Governo Lula publica Medida Provisória com novos impostos para compensar recuo do IOF
Entenda o que muda na economia brasileira com a nova MP tributária
O governo federal deu um passo decisivo na política fiscal brasileira com a publicação de uma nova Medida Provisória que altera significativamente a carga tributária em diversos setores da economia. A iniciativa, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem como objetivo compensar o recuo recente no aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), em meio a pressões de agentes econômicos e políticos.
A nova medida provisória de impostos impõe mudanças relevantes em segmentos como apostas esportivas, instituições financeiras, investimentos e ativos digitais. Com isso, o governo busca garantir a arrecadação necessária para sustentar os compromissos fiscais, sem recorrer a um aumento do IOF — considerado prejudicial para o ambiente econômico.
Entenda o que motivou a publicação da MP, quais são as principais mudanças tributárias e os impactos para empresas, consumidores e o mercado financeiro.
O que motivou a nova Medida Provisória de Impostos
Após o anúncio da suspensão do aumento do IOF, o governo se viu pressionado a encontrar alternativas para manter a sustentabilidade fiscal. A resposta veio por meio da publicação de uma nova medida provisória de impostos, que amplia a base de arrecadação sem incidir diretamente sobre o consumo ou o crédito popular.
A decisão foi tomada após críticas contundentes de setores produtivos que classificaram o aumento anterior do IOF como exagerado. Com a revogação parcial desse imposto, a equipe econômica optou por distribuir a carga entre setores com maior capacidade contributiva, como fintechs, apostadores, investidores e instituições financeiras.
Principais mudanças trazidas pela Medida Provisória
Apostas esportivas serão mais tributadas
As plataformas de apostas esportivas digitais passam a recolher 18% sobre o rendimento líquido das apostas — ou seja, o valor que sobra após o pagamento dos prêmios e do IR sobre premiações. Essa regra entra em vigor quatro meses após a publicação da MP, e deve impactar diretamente o modelo de negócios das casas de apostas que atuam no Brasil.
Alíquota única de 17,5% para aplicações financeiras
Uma das mudanças mais significativas da nova medida provisória de impostos é a unificação da alíquota do Imposto de Renda sobre aplicações financeiras. Atualmente, a alíquota varia de acordo com o tipo de produto e o tempo de aplicação, podendo chegar a 22,5% para aplicações de curto prazo.
Com a nova MP, a partir de janeiro de 2026, todos os investimentos financeiros terão uma alíquota única de 17,5%, o que deve simplificar a vida do investidor, mas também impactar negativamente aplicações de longo prazo que hoje contam com alíquotas menores.
Como ficam as principais aplicações:
| Tipo de aplicação | Alíquota atual | Alíquota com a MP |
|---|---|---|
| CDB até 180 dias | 22,5% | 17,5% |
| CDB acima de 720 dias | 15% | 17,5% |
| Ações (lucros mensais até R$ 20 mil) | 15% (isento) | 17,5% |
| Títulos como LCI, LCA, CRI, CRA | 0% | 5% (emissões de 2026 em diante) |
Tributação sobre ativos virtuais
A nova MP também alcança o mercado de criptoativos. A partir de sua vigência, pessoas físicas, jurídicas isentas e empresas optantes do Simples Nacional terão que pagar 17,5% de IR sobre os lucros obtidos com ativos digitais, como criptomoedas.
Essa mudança coloca o Brasil em sintonia com outras economias que já regulamentam e tributam este tipo de ativo, garantindo maior controle e arrecadação sobre transações digitais.
Outras alterações trazidas pela Medida Provisória
Regras novas para o VGBL
Os aportes feitos no VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) passam a ter novas faixas de isenção do IOF. O limite anterior de R$ 50 mil sobe para R$ 300 mil até o final de 2025. A partir de 2026, o novo patamar de isenção será de R$ 600 mil. Além disso, as contribuições patronais seguirão isentas do IOF.
Investimentos estrangeiros voltam a ser isentos de IOF
Outro ponto importante da nova medida provisória de impostos é o retorno da isenção de IOF sobre investimentos estrangeiros diretos. O governo havia instituído uma alíquota de 0,38% sobre esse tipo de operação, mas voltou atrás. A medida busca tornar o Brasil mais atraente para o capital internacional, evitando fuga de investimentos.
Repercussões políticas e econômicas
A nova MP é publicada em um cenário político delicado. O Congresso Nacional cobra do governo medidas mais robustas para conter a escalada da dívida pública, mas, ao mesmo tempo, resiste a mudanças bruscas que possam afetar setores estratégicos da economia.
As novas medidas tributárias têm efeito imediato, mas ainda dependem de aprovação no Congresso para se tornarem lei em definitivo. A expectativa é de que o debate seja intenso, principalmente nas comissões que tratam de orçamento e tributação.
Impactos esperados da nova Medida Provisória de Impostos
Para empresas e investidores
Empresas que atuam nos setores de apostas esportivas, fintechs e ativos digitais serão diretamente impactadas pelo aumento da carga tributária. A tendência é de maior cautela nos investimentos e revisão dos modelos de operação. Por outro lado, a simplificação do IR sobre aplicações pode facilitar a gestão fiscal das empresas.
Para o mercado financeiro
A redução do IOF sobre operações de crédito para empresas é um alívio bem-vindo, principalmente para aquelas que dependem de capital de giro e operações de risco sacado. A expectativa é de que a medida estimule o crédito produtivo e ajude na retomada econômica.
Para o consumidor final
Embora as medidas não incidam diretamente sobre o consumo, o consumidor poderá sentir efeitos indiretos, como a menor oferta de produtos de investimento isentos e o aumento de custos em serviços financeiros prestados por empresas impactadas pela nova MP.
Perguntas frequentes sobre a nova Medida Provisória de Impostos
1. O que é a Medida Provisória publicada pelo governo?
É uma norma com força de lei que altera regras tributárias para aumentar a arrecadação federal, compensando o recuo do IOF.
2. Quais setores serão mais afetados?
Apostas esportivas, investimentos financeiros, criptoativos e fintechs são os setores mais impactados.
3. A MP já está valendo?
Sim. A Medida Provisória tem validade imediata, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para se tornar permanente.
A nova medida provisória de impostos do governo Lula reflete a busca por equilíbrio fiscal em um momento de pressão orçamentária. Ao substituir o aumento do IOF por uma tributação mais ampla e seletiva, o Executivo tenta preservar o ambiente de negócios sem abrir mão da arrecadação.
Apesar de bem estruturada, a MP enfrenta resistências políticas e críticas de setores diretamente afetados. Ainda assim, ela inaugura uma nova fase na política fiscal do Brasil, voltada à modernização da estrutura tributária e ao aumento da base contributiva.






