Decisão do STF impede Bolsonaro de falar com o filho Eduardo após apreensão de dólares pela PF
A apreensão de milhares de dólares em dinheiro vivo, realizada pela Polícia Federal (PF), desencadeou uma reação em cadeia que atingiu diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir qualquer tipo de contato entre os dois é um dos desdobramentos mais graves até o momento. A medida foi tomada para preservar as investigações em curso que miram um esquema de suposta apropriação indevida de joias e valores pertencentes ao acervo da Presidência da República.
Apreensão de dólares: o ponto central da investigação
O caso ganhou novo fôlego após a PF encontrar aproximadamente 35 mil dólares em espécie na residência de um dos militares envolvidos com o ex-presidente. O valor, convertido para o real, ultrapassa R$ 190 mil. Esse dinheiro seria fruto da revenda de presentes recebidos por Bolsonaro enquanto ocupava o cargo de presidente, o que caracteriza, segundo os investigadores, um possível desvio de bens públicos.
O material foi apreendido durante operação que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao entorno de Bolsonaro. A apreensão dos dólares em espécie é vista pelos investigadores como uma peça-chave na comprovação de crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O papel de Eduardo Bolsonaro e a decisão do STF
Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, entrou na mira da PF por supostamente participar de tratativas relacionadas à ocultação ou movimentação de valores obtidos com a revenda dos presentes. A preocupação da Justiça é que pai e filho poderiam alinhar versões ou interferir no avanço das apurações. Por isso, Moraes determinou a proibição de qualquer tipo de comunicação direta ou indireta entre eles — medida inédita e impactante do ponto de vista político e jurídico.
A decisão do STF também afeta outras figuras do núcleo bolsonarista, incluindo ex-assessores, militares da ativa e da reserva, além de diplomatas que podem ter facilitado a saída ilegal dos bens do Brasil.
Esquema internacional de venda de presentes presidenciais
Segundo a PF, a operação incluía a venda de presentes oficiais recebidos por Bolsonaro em visitas diplomáticas, muitos deles de alto valor, como joias, relógios de luxo, esculturas e até mesmo armas. Esses itens deveriam ter sido incorporados ao patrimônio da União, mas acabaram sendo revendidos em mercados paralelos — especialmente nos Estados Unidos.
Um ponto crítico das investigações é a forma como esses objetos teriam sido transportados para o exterior, muitas vezes por meio de voos oficiais, com apoio logístico de militares e funcionários do governo. Parte do dinheiro resultante dessas transações teria retornado ao Brasil em espécie, como evidenciado pela apreensão dos dólares.
Dólares apreendidos reforçam suspeitas de crime de lavagem de dinheiro
Os peritos da PF acreditam que a movimentação do dinheiro em espécie foi uma tentativa deliberada de dificultar o rastreamento das transações financeiras. A apreensão dos dólares, nesse contexto, é considerada uma prova robusta de que os investigados tentaram ocultar a origem ilícita dos recursos. A PF agora se debruça sobre a origem exata do dinheiro e os caminhos que percorreu até retornar ao Brasil.
A descoberta dos dólares também abriu caminho para novas diligências, incluindo quebras de sigilo bancário e fiscal de investigados, além da solicitação de cooperação jurídica com autoridades dos Estados Unidos e países do Golfo Pérsico.
Impacto político da decisão do STF
A decisão de impedir o ex-presidente de se comunicar com o próprio filho provocou reações no Congresso Nacional. Aliados de Bolsonaro classificaram a medida como “drástica” e “sem precedentes”, enquanto opositores viram nela um sinal de que as instituições estão atuando para preservar a integridade das investigações.
Nos bastidores, a decisão gerou desconforto entre parlamentares da base bolsonarista, que temem que novos desdobramentos atinjam outros membros do clã ou aliados próximos. Há também especulações sobre delações premiadas que poderiam aprofundar ainda mais a crise no entorno do ex-presidente.
A linha do tempo da investigação
Desde o fim de seu mandato, Jair Bolsonaro tem enfrentado uma série de inquéritos no STF, que incluem investigações sobre disseminação de fake news, tentativa de golpe, ataques ao sistema eleitoral e agora, a suspeita de venda ilegal de presentes diplomáticos.
A apreensão dos dólares aconteceu no momento em que a PF avança com novas frentes de apuração, buscando elucidar a cadeia de comando e os beneficiários da possível organização criminosa. A expectativa é que, nas próximas semanas, novas fases da operação sejam deflagradas, incluindo possíveis pedidos de prisão preventiva e cooperação internacional mais aprofundada.
Investigados tentaram evitar rastreamento bancário
Outro dado importante apontado pelas autoridades é que os investigados teriam adotado estratégias para movimentar valores sem deixar rastros. Isso inclui o uso de laranjas, transações em dinheiro vivo e até mesmo o uso de empresas de fachada. A apreensão dos dólares é apenas uma amostra do que os investigadores acreditam ser um montante muito maior envolvido na operação ilegal.
Defesa de Bolsonaro nega irregularidades
A defesa do ex-presidente afirma que todos os presentes recebidos durante o mandato foram declarados conforme as normas vigentes e que não houve qualquer irregularidade na posse ou destinação dos mesmos. Também negam que Bolsonaro tenha participado da venda dos itens ou recebido valores resultantes dessas transações.
Apesar disso, a PF afirma possuir mensagens trocadas entre membros do grupo, além de documentos e imagens que indicam a existência de uma estrutura paralela montada para gerir esses bens. A apreensão dos dólares seria a prova mais concreta da materialização dos lucros obtidos com as vendas.
Caminho das investigações segue em sigilo
A PF e o STF mantêm grande parte dos autos em sigilo para não comprometer a eficácia das diligências em andamento. A expectativa é que, com a análise do material apreendido e dos dólares encontrados, novos mandados de busca e até de prisão possam ser expedidos em breve.
As próximas etapas envolvem a oitiva de pessoas que estiveram nos voos presidenciais, a análise dos registros alfandegários e a cooperação com órgãos internacionais. A possibilidade de um esquema transnacional de lavagem de dinheiro não está descartada, especialmente após a apreensão dos valores em espécie.






