenário, companhias capazes de diversificar receitas, ganhar participação de mercado e sustentar lucros tendem a se destacar.
O BTG Pactual (BPAC11) aparece como o principal destaque positivo. O Itaú BBA manteve recomendação de compra para os papéis e preço-alvo de R$ 63,00 para 2026, o que representa potencial de alta de 16,2%. Já a B3 (B3SA3) também segue com recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 22,00 por ação e potencial de valorização de 29,3%. A XP, por outro lado, teve preço-alvo reduzido de US$ 21,00 para US$ 19,00, com recomendação neutra.
BTG Pactual (BPAC11) ganha destaque em cenário desafiador
O Itaú BBA avalia que o primeiro trimestre do BTG Pactual (BPAC11) voltou a demonstrar a capacidade do banco de gerar negócios mesmo em um ambiente mais difícil para o mercado de capitais. Com a atividade de emissões e operações financeiras perdendo força no fim do trimestre, o banco conseguiu compensar parte desse movimento com expansão em outras frentes.
Entre os pontos destacados estão o avanço em empréstimos corporativos e os ganhos de participação em gestão de patrimônio e gestão de ativos. Essas áreas ajudam a reduzir a dependência do banco em relação ao ciclo de mercado de capitais, que costuma ser mais volátil e sensível à Bolsa, juros e fluxo estrangeiro.
Na visão do Itaú BBA, o BTG Pactual (BPAC11) também começa a se consolidar como um dos nomes relevantes no segmento de empréstimos com desconto em folha no setor privado. Essa frente é vista pelo banco como uma fonte importante de lucros incrementais nos próximos anos.
O Itaú BBA projeta uma carteira de financiamento ao consumidor de aproximadamente R$ 99 bilhões em 2026 e cerca de R$ 125 bilhões em 2027 para o BTG Pactual (BPAC11). A expansão reforça a tese de crescimento em crédito, área que pode ganhar peso na composição dos resultados.
Lucro do BTG tem estimativas elevadas
O Itaú BBA elevou em 3% as estimativas de lucro líquido ajustado do BTG Pactual (BPAC11) para 2026 e 2027. As novas projeções são de R$ 20,5 bilhões e R$ 23,5 bilhões, respectivamente.
Segundo o banco, esses números ficam cerca de 5% acima do consenso de mercado. A revisão positiva reforça a confiança do Itaú BBA na capacidade do BTG de sustentar crescimento mesmo em um ambiente menos favorável para operações tradicionais de banco de investimento.
A recomendação de compra foi reiterada. O preço-alvo de R$ 63,00 sugere que o banco ainda vê espaço de valorização relevante para os papéis, embora inferior ao potencial calculado para a B3 (B3SA3).
A diferença está na qualidade da tese. Enquanto a B3 depende mais diretamente de volumes de negociação, derivativos, listagens e humor do mercado, o BTG Pactual (BPAC11) aparece como uma história mais diversificada, com motores em crédito, gestão de recursos e wealth management.
B3 (B3SA3) deixa de ser história de aceleração fácil
No caso da B3 (B3SA3), o Itaú BBA manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 22,00 por ação. O potencial de alta indicado é de 29,3%, mas a leitura do banco ficou mais cautelosa em relação ao ritmo do negócio.
Segundo os analistas, a B3 (B3SA3) teve um início de ano forte, impulsionado por fluxos de capital estrangeiro e melhora do mercado. Esse cenário, porém, perdeu força com a saída de volumes internacionais, a desaceleração da atividade em derivativos e um ambiente menos favorável para novos aportes em fundos locais.
O banco afirma que a B3 (B3SA3) “não é mais a história de aceleração fácil” observada no começo do ano. Ainda assim, continua sendo considerada uma forma simples e de qualidade para capturar eventual melhora do mercado em dias mais positivos.
A tese da B3 permanece ligada ao ciclo de mercado. Quando há mais negociação de ações, derivativos, renda fixa e produtos listados, a companhia tende a se beneficiar. Em períodos de menor volume, a receita pode perder tração.
Projeções para B3 seguem praticamente estáveis
Apesar da mudança no tom, o Itaú BBA manteve praticamente inalteradas as projeções para a B3 (B3SA3) em 2026 e 2027. Isso indica que a desaceleração recente ainda não foi suficiente para alterar de forma relevante a visão de médio prazo do banco.
O preço-alvo de R$ 22,00 reforça que os analistas ainda veem potencial de valorização expressivo. A recomendação de compra também foi reiterada, sinalizando que a B3 (B3SA3) permanece bem posicionada para um cenário de retomada dos volumes.
O ponto de atenção está no ritmo. A empresa depende de maior apetite ao risco, entrada de investidores estrangeiros, melhora nos volumes de negociação e recuperação da indústria de fundos. Sem esses elementos, o avanço das receitas pode ser mais lento.
Para investidores, a B3 (B3SA3) segue como uma tese de exposição ao mercado financeiro brasileiro. A ação tende a reagir bem em momentos de Bolsa mais forte, queda de juros e aumento de fluxo para ativos locais. Em ambiente mais fraco, perde parte do impulso.
XP decepciona com lucro abaixo do esperado
A avaliação mais negativa do Itaú BBA ficou com a XP. O banco reduziu o preço-alvo dos papéis de US$ 21,00 para US$ 19,00, mantendo recomendação neutra. O novo preço-alvo representa potencial de alta de apenas 6%.
Segundo o Itaú BBA, a recuperação do mercado não se traduziu em recuperação dos lucros da XP como esperado. As tendências operacionais ficaram abaixo das projeções anteriores, mesmo em um início de ano que parecia mais construtivo para empresas ligadas ao mercado de capitais.
Os analistas também destacaram que a XP não apresentou ganhos significativos de participação de mercado nos últimos anos. Esse ponto é relevante porque a companhia depende de crescimento em captação, distribuição de produtos financeiros, receitas com clientes e eficiência operacional para sustentar sua tese de valorização.
A leitura do banco sugere que a XP enfrenta dificuldade para transformar melhora de mercado em expansão consistente de resultado. Esse descompasso explica a redução nas estimativas de lucro e no preço-alvo.
Itaú BBA corta estimativas de lucro da XP
O Itaú BBA reduziu em cerca de 9% as projeções de lucro da XP para 2026 e 2027. O corte reflete receitas mais fracas e despesas gerais e administrativas mais altas.
A combinação de menor crescimento de receita com custos mais elevados pressiona a margem e reduz a capacidade de expansão do lucro. Para uma empresa que já foi tratada pelo mercado como uma das principais histórias de crescimento do setor financeiro, a perda de ritmo operacional pesa na avaliação.
A recomendação neutra indica que o banco não vê, no momento, assimetria suficientemente favorável para compra. O potencial de alta de 6% também sugere uma relação risco-retorno menos atrativa em comparação com BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3).
A XP ainda se beneficia de sua marca, base de clientes e presença relevante na distribuição de investimentos. No entanto, o mercado cobra sinais mais claros de retomada de crescimento, ganho de participação e recuperação de rentabilidade.
Ambiente de mercado ficou mais difícil
A revisão do Itaú BBA ocorre em um momento de menor impulso para empresas ligadas ao mercado financeiro. O início do ano foi marcado por maior entrada de capital estrangeiro e melhora do apetite por risco, mas esse movimento perdeu força.
A saída de recursos estrangeiros reduziu parte do suporte à Bolsa e aos volumes negociados. Ao mesmo tempo, a desaceleração dos derivativos afetou uma fonte relevante de receita para a B3 (B3SA3). Já a dificuldade dos fundos locais em atrair novos aportes indica que o investidor doméstico ainda se mostra cauteloso.
Esse cenário afeta cada empresa de forma diferente. O BTG Pactual (BPAC11) consegue compensar parte da fraqueza com crédito, gestão de patrimônio e gestão de ativos. A B3 (B3SA3) depende mais diretamente da recuperação dos volumes. A XP precisa provar que ainda consegue converter sua base de clientes em crescimento de lucro.
A seletividade do Itaú BBA reflete esse novo ambiente. O banco privilegia empresas com maior capacidade de execução e diversificação de receitas.
BTG assume liderança na preferência do Itaú BBA
A combinação de crescimento em crédito, ganho de participação em wealth management e asset management, além de estimativas de lucro revisadas para cima, colocou o BTG Pactual (BPAC11) como o favorito do Itaú BBA entre as empresas analisadas.
A tese do banco sugere que o BTG está melhor preparado para atravessar um cenário de mercado menos favorável. A diversificação de negócios reduz a dependência de uma única fonte de receita e amplia a capacidade de geração de resultados.
A B3 (B3SA3) continua com recomendação positiva, mas depende mais de melhora dos volumes e do humor dos investidores. Já a XP ficou para trás na comparação, diante de lucro mais fraco, despesas maiores e menor evidência de ganho de participação.
Para investidores, a mensagem do relatório é de maior seletividade no setor financeiro. O ambiente de mercado ainda oferece oportunidades, mas exige diferenciação entre modelos de negócio, execução operacional e capacidade de sustentar crescimento.









