Bolsas da Ásia fecham majoritariamente em baixa, mas Tóquio sobe com força e impulsiona montadoras
As bolsas da Ásia encerraram o pregão desta sexta-feira (8) com desempenho misto, refletindo movimentos regionais distintos e a influência de fatores externos como as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Japão. Apesar do tom negativo predominante na região, a Bolsa de Tóquio contrariou a tendência e registrou alta expressiva, puxada por ganhos robustos no setor automotivo e por resultados corporativos positivos.
Tóquio em alta com montadoras e tecnologia
O índice Nikkei avançou 1,85%, fechando aos 41.820,48 pontos. O impulso veio principalmente das ações das montadoras japonesas: Toyota subiu 3,5% e Honda valorizou 4%, refletindo expectativas de recuperação nas exportações e confiança do mercado na estabilidade da demanda global, mesmo diante das tarifas norte-americanas.
O destaque absoluto do pregão foi o SoftBank Group, que saltou 10,39% após divulgar lucros acima do esperado no seu primeiro trimestre fiscal. O desempenho reforçou o otimismo em relação às empresas de tecnologia e investimentos no Japão, impulsionando o índice a um dos melhores resultados diários das últimas semanas.
Contexto das tarifas dos EUA e impacto no mercado
As novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos japoneses, em vigor desde ontem (7), não seguiram o patamar de 15% previamente discutido entre Washington e Tóquio. Apesar da tensão inicial, o principal representante comercial do Japão afirmou que houve entendimento com a Casa Branca para corrigir o problema, o que aliviou parte da pressão sobre os mercados japoneses.
Esse fator ajudou a sustentar o otimismo em Tóquio, diferenciando seu desempenho em relação às demais praças asiáticas, que permaneceram pressionadas por preocupações com o crescimento global e instabilidade geopolítica.
Desempenho nas demais bolsas asiáticas
Enquanto o Japão avançava, outros mercados da região seguiram trajetória de queda:
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Hang Seng (Hong Kong): recuou 0,89%, aos 24.858,82 pontos, pressionado por perdas no setor imobiliário e de tecnologia.
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Kospi (Seul): caiu 0,55%, fechando a 3.210,01 pontos, com destaque para recuos em empresas exportadoras.
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Taiex (Taiwan): encerrou praticamente estável, com alta marginal de 0,07%, aos 24.021,26 pontos.
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Xangai Composto (China continental): cedeu 0,12%, aos 3.635,13 pontos.
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Shenzhen Composto: caiu 0,20%, para 2.220,15 pontos.
Na Oceania, a bolsa australiana registrou sua segunda queda consecutiva: o S&P/ASX 200 recuou 0,28%, fechando em 8.807,10 pontos, influenciada por baixas em empresas de mineração e energia.
Influência geopolítica e agenda econômica
O cenário asiático segue sendo moldado por fatores externos, como disputas comerciais, decisões políticas e oscilações nas expectativas econômicas globais. A incerteza em relação à evolução da guerra na Ucrânia e a postura de grandes potências como EUA, China, Japão e Rússia continuam no radar dos investidores.
Além disso, a expectativa de ajustes nas tarifas comerciais entre Japão e EUA trouxe volatilidade aos mercados nos últimos dias. Embora as negociações tenham sinalizado resolução parcial, a confiança do investidor permanece sensível a novos desdobramentos.
Abertura positiva das bolsas europeias
Enquanto a maioria das bolsas da Ásia fechou no vermelho, as bolsas da Europa abriram o dia em alta, apoiadas por uma agenda econômica mais leve e pela expectativa de uma possível reunião entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir a guerra na Ucrânia.
Às 4h08 (horário de Brasília), os principais índices operavam da seguinte forma:
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Londres: +0,25%
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Paris: +0,34%
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Milão: +0,19%
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Madri: +0,41%
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Lisboa: +0,40%
Já a Bolsa de Frankfurt destoava, recuando 0,25%.
Perspectivas para os próximos pregões
Analistas avaliam que o movimento positivo em Tóquio pode se manter caso haja confirmação oficial da redução das tarifas e continuidade de resultados corporativos sólidos no Japão. No entanto, a tendência majoritária de cautela na região asiática deve persistir, dada a combinação de fatores que inclui desaceleração econômica global, tensões comerciais e incertezas geopolíticas.
A volatilidade no curto prazo permanece elevada, e investidores devem acompanhar atentamente:
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Novos anúncios sobre tarifas entre EUA e Japão.
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Desdobramentos políticos e diplomáticos envolvendo grandes economias.
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Indicadores econômicos da China e dos EUA.
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Resultados corporativos no setor de tecnologia e indústria automotiva.






