Hugo Motta e Arthur Lira gastam quase R$ 14 mil cada em diárias para evento em Lisboa e geram polêmica
Os deputados Hugo Motta (Republicanos-PB) e Arthur Lira (PP-AL) estão no centro de uma nova controvérsia após usarem recursos públicos para participar do XIII Fórum de Lisboa, realizado entre 2 e 4 de julho de 2025, em Portugal. O uso de diárias com valores elevados e a ausência de relatórios de prestação de contas suscitaram críticas sobre a transparência e o uso adequado de dinheiro público por autoridades do Congresso Nacional.
Quanto custou a ida de Hugo Motta e Arthur Lira ao Fórum de Lisboa?
De acordo com o portal de Transparência da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, atual presidente da Casa, recebeu 4,5 diárias, cada uma no valor de R$ 3.107,50, totalizando R$ 13.983,75. Não há informação registrada sobre o tipo de passagem usada, nem se outros custos foram pagos com verba própria ou patrocínio privado.
Já Arthur Lira, ex-presidente da Câmara e padrinho político de Motta, recebeu diárias no mesmo formato e valor semelhante: R$ 13.934,25. Somados, os dois parlamentares custaram R$ 27.918,00 aos cofres públicos. Ambos ainda não apresentaram relatórios de missão — documento obrigatório para justificar a viagem e detalhar os resultados obtidos.

O que é o Fórum de Lisboa?
O XIII Fórum de Lisboa é um evento promovido por entidades privadas, como o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) e a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Fundado por Gilmar Mendes, ministro do STF, o fórum reúne autoridades dos Três Poderes, empresários e juristas em um ambiente de intercâmbio político e acadêmico.
Em 2025, a edição do fórum coincidiu com a comemoração dos 25 anos de magistratura de Gilmar Mendes, evento informalmente chamado de “Gilmarpalooza. A presença de autoridades financiadas com recursos públicos nesse tipo de encontro fora da agenda oficial levanta dúvidas sobre o real interesse público.
Por que a participação de Hugo Motta e Arthur Lira gerou polêmica?
O principal motivo é a falta de transparência e de comprovação de retorno institucional. Sem os relatórios de missão, exigidos por lei, é impossível saber se as viagens de Hugo Motta e Arthur Lira trouxeram benefícios à atividade parlamentar ou à sociedade.
Outro fator é a natureza privada do evento. O Fórum de Lisboa não é promovido por nenhum órgão do governo brasileiro, e sim por entidades ligadas ao setor jurídico e acadêmico. Não se trata de missão oficial do Estado brasileiro, mas de uma participação individual com recursos do erário.
Críticas e repercussão
Nas redes sociais e na imprensa, a repercussão foi imediata. Muitos eleitores e especialistas classificaram a participação como um uso inapropriado de verba pública. As críticas se intensificaram devido à alta quantia envolvida, o caráter privado do evento e a demora na entrega de relatórios.
Organizações da sociedade civil pedem a devolução dos valores aos cofres públicos e a implementação de regras mais rigorosas para autorização de viagens internacionais custeadas com recursos da Câmara.
O que diz a legislação sobre missões oficiais?
A legislação vigente exige que missões internacionais tenham propósito institucional claro, aprovação prévia e prestação de contas por meio de relatório detalhado. Esse documento deve conter objetivos da viagem, participações, resultados e impactos para a atividade legislativa.
Até a publicação desta matéria, nem Hugo Motta nem Arthur Lira haviam tornado público qualquer documento nesse sentido.
Propostas para aumentar a transparência
Diante da polêmica, alguns parlamentares articulam medidas como:
- Obrigatoriedade de publicação dos relatórios de missão em até 10 dias úteis;
- Proibição de uso de verba para eventos promovidos por entidades privadas;
- Criação de um comitê interno para avaliar se viagens atendem ao interesse público.
Se aprovadas, essas regras podem reduzir os abusos e fortalecer a confiança da população no Legislativo.
Impacto na imagem de Hugo Motta e Arthur Lira
Hugo Motta, que assumiu recentemente a presidência da Câmara dos Deputados, buscava consolidar sua liderança como articulador entre as diferentes alas políticas. O escândalo envolvendo gastos com o Fórum de Lisboa pode comprometer sua imagem pública e fragilizar sua capacidade de liderança.
Arthur Lira, por sua vez, já enfrenta desgaste após sua longa permanência no comando da Casa e vê o epísodio como mais um desafio à sua influência política. Ambos estão sob os olhos atentos da opinião pública e dos órgãos de controle.






