A TIM (TIMS3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido normalizado de R$ 1,036 bilhão, alta de 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior resultado ajustado já registrado pela operadora em um segundo trimestre. O desempenho foi sustentado pelo crescimento das receitas de telefonia móvel, fibra óptica e serviços corporativos, além da expansão da margem operacional e da geração de caixa.
O lucro contábil reportado, que incorpora os efeitos classificados como não recorrentes pela companhia, ficou em R$ 970 milhões. Nesse critério, houve queda de 0,6% diante dos R$ 975 milhões apurados entre abril e junho de 2025.
A diferença entre os dois indicadores decorre principalmente de ajustes relacionados à aquisição da I-Systems e de despesas com consultorias contratadas para projetos estratégicos. A TIM excluiu R$ 72,1 milhões em efeitos não recorrentes do cálculo do Ebitda normalizado e considerou os respectivos impactos tributários na apuração do lucro ajustado.
A receita líquida da TIM (TIMS3) avançou 5,5%, para R$ 6,965 bilhões. A receita de serviços cresceu 5,7% e alcançou R$ 6,785 bilhões, impulsionada pelas operações móveis, pela TIM Ultrafibra e pela expansão dos negócios voltados a empresas.
O Ebitda normalizado, que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, aumentou 7%, para R$ 3,586 bilhões. A margem subiu 0,7 ponto percentual, para 51,5%, mostrando que o resultado operacional cresceu em ritmo superior ao faturamento.
Pós-pago passa a representar 70% da receita móvel
A receita de serviços móveis da TIM (TIMS3) somou R$ 6,369 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 4,6% na comparação anual.
O desempenho foi sustentado principalmente pelo pós-pago, cuja receita avançou 5,8%. O segmento passou a responder por aproximadamente 70% da receita de serviços móveis da companhia.
A base pós-paga cresceu 6,8% em 12 meses e atingiu 33,668 milhões de acessos. Excluídas as linhas utilizadas em conexões entre máquinas, como equipamentos e dispositivos de internet das coisas, a operadora encerrou junho com 26,128 milhões de clientes pós-pagos.
A receita média por usuário do pós-pago, desconsideradas as linhas entre máquinas, aumentou 0,7%, para R$ 55,70 por mês. O resultado refletiu os reajustes aplicados aos planos durante o primeiro trimestre e a entrada de novos clientes.
O crescimento do pós-pago melhora a previsibilidade das receitas, mas também aumenta a exposição ao risco de inadimplência. Diferentemente do pré-pago, no qual o consumo depende de uma recarga antecipada, os planos mensais geram contas que podem deixar de ser quitadas pelos clientes.
Essa combinação apareceu no balanço. A provisão para devedores duvidosos cresceu 38,1%, para R$ 264 milhões, e passou a representar 2,4% da receita bruta, alta de 0,4 ponto percentual em um ano.
Provisão sobe com cliente empresarial e expansão da base
A TIM atribuiu o aumento das provisões principalmente a um impacto pontual relacionado a um cliente dos segmentos empresarial e de atacado.
A expansão do pós-pago também contribuiu para o movimento. No primeiro semestre, as provisões para perdas com clientes chegaram a R$ 490 milhões, crescimento de 31,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O aumento é um dos principais pontos de atenção do resultado da TIM. Embora a companhia tenha ampliado receitas e margens, uma deterioração prolongada da qualidade da carteira poderia consumir parte dos ganhos obtidos com a migração de clientes para planos de maior valor.
A operadora vem adotando ferramentas digitais para aperfeiçoar a cobrança e identificar clientes em atraso. A estratégia inclui o uso de sistemas automatizados para iniciar contatos, oferecer alternativas de pagamento e direcionar abordagens conforme o perfil do consumidor.
O efeito dessas iniciativas deverá ser acompanhado nos próximos trimestres. A prioridade será reduzir atrasos sem elevar os cancelamentos ou comprometer o crescimento da base pós-paga.
Pré-pago perde 2,47 milhões de linhas
A base móvel total da TIM (TIMS3) recuou 0,5% em 12 meses, para 61,879 milhões de acessos.
A queda ocorreu porque o avanço do pós-pago não foi suficiente para compensar a redução de 8% no pré-pago. A operadora perdeu aproximadamente 2,47 milhões de linhas nessa modalidade e terminou junho com 28,211 milhões de acessos.
A receita do pré-pago caiu 6,9%, pressionada pela menor frequência das recargas e pela competição no mercado. A receita média por usuário, no entanto, subiu 1,1%, para R$ 14,40.
A TIM afirmou que o segmento apresentou sinais de estabilização em relação aos níveis observados no fim de 2025. Entre março e junho, a retração da base foi de 2,3%, abaixo da queda acumulada na comparação anual.
A receita média por usuário móvel, considerando todos os planos, avançou 5% e atingiu R$ 34,30. O crescimento mostra que a melhoria na composição da base compensou a diminuição do número total de clientes.
Segundo a Anatel, a participação da TIM no mercado móvel brasileiro ficou em 22,4% no segundo trimestre, ante 23,4% um ano antes. No pós-pago, a fatia recuou de 18,8% para 18,3%.
Fibra cresce 12,5% e ganha oferta convergente
A receita de serviços fixos aumentou 27%, para R$ 416 milhões. O resultado foi impulsionado pelo avanço da TIM Ultrafibra e pela consolidação da V8.Tech, adquirida para ampliar a atuação em tecnologia e soluções empresariais.
A receita da TIM Ultrafibra cresceu 9,5%, para R$ 247 milhões. A base de clientes avançou 12,5% e chegou a 899 mil acessos.
As conexões de fibra diretamente até os imóveis atingiram 896 mil, expansão de 15%. A operação de banda larga da companhia passou a ser formada quase integralmente por fibra óptica.
Em julho, a TIM lançou o Ultracombo, sua primeira oferta que reúne telefonia móvel e banda larga fixa em um único pacote. A estratégia busca aumentar a receita por cliente e reduzir os cancelamentos.
Consumidores que concentram diferentes serviços em uma mesma operadora tendem a manter o contrato por mais tempo, especialmente quando recebem descontos ou benefícios associados à contratação conjunta.
A incorporação integral da I-Systems amplia o controle da TIM sobre a infraestrutura usada na oferta de fibra. A operação pode reduzir despesas de aluguel de rede e permitir maior coordenação entre cobertura, investimentos e estratégia comercial.
B2B avança 16,6% e fecha contratos recordes
O segmento empresarial também ganhou espaço no balanço da TIM (TIMS3).
A receita de serviços B2B, excluído o atacado, alcançou R$ 1,746 bilhão nos 12 meses encerrados em junho, alta de 16,6%. A área passou a representar 6,6% de toda a receita de serviços da companhia.
Os novos projetos empresariais contratados no segundo trimestre somaram R$ 192 milhões, maior valor da série histórica da operadora.
A demanda veio principalmente de empresas dos setores de logística, energia e serviços públicos, agronegócio e cidades inteligentes. O portfólio inclui conectividade, computação em nuvem, internet das coisas, segurança digital, redes privadas e transformação tecnológica.
As outras receitas móveis cresceram 26,9%, para R$ 338 milhões, com destaque para projetos de internet das coisas.
A receita gerada por plataformas de clientes mais que dobrou, alcançando R$ 63 milhões. A expansão foi puxada pela publicidade móvel e por soluções de autenticação, identificação e prevenção a fraudes.
O crescimento desses negócios reduz a dependência das receitas tradicionais de voz e dados. A diversificação, porém, exige investimentos em tecnologia, aquisição de empresas e integração das novas operações.
Custos avançam abaixo da receita e da inflação
Os custos e despesas operacionais normalizados somaram R$ 3,380 bilhões, aumento de 4%.
A variação ficou abaixo do crescimento de 5,5% da receita e do IPCA acumulado em 12 meses até junho, de 4,64%. Essa diferença ajudou a ampliar a margem Ebitda.
Os gastos com pessoal cresceram 7,3%, para R$ 406 milhões, principalmente por causa da consolidação da V8.Tech e da I-Systems. Sem essas aquisições, a companhia estima que a despesa teria recuado 1,5%.
As despesas de comercialização aumentaram 1,2%, para R$ 964 milhões. Maiores gastos com publicidade foram parcialmente compensados pela digitalização do atendimento e pela redução de determinados custos regulatórios.
Os gastos com rede e interconexão avançaram 3,2%, para R$ 1,287 bilhão. A companhia registrou aumento das despesas com conteúdo digital e com os serviços da V8.Tech, mas se beneficiou da redução de custos de roaming e da eliminação parcial dos pagamentos de aluguel à I-Systems.
As despesas gerais e administrativas subiram 10,5%, para R$ 229 milhões. A alta refletiu a incorporação das empresas adquiridas e a contratação de serviços profissionais especializados.
Resultado financeiro piora 51,8%
O avanço operacional foi parcialmente neutralizado pela piora do resultado financeiro.
A despesa financeira líquida alcançou R$ 569 milhões, aumento de 51,8% diante dos R$ 375 milhões registrados no segundo trimestre do ano anterior.
A comparação foi afetada por eventos positivos reconhecidos em 2025. Naquele período, a TIM contabilizou a reversão de R$ 119 milhões relacionada a uma contingência cível e um resultado positivo de R$ 76 milhões do fundo associado às obrigações do leilão do 5G.
No segundo trimestre de 2026, o resultado do Fundo 5G ficou em R$ 15 milhões. A companhia também registrou aumento dos juros sobre contratos de arrendamento e despesas relacionadas à consolidação da I-Systems.
Os juros sobre arrendamentos somaram R$ 421 milhões, alta de 8,6%. Os valores estão associados principalmente à utilização de torres, terrenos e outras estruturas necessárias à operação das redes.
Com a pressão financeira, o lucro antes dos impostos recuou 3,6%, para R$ 1,132 bilhão, mesmo com o crescimento do Ebitda.
A despesa normalizada com Imposto de Renda e Contribuição Social caiu 15,6%, para R$ 168 milhões. O efeito tributário dos juros sobre capital próprio ajudou a sustentar o avanço do lucro ajustado.
Caixa livre cresce 10,1%
Os investimentos da TIM (TIMS3) totalizaram R$ 935 milhões, alta de 6% sobre o segundo trimestre de 2025.
Os recursos destinados à rede somaram R$ 647 milhões, crescimento de 4%. Os investimentos em tecnologia da informação e outros projetos avançaram 10,8%, para R$ 288 milhões.
O fluxo de caixa operacional, calculado pela companhia como o Ebitda depois dos arrendamentos menos os investimentos, cresceu 8,7%, para R$ 1,868 bilhão.
A margem de caixa operacional subiu 0,8 ponto percentual e atingiu 26,8%.
O fluxo de caixa operacional livre aumentou 10,1%, para R$ 1,242 bilhão. A evolução foi sustentada pelo resultado operacional e pela melhora no recebimento de clientes.
O crescimento foi parcialmente limitado pelo aumento dos pagamentos de impostos e dos desembolsos com arrendamentos.
No primeiro semestre, o caixa operacional livre chegou a R$ 1,695 bilhão, alta de 19,2%. O indicador é relevante porque representa os recursos disponíveis para investimentos, redução de dívida, aquisições e remuneração dos acionistas.
Caixa supera dívida financeira antes dos arrendamentos
A TIM encerrou junho com R$ 4,530 bilhões em caixa e títulos financeiros, uma redução de 17,2% em 12 meses.
A queda refletiu o pagamento pela participação remanescente da I-Systems, a antecipação de dividendos do exercício de 2025 e a liquidação da primeira parcela de debêntures da companhia.
A dívida financeira total somava R$ 2,649 bilhões. Como o caixa era superior ao endividamento financeiro, a operadora apresentava posição líquida de caixa de R$ 2,110 bilhões antes de licenças e arrendamentos.
Considerados os compromissos da licença do 5G e os contratos de arrendamento, a dívida líquida total alcançou R$ 12,518 bilhões.
O valor correspondia a 0,89 vez o Ebitda normalizado acumulado em 12 meses, patamar considerado administrável para uma companhia de telecomunicações, setor que exige investimentos contínuos em espectro, torres, fibra e sistemas.
Em julho, o conselho aprovou aportes de até R$ 600 milhões na I-Systems e de até R$ 70 milhões na V8.Tech. O dinheiro será usado principalmente para antecipar obrigações financeiras e reduzir custos dentro do grupo.
Resultado mantém TIM dentro das metas de 2026
O desempenho do primeiro semestre manteve a companhia dentro das projeções divulgadas para o ano.
A receita de serviços cresceu 6,1% entre janeiro e junho, acima da meta anual de aproximadamente 5%.
O Ebitda normalizado avançou 6,8%, dentro do intervalo projetado de 6% a 8%.
O fluxo de caixa operacional aumentou 11,7%, também dentro da meta anual, que prevê crescimento entre 11% e 14%.
Os investimentos somaram R$ 2,289 bilhões no semestre. A estimativa para todo o ano permanece entre R$ 4,4 bilhões e R$ 4,6 bilhões.
O cumprimento das metas dependerá da continuidade do crescimento do pós-pago, da expansão da fibra e das receitas empresariais, além do controle da inadimplência e dos custos associados às aquisições.
TIM prevê distribuir até R$ 5,5 bilhões
A TIM aprovou em junho R$ 400 milhões em juros sobre capital próprio. Somado aos R$ 390 milhões anunciados no primeiro trimestre, o volume relacionado ao exercício de 2026 alcançou R$ 790 milhões.
O guidance prevê uma remuneração total aos acionistas entre R$ 5,3 bilhões e R$ 5,5 bilhões ao longo do ano.
O montante poderá incluir dividendos, juros sobre capital próprio, recompras de ações ou outras formas de distribuição, sujeito ao desempenho da companhia e às aprovações societárias necessárias.
A expansão do caixa e a baixa alavancagem financeira oferecem suporte à política de remuneração. A alta de 38% nas provisões para inadimplência e a piora do resultado financeiro, contudo, introduzem pontos de atenção para os próximos trimestres.
O balanço mostra uma TIM mais dependente de clientes pós-pagos, fibra e soluções digitais, enquanto a base pré-paga continua encolhendo. A capacidade de transformar esse novo perfil de receitas em caixa recorrente, sem deterioração da carteira de crédito, determinará o ritmo de crescimento e o retorno oferecido aos acionistas no restante de 2026.









