Ibovespa hoje: projeção de deflação no IPCA e tensões globais movimentam o mercado
Abertura de mercado sob impacto político e econômico
O Ibovespa hoje opera em meio a uma combinação de fatores que aumentam a volatilidade no cenário doméstico e internacional. Nesta quarta-feira (10), a atenção dos investidores está voltada para a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, que pode registrar a primeira deflação do ano, e também para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além disso, o cenário externo segue carregado: os Estados Unidos avaliam novas tarifas comerciais contra Índia e China, há tensões no Oriente Médio após ataques em Israel, e o mercado aguarda a votação da indicação de Stephen Miran à presidência do Federal Reserve (Fed).
IPCA: a expectativa de deflação
As projeções de mercado apontam para queda de 0,16% no IPCA de agosto, após alta de 0,26% em julho. A mediana das estimativas indica recuo de até 0,27%, refletindo principalmente o impacto da entrada do bônus de Itaipu sobre as tarifas de energia elétrica residencial e a desaceleração dos preços de alimentos.
Caso confirmado, o resultado marcará a primeira deflação do ano, reduzindo a inflação acumulada em 12 meses de 5,23% para 5,09%. Para analistas, esse dado pode influenciar as expectativas de política monetária e dar fôlego adicional à bolsa brasileira, já que sugere menor pressão inflacionária no curto prazo.
Impacto do setor de energia no índice
A queda esperada na conta de luz deve puxar o grupo Habitação de +0,91% para -1,17%. O alívio na energia elétrica, somado à redução no preço de alimentos básicos, reforça o cenário de descompressão inflacionária. No entanto, especialistas alertam que os efeitos de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos agrícolas brasileiros ainda não se refletem nos números de agosto, mas podem pressionar a inflação nos próximos meses.
Bolsas globais e a expectativa pelo PPI nos EUA
No exterior, os mercados operam de forma cautelosa à espera do Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos EUA. As bolsas europeias abriram em queda, e os contratos futuros em Nova York mostram fraqueza, com destaque para o recuo do Dow Jones. A pressão inflacionária americana e a política de juros do Fed seguem como grandes condicionantes para o apetite global ao risco, impactando diretamente o desempenho do Ibovespa hoje.
Commodities em destaque
O petróleo segue em alta pelo terceiro dia consecutivo, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pelo pedido do presidente Donald Trump para que a União Europeia imponha tarifas de até 100% sobre compradores de petróleo russo. Nesta manhã, o barril do WTI avançava 0,77%, a US$ 66,90, enquanto o Brent subia 0,80%, a US$ 63,13.
O minério de ferro também encerrou em alta na Bolsa de Dalian, cotado a 805 yuans (US$ 113,02 por tonelada). No pré-mercado de Nova York, os American Depositary Receipts (ADRs) da Vale subiam 0,19%, e os da Petrobras avançavam 0,57%, refletindo a força das commodities brasileiras no exterior.
O julgamento de Bolsonaro no STF e o risco político
Enquanto investidores analisam os dados econômicos, o julgamento de Bolsonaro no STF também está no radar. O processo, retomado hoje com o voto do ministro Luiz Fux, envolve o ex-presidente e outros sete réus acusados de participação em tentativa de golpe de Estado.
A possibilidade de condenação amplia a incerteza política interna, especialmente diante das recentes ameaças de Donald Trump ao Brasil, com declarações de que poderia usar sanções econômicas e militares como forma de pressão. O governo brasileiro reagiu duramente, afirmando que não aceitará atentados à soberania nacional.
Influência geopolítica sobre os mercados
As falas de Trump adicionam pressão aos ativos locais, uma vez que a relação Brasil-EUA é estratégica para exportações de commodities e para o fluxo de investimentos estrangeiros. Qualquer instabilidade política ou diplomática tende a refletir rapidamente no desempenho do Ibovespa hoje, limitando o apetite de investidores por risco.
ADRs de Vale e Petrobras como termômetro
Os ADRs de gigantes como Vale e Petrobras funcionam como um importante termômetro do apetite internacional por ativos brasileiros. O desempenho positivo nesta manhã sinaliza uma abertura mais favorável para o índice, especialmente diante da valorização do petróleo e do minério de ferro. Esses setores representam parcela significativa da composição do Ibovespa e podem suavizar impactos negativos da instabilidade política.
O que esperar para o fechamento
O dia promete ser marcado pela volatilidade. Se confirmada a deflação no IPCA, o resultado pode trazer alívio momentâneo ao mercado, reforçando expectativas de cortes futuros na taxa Selic. Entretanto, a combinação de incertezas políticas internas e tensões geopolíticas externas deve manter o investidor cauteloso.
A tendência é que o Ibovespa hoje oscile entre os ganhos trazidos pelo alívio inflacionário e pela alta das commodities, e as perdas causadas pelo julgamento de Bolsonaro e pelas pressões internacionais vindas de Washington e do Oriente Médio.






