Carla Zambelli presa: entenda a prisão na Itália e as acusações que desmentem perseguição política
A deputada federal Carla Zambelli foi presa na Itália nesta terça-feira (29), colocando novamente seu nome no centro de uma polêmica de proporções internacionais. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil, a parlamentar é alvo de mandado de prisão por crimes que envolvem falsidade ideológica e atos ilícitos digitais, mas tem argumentado ser vítima de perseguição política — tese amplamente contestada por especialistas e autoridades.
Neste artigo, você vai entender os motivos que levaram à prisão de Carla Zambelli, o que pesa contra ela na Justiça brasileira, como ocorreu a detenção em solo europeu e por que a alegação de perseguição política não se sustenta à luz da legislação e dos fatos.
Por que Carla Zambelli foi presa na Itália?
A prisão de Carla Zambelli aconteceu após uma série de episódios controversos envolvendo condutas ilegais, que culminaram em sua condenação a mais de 10 anos de prisão pelo STF. O principal ponto da sentença se refere à sua participação em uma ação conjunta com o hacker Walter Delgatti Neto, conhecido como “hacker de Araraquara”.
Segundo a Justiça, Zambelli encomendou a produção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, utilizando os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O mandado era inteiramente fictício, e usava um tom satírico com frases como “eu, o todo-poderoso Alexandre de Moraes”, caracterizando o ato como falsidade ideológica e tentativa de manipulação da opinião pública.
Esse tipo de ação não se enquadra em crime de opinião nem pode ser tratado como manifestação política. A legislação brasileira trata como crime o uso indevido de sistemas públicos e a falsificação de documentos, principalmente quando envolvem órgãos do Judiciário.
A falsa narrativa da perseguição política
Desde que deixou o Brasil, Carla Zambelli tem alternado justificativas sobre sua viagem ao exterior. Em alguns momentos, afirma estar em tratamento médico; em outros, sustenta ser alvo de uma suposta perseguição por suas posições políticas. No entanto, os fatos analisados nos processos judiciais contra ela não se referem a sua atuação parlamentar ou militância, mas sim a ações criminosas de caráter técnico e comprovado.
Entre as acusações que recaem sobre Zambelli, destacam-se:
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Envolvimento com hacker para inserção de dados falsos no sistema do CNJ.
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Criação e divulgação de um falso mandado de prisão contra um ministro do STF.
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Porte ilegal de arma e ameaça a um cidadão em via pública, episódio ocorrido durante as eleições de 2022.
Esses crimes não possuem conotação política. Tratam-se de infrações penais convencionais, puníveis em qualquer democracia consolidada. Portanto, a narrativa de perseguição política perde consistência jurídica e factual, servindo apenas como uma tentativa de evitar a responsabilização judicial.
Detalhes da fuga e da prisão de Carla Zambelli
Após a condenação no Brasil, Zambelli deixou o país com destino à Europa. Com cidadania italiana, acreditava que estaria protegida de um processo de extradição. A Interpol, no entanto, incluiu seu nome na lista vermelha de procurados internacionais.
Sua localização em Roma foi revelada por um deputado italiano, que informou às autoridades locais o endereço em que ela estava hospedada. A prisão de Carla Zambelli foi realizada pela polícia italiana em uma operação silenciosa e rápida.
Agora, Zambelli aguarda o desenrolar do processo de extradição, enquanto permanece detida à disposição da Justiça italiana.
A extradição é possível mesmo com cidadania italiana?
A legislação italiana proíbe, como regra, a extradição de seus próprios cidadãos. No entanto, há exceções. Em casos de crimes comuns — como os cometidos por Zambelli — e mediante garantias diplomáticas, o governo italiano pode autorizar a extradição. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, extraditado em 2015 mesmo sendo cidadão italiano.
Portanto, o argumento da cidadania não garante impunidade. A decisão agora está nas mãos da Justiça italiana, que analisará se o Brasil oferece condições adequadas para o cumprimento da pena e se não há violação de direitos humanos no caso.
Qual o papel da Interpol no caso Carla Zambelli?
A Interpol atua como uma agência internacional de cooperação policial, que permite o compartilhamento de informações e a busca por foragidos da Justiça. A inclusão de Zambelli na lista vermelha foi solicitada pelo Brasil e aceita pelo organismo, o que demonstra que os crimes atribuídos à deputada têm base jurídica sólida.
A atuação da Interpol neste caso reforça que a prisão não é um ato isolado ou político, mas sim parte de uma operação global de combate a crimes cibernéticos e falsificação de documentos públicos.
Outras ações penais contra Carla Zambelli
Além da condenação por falsidade ideológica, Zambelli responde por outro processo envolvendo porte ilegal de arma. Em outubro de 2022, durante as eleições presidenciais, ela foi flagrada perseguindo um cidadão pelas ruas de São Paulo com uma arma em punho. O episódio gerou forte repercussão, e vídeos do momento circularam nas redes sociais.
Esse caso também está sendo analisado pela Justiça e pode resultar em novas penalidades, aumentando ainda mais o seu tempo de reclusão em caso de retorno ao Brasil.
A repercussão política e diplomática do caso
A prisão de Zambelli gera efeitos além do campo jurídico. O governo italiano está sendo pressionado por setores políticos para manter a cooperação com o Brasil, e a sociedade brasileira acompanha com atenção os desdobramentos do caso.
Especialistas apontam que a tentativa de transformar um caso criminal comum em disputa ideológica pode prejudicar a credibilidade do Parlamento brasileiro. Além disso, reforça a importância da responsabilização penal de autoridades públicas, independentemente de sua filiação partidária.
O que esperar daqui para frente?
A defesa de Zambelli deve tentar evitar a extradição por meio de recursos na Justiça italiana. No entanto, considerando os elementos concretos do processo e a natureza não política dos crimes, a tendência é que a extradição seja autorizada.
Caso isso ocorra, a deputada será devolvida ao Brasil para o cumprimento imediato da pena de mais de 10 anos de prisão, determinada pelo STF. O caso pode se tornar precedente para futuras cooperações internacionais, fortalecendo o combate à criminalidade entre países democráticos.
A prisão de Carla Zambelli na Itália não se trata de uma perseguição ideológica, mas sim de consequência direta de atos classificados como crimes comuns, como falsidade ideológica e porte ilegal de arma. A tentativa de transformar essa narrativa em perseguição política encontra resistência nos fatos e nas leis brasileiras e internacionais.
Com a atuação da Interpol, o apoio do Ministério da Justiça do Brasil e o respaldo jurídico das decisões do STF, o caso de Zambelli representa um divisor de águas na forma como autoridades públicas serão responsabilizadas por seus atos, mesmo quando tentam se esconder sob o manto da imunidade parlamentar ou da retórica política.






