Julgamento de Bolsonaro no STF chega ao 2º dia com defesa do ex-presidente e aliados
O julgamento de Bolsonaro no STF pela tentativa de golpe de Estado entra no seu segundo dia nesta quarta-feira, 3 de setembro de 2025. A sessão, marcada para as 9h, prevê as sustentações orais das defesas do general Augusto Heleno, do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, do ex-ministro da Casa Civil Walter Braga Netto e do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro. Cada defesa terá até 60 minutos para apresentar seus argumentos, e a previsão é que a sessão se estenda até 12h, podendo avançar por mais uma hora.
Assim como no primeiro dia de julgamento, os advogados devem insistir em teses processuais e de mérito já apresentadas anteriormente, buscando convencer os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a absolver seus clientes das acusações que envolvem crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.
Estratégia da defesa de Bolsonaro
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, conduzida pelos advogados Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno, aposta em duas frentes principais:
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Linha processual – Os advogados pretendem reforçar a tese de nulidade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, além de alegar cerceamento de defesa em razão de prazos considerados curtos. O objetivo é demonstrar supostos vícios processuais que poderiam anular provas e comprometer a validade do inquérito.
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Linha de mérito – O foco será tentar desvincular Bolsonaro dos atos de 8 de janeiro, quando houve invasão e depredação de prédios públicos em Brasília. A acusação da PGR utiliza esses episódios para sustentar os crimes mais graves de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A defesa ainda deve argumentar com base no princípio da consunção, pelo qual crimes menores podem ser absorvidos por delitos mais amplos, e sustentar que os fatos relatados foram apenas preparatórios e não puníveis. Além disso, devem apresentar como justificativa o uso de instrumentos constitucionais, como o estado de sítio, o estado de defesa e as medidas de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
Como foi o primeiro dia de julgamento
O julgamento de Bolsonaro no STF começou no dia 2 de setembro com a leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Moraes destacou a gravidade dos fatos e reforçou que a Corte não se curvará diante de ataques ao Estado Democrático de Direito.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também apresentou sua manifestação, classificando os atos como parte de uma trama coordenada para manter Bolsonaro no poder e alertando que a falta de repressão a tentativas golpistas pode incentivar modelos autoritários.
As defesas dos réus, incluindo Mauro Cid, Alexandre Ramagem, Almir Garnier e Anderson Torres, repetiram argumentos já expostos em fases anteriores do processo, insistindo na fragilidade das provas.
O que está em jogo
O julgamento de Bolsonaro no STF e de outros réus pode estabelecer um marco na história política do país. A acusação da PGR sustenta que o ex-presidente e aliados integraram o chamado “núcleo crucial” da trama golpista, articulada para manter Bolsonaro no poder após as eleições de 2022.
Entre as acusações estão:
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Organização criminosa armada
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Golpe de Estado
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Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
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Deterioração de patrimônio tombado
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Dano qualificado contra o patrimônio da União
A decisão da Suprema Corte poderá resultar em condenação com penas que incluem perda de direitos políticos, inelegibilidade e até prisão, dependendo da interpretação e do voto dos ministros.
Próximos passos no julgamento
Além da sessão desta quarta-feira (3), o STF já agendou novas datas para continuidade do processo:
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9 de setembro – sessões pela manhã e à tarde
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10 de setembro – sessão pela manhã
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12 de setembro – sessões pela manhã e à tarde
A expectativa é que o voto de Alexandre de Moraes ocorra no dia 9 de setembro, dando início à fase de deliberação dos ministros. O posicionamento de Moraes é considerado crucial, já que ele foi o relator de diversas investigações relacionadas aos atos de 8 de janeiro.
Impactos políticos e sociais
O julgamento de Bolsonaro no STF tem desdobramentos que vão além do campo jurídico. Politicamente, ele coloca à prova a unidade da oposição e a capacidade do governo de administrar as tensões no Congresso Nacional.
Para apoiadores de Bolsonaro, o julgamento é visto como perseguição política. Já críticos defendem que a responsabilização é necessária para preservar a democracia e evitar novos episódios semelhantes.
Nas redes sociais, o caso continua a mobilizar debates acalorados, com campanhas de ambos os lados tentando influenciar a opinião pública.
O julgamento de Bolsonaro no STF caminha para se tornar um dos processos mais importantes da história recente do Brasil. Ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de responsabilização por atos que atentam contra a democracia, expõe as tensões políticas e sociais que ainda dividem o país.
As próximas sessões devem ser decisivas para o destino político de Jair Bolsonaro e de outros envolvidos, podendo redesenhar o cenário eleitoral e institucional do Brasil nos próximos anos.






