PF prende ‘Careca do INSS’ e empresário em nova fase da Operação Sem Desconto
Polícia Federal avança contra fraudes previdenciárias
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (12) mais uma etapa da Operação Sem Desconto, investigando um esquema milionário de fraudes em consignações de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A ação resultou na prisão de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em Brasília, e do empresário Maurício Camisotti, em São Paulo.
Os dois são apontados como operadores do esquema que ficou conhecido como “farra do INSS”, por aplicar descontos indevidos em benefícios previdenciários de milhares de segurados.
Mandados cumpridos e atuação da PF
Além das prisões preventivas, a Operação Sem Desconto cumpriu 13 mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF (Supremo Tribunal Federal). As diligências ocorreram em São Paulo e no Distrito Federal, com foco em desarticular ramificações do esquema que vinha sendo monitorado pelas autoridades.
Segundo a investigação, a prática criminosa tinha como alvo aposentados e pensionistas, considerados mais vulneráveis, já que muitos não identificavam de imediato os descontos indevidos realizados diretamente em seus benefícios.
Operação Cambota: nova fase da ofensiva
Esta etapa recebeu o nome de Operação Cambota, em alusão às manobras fraudulentas utilizadas pelo grupo investigado. O objetivo é aprofundar a coleta de provas e desarticular os operadores responsáveis pela movimentação financeira irregular.
Os valores obtidos de forma ilícita por meio das consignações eram escoados por intermédio de empresas de fachada, interpostas pessoas e esquemas de ocultação patrimonial.
Conexão com outras operações da PF
A ofensiva de hoje se conecta a uma sequência de investigações recentes da Polícia Federal. No dia 4, a corporação já havia deflagrado a Operação Sibila, que mirava uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e evasão de divisas utilizando criptoativos.
Na ocasião, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária em São Paulo, além de dez de busca e apreensão, com sequestro de valores e bloqueio de bens. A PF constatou que o grupo movimentava recursos por meio de moedas digitais, ocultando a origem ilícita do dinheiro.
A Operação Sibila, por sua vez, é desdobramento da Operação Colossus, realizada em 2024, que revelou a existência de uma rede criminosa responsável por movimentar mais de R$ 50 bilhões em criptoativos entre 2020 e 2024.
O personagem conhecido como “Careca do INSS”
Antonio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, já era investigado por envolvimento em práticas fraudulentas contra o sistema previdenciário. Ele é apontado como um dos principais articuladores do esquema que afetava diretamente aposentados e pensionistas.
Sua prisão preventiva representa um avanço significativo para a Operação Sem Desconto, uma vez que ele era considerado peça-chave para o funcionamento da rede de fraudes.
O papel do empresário Maurício Camisotti
O empresário Maurício Camisotti, preso em São Paulo, também é suspeito de atuar como financiador e operador no esquema. A participação de empresários demonstra que a fraude tinha ramificações complexas, envolvendo desde a elaboração das operações fraudulentas até a lavagem de recursos obtidos ilegalmente.
Impacto para aposentados e pensionistas
As fraudes investigadas no âmbito da Operação Sem Desconto geraram enormes prejuízos para aposentados e pensionistas do INSS, que viam seus benefícios reduzidos por descontos que não haviam autorizado.
Esse tipo de crime afeta diretamente a subsistência de pessoas que dependem integralmente de seus proventos, criando insegurança e desconfiança no sistema previdenciário. O combate a essas práticas é fundamental para a proteção social da população mais idosa.
Estratégia da PF e o papel do STF
A atuação da PF conta com respaldo jurídico do Supremo Tribunal Federal, que autorizou prisões, buscas, apreensões e bloqueios patrimoniais. O objetivo é garantir a recuperação de valores desviados e enfraquecer as bases financeiras do esquema criminoso.
Ao mesmo tempo, a Polícia Federal busca identificar novos envolvidos e ampliar o alcance das investigações, consolidando provas que sustentem futuras ações penais.
Fraudes com criptoativos entram na mira
O elo entre as investigações previdenciárias e o uso de criptoativos reforça uma tendência observada pelas autoridades: criminosos vêm recorrendo cada vez mais às moedas digitais para mascarar operações ilícitas.
Na <strong data-start=”4828″ data-end=”4849″>Operação Colossus, por exemplo, foi descoberta uma rede criminosa que movimentou cifras bilionárias em criptoativos, mostrando que o mercado digital pode ser utilizado como ferramenta de lavagem de dinheiro em larga escala.
Relevância da Operação Sem Desconto
A prisão do “Careca do INSS” e de Maurício Camisotti representa um marco importante na luta contra fraudes previdenciárias. A Operação Sem Desconto reafirma a necessidade de fiscalização rigorosa sobre consignações e sistemas de pagamento do INSS, além de sinalizar ao mercado que operações ilícitas envolvendo criptoativos estão sob monitoramento contínuo.
O avanço das investigações deve trazer novas revelações nos próximos meses, especialmente sobre o envolvimento de empresários e redes de fachada na engrenagem criminosa.






